quinta-feira, 7 de novembro de 2019

O zelo está no ar!

Na data de Sete de Dezembro de 2019 teremos o evento mais importante do Calendário Oficial do Clã Moy Jo Lei Ou. Uma celebração ímpar por juntar vários elementos que não podemos deixar de ressaltar tais como a celebração dos Cinquenta anos do natalício do Mestre Sênior Julio Camacho, numa festa que além além de registrar o último ano antes de sua mudança para os Estados Unidos, terá um toque mais que especial em razão do Casamento Kung Fu dele com a Co-líder de nosso Clã, Sra. Márcia Moura, conduzido pelo Grão Mestre Leo Imamura e a Co-líder do Grande Clