domingo, 10 de janeiro de 2021

Direto ao ponto.

Certa vez o Mestre Sênior Julio Camacho, ao qual passarei me referir por Si Fu ( Líder de Família Kung Fu) nessas linhas, me solicitou que eu lhe explicasse com as minhas palavras qual meu entendimento sobre o que é o Sistema Ving Tsun. Lembro-me que disse algo de maneira prolixa e sem um direcionamento claro, sobre um ser um sistema estruturado em relação ao desenvolvimento da capacidade de se preservar em relação a Linha Central. Ao concluir minha imatura explanação sobre o que acreditava ser a resposta, meu Si Fu me perguntou em qual parte das Listagens dos Seis Domínios de Naturezas Siu Nim Tau (小念頭), Cham Kiu (尋橋) Biu Ji (標指) , Mui Fa Jong (梅花樁), Luk Dim Bum Gwan (六點半棍) e Baat Jaam Do (八斬刀), havia alguma referência sobre a referida Linha Central? Logo após essa questão, de maneira simples e objetiva, me explicou que o Sistema Ving Tsun se tratava do conjunto dessas seis Listagens de Combate Simbólico, executadas em consonância suas Natureza, para minha surpresa, disse que Linha Central, é uma referência compreendida como necessária para a execução dessas movimentos peculiar à nossa linhagem, mas que existem outras escolas que sequer fazem o estudo dela. 

Mestre Sênior Julio Camacho, Mestre Leonardo Reis 
e Tutor Claudio Teixeira 

A objetividade com que meu Si Fu desconstruiu algo que tinha certeza em minha imatura percepção do Sistema, não só me proporcionou um conhecimento maior até mesmo sobre minhas equivocadas  percepções de um principiante, como modificou minha maneira de buscar compreender mais e melhor sobre a única Arte Marcial do mundo, onde o conhecimento transmitido pelo saber de uma Anciã inspirou a estruturação sistêmica desses movimentos corporais por uma jovem mulher. Passei compreender nesse dia com mais clareza a necessidade de solicitar sua mentoria como fonte de ampliar meu saber sobre o Kung Fu. 

Mestres Sêniores Ursula Lima, Julio Camacho e Ricardo Queiroz 
em Foto Oficial no Centro de Transmissão Barra da Tijuca

Dizer que um Discípulo aprende com o seu Mestre, é algo parecido que dizer que a chuva molha onde cai. Recentemente, após nosso último encontro de atividades no Centro de Transmissão Vitrine de Ipanema, meu Si Fu solicitou-nos escrever um pouco sobre nossa percepção ao seu respeito após esse período que ficamos fisicamente afastados dado sua mudança para a Flórida. E de uma maneira peculiar, mencionou que esse afastamento em si trouxe-lhe uma relativa dificuldade de notar o quanto as relações com seus Discípulos o transformava.  Essa colocação me deixou bastante reflexivo sobre o quanto um Si Fu aprende com seus Daai Ji. E óbvio que me fez refletir também, o quanto sou beneficiado no processo de representá-lo como tutor do Sistema no Mogun  (Sala de Guerra) de nossa Família em Ipanema. 

Mestre Thiago Pereira e Mestre Sênior Julio Camacho 
Centro de Transmissão Vitrine de Ipanema 

Para responder essa pergunta, minha experiência como o Daai Ji da Família Moy Jo Lei Ou que mais viajou com nosso Si Fu, me ajudou compreender primeiro a maneira estremamente estratégica de agira como ele sempre se comportou em suas viagens. E lembrando que dessa, e pela primeira, vez, que ele estava no Rio de Janeiro viajando e não residindo, ficou claro como sua ênfase na precisão me parecia muito mais visível em cada ação ou palavra nesse período de Dezembro que estava conosco. Para quem o conhece, é sabido sua incrível capacidade de através do relaxamento mudar rapidamente de frequência a cada circunstância. Mas em viagens a sua precisão e sintonia, sempre me foram mais visíveis. Até porque quando se viaja com o Si Fu, como ele mesmo costuma dizer, não existe folga para o Kung Fu, são vinte e quatro horas por dia em exposição constante, dormindo muitas vezes no mesmo quarto, e já acordando no compromisso intenso e gratificante da "pratica" da Vida Kung Fu.  E foi assim que o vi o tempo todo nesse mês de Dezembro, precisamente pontual no sentido mais amplo do termo. 

Mestre Sênior Julio Camacho em Foto Oficial no CT Vitrine de Ipanema 

Providencialmente, nesse ultimo encontro em Ipanema, tivemos um atividade voltada para o estudo do Daa Hung Jong, que é o estudo da Listagem do Mui Fa Jong (Nível Superior Inicial), se o uso do aparelho Muk Yan Jong, o emblemático "Boneco de Madeira do Sistema Ving Tsun. Nesse Componente Associado do Sistema, a reprodução das listagens no "vazio", conforme o Ideograma do meio aponta, requer do praticante, além da criatividade para se explorar as possibilidades de se explorar sequências análogas à pratica no aparelho, uma precisão com as próprias referências corporais. A necessidade de ser respeitar os pontos referenciais, exigem uma inteligência estratégica que em se pode ser facilmente percebido com o que sempre vejo nas ações da luta do dia a dia do meu próprio Si Fu. 

Líderes do Clã Moy Jo Lei Ou, Mestre Sênior Julio Camacho e Sra Márcia Moura 
em despedida no Aeroporto Internacional Tom Jobim 

Tentando resumir como o vi nessa viagem em relação extrair benefícios tangíveis de tudo que ocorreu enquanto estive aqui, me foi notório o quanto o vi respeitando com impressionante precisão cada um dos pontos de cada uma das situações ocorrida junto a ele, tanto os mais adequados, quanto os  falhos, por todos que tiveram contato presencial nesse período. E o quanto sem abrir mão dos próprios pontos que lhe são preciosos princípios, como por exemplo a atenção cuidadosa e aproveitamento favorável, extraindo e conduzindo cada um de nós explorarmos e desenvolvermos nosso próprio Kung Fu. Nos visitando, foi perceptível que sua sintonia com seu propósito pessoal de liderança da sua Família Kung Fu, tornou-o mais contundente nos direcionamentos necessários para o Clã Moy Jo Lei Ou amadureça cada vez mais, em seu retorno à Flórida, onde em breve, estaremos para experienciar uma outra realidade. De visitarmos e o apoiarmos nesse processo de internacionalização de nossos Centros de Transmissão.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

A aposta e a entrega.

O que é ser um Discípulo? Para que se assume um compromisso vitalício relacional com alguém? Qual a necessidade desse compromisso para se aprender uma arte marcial? Acredito que a pergunta crucial dentre todas essas, e talvez a mais simples de se responder para mim seja o porquê sou um Discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho. Ao qual me referirei por Si Fu (Líder de Família Kung Fu) nessas linhas. 


Cerimônia Tradicional de Discipulado em Dezembro de 2013
 de Claudio Teixeira com o Mestre Sênior Julio Camacho

Eu realmente não saberia explicar com exatidão todos os fatores que me motivaram aceitar o convite feito pelo meu Si Fu, quando me tornei seu Discípulo em Dezembro de 2013. Se fosse elencar o que me recordo com alguma precisão, parte dessa decisão eu atribuiu ao "magnetismo" de sua cativante personalidade, que até hoje me inspira tentar descobrir o que quero ser quando crescer, e outra parte numa  muito precária compreensão que apenas pela Vida Kung Fu se fosse possível desvendar o Sistema Ving Tsun. 


Claudio Teixeira e seu Si Fu, o Mestre Sênior Julio Camacho
Conversando sobre o Sistema Ving Tsun na Philadelphia.

Não que eu ainda não saiba o que quero ser do alto dos meus quarenta e oito anos de idade, mas que quanto maior meu entendimento da relação discipular, mais compreendo que haja espaço para eu crescer em todas as áreas da minha vida. Nisso que busco como o Desenvolvimento Humano, que é ofertado à todo praticante da Denominação Moy Yat Ving Tsun, meu Si Fu tem a exímia habilidade, quando me permito, de extrair de mim num processo de melhoria constante e progressiva, o melhor que tenho a oferecer à mim e à sociedade. E seu exemplo pessoal continua sendo uma fonte cada vez mais abundante de inspiração na minha própria capacidade de realizar e evoluir.


Aniversário do Mestre Sênior Julio Camacho em Copacabana 2020


Já ao que tange minha compreensão atual de vida Kung Fu, essa sim de 2013 para cá passou por saltos conceituais gigantescos, desde do dia que me tornei seu Discípulo, até o momento em que estou escrevendo esse texto. No início, "a tal"  Vida Kung Fu era um mistério, um véu de fantasias e projeções, onde eu passaria fazer parte de uma espécie de sociedade secreta onde os segredos do Sistema Ving Tsun me seriam revelados pelo compromisso assumido entre eu e meu Mestre, na crença que eu conseguiria um dia me tornar corporalmente tão habilidoso quanto ele. Tirando essa bobagem de sociedade secreta que nem vale a pena entrar no mérito, pois temos CNPJ e contas nas redes sociais, compreendo cada vez mais que  não tem mistério algum se praticar o atenção cuidadosa, ao qual usamos o termo zelo pela definição para se desenvolver como pessoa. O grande diferencial simplesmente está no uso do meu Si Fu como "alvo" para esse zelo, numa relação onde essa prática ocorre dentro e em pró de uma relação marcial. Bom, pelo menos para mim não existe mais nada de fantástico nisso, mesmo que para quem esteja lendo esse texto possa parecer complexo, ou estranho, cada vez mais compreendo que a ampliação da eficácia pessoal nas minhas relações com o todo, acontece naturalmente nesse convívio.


Foto Oficial da Prática na Sede do Clã Moy Jo Lei Ou na Barra da Tijuca, a esquerda
o Mestre Thiago Pereira ao lado de nosso Si Fu, o Mestre Sênior Julio Camacho 


Dado esses dois fatores da minha própria jornada marcial, venho compreendendo o tamanho da importância da minha própria entrega à essa relação, que já passou por tantas experiencias ricas, sempre numa crescente nos momentos onde as maiores dificuldades aconteceram. Paradoxalmente, minha relação com meu Si Fu sempre se tornou mais intensa, a medida que tivemos nossos maiores desafios em bancar nossa aposta recíproca nela. E talvez seja esse o segredo dessa crescente constante com alguns saltos exponenciais, justamente nos momentos mais complexos. Porque é comum se esperar de um Si Fu que essa aposta seja irrevogável, mas me inspirando na maneira como o meu Si Fu sempre se manteve firme diante dos riscos que correu em apostar em mim, eu também me dispus sempre em reinventar-me como seu Discípulo nessas ocasiões. 

E nesse espírito de mais um ciclo de evolução dos meu próprio compromisso discipular, que encerro esse texto embalado, no duplo sentido desta palavra,  pelo sentimento de renovação e esperança que toda virada de ano carrega como signo, desejo a todos um ano de 2021 com muito zelo e aproveitamento favorável em todas circunstâncias, e mesmo que sendo redundante nesses votos para quem pratica, para estes desejo um ano repleto de Kung Fu.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Cuidar do praticante.

 Dia 08 de Dezembro de 2020, a ainda  não inaugurada Sede do Clã Moy Jo Lei no Downton foi palco da primeira de muitas práticas coordenadas pelo Mestre Sênior Julio Camacho, ao qual passarei me referir por Si Fu (líder de Família Kung Fu) nesse texto. Numa proposição feita por meu Sihing ( irmão Kung Fu mais velho), o Mestre Qualificado Thiago Pereira, promovemos nossa primeira Tertúlia Marcial, onde pudemos refinar nossa conexão através da Programa Fundamental, num exercício simples onde através dos passos e gestos manuais, trabalhamos o timing na relação entre duplas, sem usarmos o toque.

Tertúlia Marcial na Sede do Clã Moy Jo Lei Ou CT Barra da Tijuca/ Downtown 
Coordenada pelo Mestre Sênior Julio Camacho

Sob o coordenação de nosso Si Fu, a atividade transcorreu numa crescente de desafios, onde pudemos trabalhar a marcialidade através da atenção ao outro. Digo isso, porque ao fim da prática, demorei um pouco reconhecer o aspecto marcial da proposta, mas meu Si Fu observou-me que se colocar de maneira integral em qualquer proposta, mensura o nível de Kung Fu de um praticante. Nessa observação final, me foi muito tocante uma orientação pessoal feita por ele diretamente à mim, quando fui chamado atenção de me colocar mais como praticante nesses momentos que como tutor. Ficha que demorou a cair no início, pela minha preocupação em absorver mais para meu processo de transmissão que para o meu processo de aprendizado.

Mestre Sênior Julio Camacho e Seu Discípulo o Mestre Qualificado Thiago Pereira 

Pequenas lições que me trazem grande inspirações, porque me fez perceber a importância de ser um eterno praticante, mesmo com o foco voltado para transmissão, pois me tem sido muito comum me preocupar tanto em cuidar da prática de outros, que de fato andava desligado de apreciar melhor meus momentos de aprendizado. Reforçando minha compreensão da importância da vitalicidade dessa relação com meu Si Fu, onde jamais deixarei de ser seu Discípulo e aprendiz. 




quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

O eixo do Kung Fu

Esse Dezembro de 2020 tem sido um mês muito especial para o Clã Moy Jo Lei Ou liderado pelo Mestre Sênior Julio Camacho, ao qual me refiro por Si Fu (líder de Família Kung Fu) Nessas Linhas. Após quase o ano todo afastado do país, desde que se mudou para Flórida em função do ambicioso projeto de internacionalização de seu próprio Clã. Abrindo as portas da ida de seus próprios Discípulos para o mundo através desse estratégico movimento. Meu Si Fu reservou o final desse ano complexo em todos os sentidos para todos nós, para passar o esse mês junto sua família pessoal e seus liderados na Vida Kung Fu. 

A aluna do CT Ipanema aprendendo sobre o Zelo
com o Mestre Sênior Julio Camacho


Há dois dias atrás, tivemos no Shopping Downtown, três atividades marcantes que deram início ao calendário aberto à todos os Graus Relacionais de nosso Clã onde pudemos estrear nossa nova Sede no Bloco 21, Sala 218, na realização de um especial Colóquio que deu o tom e os temas dessa série de eventos: a Atenção Cuidadosa e o Aproveitamento Favorável em Todas as Condições. 

Ouso dizer que esses temas, que podem ser traduzidos como Zelo e Apoio, são de longe dois pilares do processo de Transmissão de nosso Sistema pela perspectiva do meu Si Fu, quase como se o terceiro pilar, o Relaxamento, seja o o procedimento interno que permitem que essas máximas alcancem o mundo tangível.

Tutor Cláudio Teixeira participando do Colóquio com 
o Mestre Sênior Julio Camacho

 

Após uma hora ouvindo atenciosamente meu Si Fu, enquanto simultaneamente cuidava para que todos os detalhes do evento, a parte que mais me tocou sobre tudo o que foi dito, foi quando ele explicou que o papel da Família Kung Fu em termos pragmáticos é funcionar como um eixo entre o Sistema Ving Tsun e Vida Kung Fu. Em mias uma de suas explanações que ressignificaram o sentido de meu próprio entendimento sobre nossas Tradições, sua fala me deixou muito límpido o como a estrutura do das Listagens de Movimento de Combate Simbólico em contra ponto a Não Estruturada Vida Kung Fu, são literalmente mediadas pelas Processo Relacional da Família Kung Fu, pois estas tanto apresentam uma clara estrutura protocolar como um listagem, assim como uma mobilidade circunstancial dinâmica, como a vida em si.

Foto Oficial Colóquio com o Mestre Sênior Julio Camacho
Sede do Clã Moy Jo Lei Ou 08/12/2020

Nesse aspecto, entender a prática da crise como treinamento para se desenvolver a habilidade de promover oportunidade através  da primeira, num ambiente proporcionado por nossas atividades, onde a morte é simbólica e erro um aprendizado, nos permite compreender tanto a importância de se preparar cada vez melhor para cada ação, sem se tornar refém dessa preparação. Como explicou o Si Fu usando uma de minhas frases favoritas que ele aprendeu comigo: quer fazer Deus rir, faça planos. 

Nesse espírito do zelo, com o sentimento repleto pelo anseio de aprender cada vez mais nessa vitalícia relação Discipular, reforço meus votos à todo Clã Moy Jo Lei Ou, que sigamos juntos nessa jornada do saber e da tradição. 



segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Olhar é passivo, ver é ativo.

O Mestre Sênior do Sistema Ving Tsun de Kung Fu Julio Camacho, ao qual passarei me referir por SI Fu ( Líder de Família Kung Fu ) nessas linhas, constantemente nos alerta para a necessidade de termos atenção às palavras, e que buscar sair do automatismo do linguagem é um excelente dispositivo de alinhar o pensamento à uma atitude marcial.

Dessa maneira, é comum em nossas práticas do Nível Superior Final do Sistema, meu Si Fu atento de forma contundente nas pequenas brechas que deixamos em aberto no uso dos termos da linguagem, salientar como ser despretensioso, ou mesmo desatento as nuances da comunicação, nos deixa vulneráveis como entrar numa luta com a guarda displicente. 

Mestre Sênior Julio Camacho orientando Claudio Teixeira 
em Angola no processo de Mobilização 


Nesse fim de semana em específico, durante nosso encontro matinal de Domingo, dentre inúmeros assuntos abordados sobre nossa conduta marcial, todas com uma ênfase muito voltada para o uso do Kung Fu no dia dia, meu Si Fu levantou um tema, que sempre me passou desapercebido. O quando muitas vezes a ausência de atenção num dos sentidos que mais usamos durante a vida, é reflexo de uma baixa marcialidade para o cotidiano. 

Ao centro o Mestre Sênior Julio Camacho, 
À esquerda seu Discípulo o Mestre Thiago Pereira
À direita seu discípulo o Tutor Claudio Teixeira

Em suas palavras, não escolhemos o que olhamos, porque o ato de olhar nos é tão natural quanto displicente. O mundo diariamente passa pelo nosso olhar, e de maneira pouco objetiva, assistimos passivamente o que vai acontecendo, pois por não termos o mínimo controle sobre como as coisas vão se configurando diante de nós, acabamos por exercitar muito menos a capacidade de ver tudo o que deveríamos. 

Enxergar o mundo por um prisma Kung Fu, exige do praticante uma maneira de ver o mundo de forma muito mais ampla que ser um mero refém do que olhamos. É preciso estar sempre alerta, de forma relaxada, para que possamos extrair ao máximo benefícios legítimos do tudo que nosso olhar nos apresenta. Buscar ver além do senso comum, é uma maneira de interagir com a vida sem sermos reféns nem vítimas das circunstâncias. 

A lendária foto "Café na Linha Central" do
Mestre Sênior Julio Camacho tirada 
pelo olhar atento do seu Discípulo Claudio Teixeira 

Esses ensinamentos do meu Si Fu passados nessa ultima manhã de Domingo, me levaram à uma profunda reflexão do quanto por muitas vezes eu não consegui me conectar de forma eficaz aos outros e aos cenários que vida me apresentou, por pura passividade na minha maneira de olhar a vida. E o quanto ainda tenho através do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial para refinar-me como ser humano. 




quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Os Desafios de um Mestre de Kung Fu na América

Mestre Sênior Julio Camacho
Senior Master Julio Camacho

Nascido no Rio de Janeiro no Brasil em 30 de Novembro de 1969, o Mestre Sênior Julio Camacho, Titulado pela Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence  em 15 de Março de 2003, iniciou sua jornada como Tutor do Sistema Ving Tsun de Kung Fu em 1992, tem sua vida praticamente voltada e dedicada às artes marciais.                                    Born in Rio de Janeiro, Brazil, November the 30th, 1969, Senior Master Julio Camacho, titled by the Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence in March the 15th, 2003, started his Ving Tsun Kung Fu System tutoring journey in 1992, dedicating a great share of his life to the martial arts.

Morando atualmente em Hallandale Beach, Flórida nos EUA, hoje enfrenta os desafios de ensinar Kung Fu na América, através Legado da Denominação Moy Yat Ving Tsun. Instituição de ensino dessa Arte fundada em New York em ,  pelo Patriarca Moy Yat quando se tornou o Primeiro Mestre de Ving Tsun reconhecido por Patriarca Ip Man (Mestre de Bruce Lee) a transmitir  o Sistema Ving Tsun para além da China em 1973.

Currently living in Hallandale Beach, Florida, USA, he faces today the challenges of carrying the Moy Yat Ving Tsun legacy, which has reached the Western world through Patriarch Moy Yat, who in 1973 established himself in America, by that becoming the first Ving Tsun Grandmaster recognized by Patriarch Ip Man (Bruce Lee's master) to transmit our art beyond China.

Mestre Sênior Julio Camacho ao lado de Patriarca Moy Yat que
Introduziu o Sistema Ving Tsun no Ocidente
Senior Master Julio Camacho
Senior Master Julio Camacho next to Patriarch Moy Yat 


 
Mestre Sênior Julio Camacho
ensinando o Nível Superior Final
do Sistema Ving Tsun
Senior Master Julio Camacho teaching
the last Ving Tsun system level

Sua ida para os EUA se deu através do ambicioso projeto da Internacionalização do Clã Moy Jo Lei Ou, instituição de Kung Fu que leva seu nome ao qual ele é o Líder. Projeto esse que  foi atravessado por todas questões geradas pela pandemia de Covid-19 que assolou todo o planeta gerando circunstâncias imprevisíveis em sua formatação.
Camacho's move to the US came as part of an ambitious Moy Jo Lei Ou Clan internationalization project, a Kung Fu institution that carries his name and of which he's leader. The project was trespassed by all the issues the Covid-19 pandemic has been generating to the world as whole, though he keeps on following his own maxim that tell us that "Kung Fu is the ability of generating benefits from any situation no matter how it presents itself".
  
Mestre Sênior Julio Camacho praticando seu
requintado Kung Fu no exuberante Grand Canyon
Senior Master Julio Camacho practicing his Kung Fu 
in the magnificent Grand Canyon

Guiado por sua própria máxima onde sempre afirma que: "Kung Fu é a habilidade de se gerar benefícios de qualquer situação, independente de como esta se apresente, além de se continuar conduzindo à distancia todas as decisões das três escolas que hoje lidera no Rio de Janeiro nos bairros da Barra da Tijuca, Ipanema e Tijuca, e apoiando o desenvolvimento  o Kung Fu de seus Discípulos no Brasil, e dando continuidade em seu trabalho em solo americano.

No dia 05 de Novembro de 2020 às 22:30 no horário de Brasília e 9:30 PM horário da Flórida,  o Mestre Sênior Julio Camacho participou do Podcast Bubbles que você poderá assistir pelo Youtube clicando (aqui), ou pelo Instagram clicando (aqui).

Besides remotely guiding the three schools he currently leads in Barra da Tijuca, Ipanema and Tijuca neighborhoods of Rio de Janeiro, backing up the Kung Fu development of all his Brazilian disciples and working on his goals on American soil.

On November 5, 2020 at 10:30 pm Brasília time and 9:30 pm Florida time, Senior Master Julio Camacho participated in the Podcast 22:30 GMT -3 (Brasília time)/9:30 p.m. GMT -5 (Eastern Time Zone) and you can watch it on YouTube or Instagram.


Não percam a oportunidade de participar dessa entrevista sobre como o Kung Fu pode ser usado contra os desafios da luta do dia dia, através da perspectiva de um Mestre.

Don't miss the opportunity of being part of this interview about the use of Kung Fu on the daily challenges of life, through the lenses of a Master.



 

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Um novo ciclo.

        A mesa Ancestral de um Mogun (Sala de Guerra), conhecida por nós praticantes do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial por SAM TOI, simboliza a parte mais importante de nossa cultura no que se refere ao processo conhecido por Família Kung Fu. O mestre Sênior Julio Camacho, ao qual passarei me referir por Si Fu (Líder da Família Kung Fu) nessas linhas, nos ensina que ao contrário do aparente aspecto de religiosidade em sua composição, não há um nada de metafísico atribuído à esse espaço tão importante em nossos Centros de Transmissão, mas sim um processo memorial. 

Mestre Sênior Julio Camacho
Sentado à Mesa Ancestral em Ipanema 

        Uma  das bases de nossa cultura Kung Fu se apoia no Zelo como pilar de nosso processo de transmissão, muito além de um conceito, a atenção cuidadosa faz parte de nosso processo pratico que deve se manifestar em nossas ações. Praticamos o Zelo no Mogun para agirmos em função desse mesmo Zelo na vida. Nesse aspecto, o cuidado com o SAM TOI é primordial para refletirmos a importância da Ancestralidade. Ao arrumarmos a Mesa, que trocarmos as frutas enquanto frescas, prepararmos o chá e acendermos o incenso, trazemos ao momento presente a memória de nossa Ancestralidade representada nos Carimbos de nossa Genealogia junto com a foto de nosso Patriarca Moy Yat. Meu Si Fu orienta compreendermos que Ancestralidade não se trata apenas de uma questão voltada para o passado, mas também para o o futuro, por que um dia seremos ancestrais de alguém. Dessa maneira, as duas cadeiras reservadas ao Líderes da Família, compõe esse simbolismo salientando que nossos Líderes são referências na busca pelo uso do Sistema como ferramenta de Desenvolvimento Humano

No último Sábado, dia 31 de Setembro de 2020, tive a honra de ser o responsável pela  Abertura do SAM TOI na nova Sede do Clã Moy Jo Lei Ou na Barra da Tijuca, localizada no Shopping Downtown. Numa Cerimônia onde participaram os Discípulos do Mestre Sênior Julio Camacho, meu Sihing (irmão Kung Fu mais velho) Vladmir Anchieta, e meus Si Daai (Irmãos Kung Fu mais novos) Guilherme de Farias, Maria Alice e Clayton Quintino, cumprimos o papel de representar nosso Si Fu nesse importante marco, transformando aquela a sala 218 do bloco 21 do Shopping numa Casa do Clã Moy Jo Lei Ou.

Tutor Claudio Teixeira em Cerimônia de 
Abertura da Mesa Ancestral Sede Barra

        O momento mais que especial em particular para mim, por poder Coordenar o rito nos ditames de nossos protocolos tradicionais, nesse novo momento para nossa Instituição. Sobe a orientação de meu Si Fu de Miami, vamos passo a passo preparando esse novo espaço para todo Clã e futuros praticantes do Sistema Ving Tsun. Sem deixar de ressaltar a emoção de ter ao meu lado nesse dia, minha filha mais velha, Alice. 

Maria Alice Teixeira Abertura SAM TOI
Sede Clã Moy Jo Lei Ou Barra da Tijuca

        Como diz meu Si Fu, temos que ter sempre muito cuidado ao pisar em um Mogum, pois estamos pisando sobre sonhos, sonhos esses capazes de ser realizado através da força dessa Família Kung Fu focada em seu processo de aprimoramento constante, não só do espaço físico, mas de cada de nós como indivíduos. No caso especial dessa Sede, não posso deixar de ressaltar que o momento é impar em nossa história, porque pela primeira vez, temos a oportunidade de manifestarmos o Zelo por nossa Casa Kung Fu com nosso Si Fu morando em outro país. Por tanto, cuidar desse local para recebê-lo em sua vinda ao Brasil no fim do ano, e preparar sua inauguração oficial, e eventos que se darão em função dessa vinda, será um especial exercício de Vida Kung Fu com grandes desafios, e enormes desenvolvimentos.

Sigamos Juntos!


Por Claudio Teixeira, Discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho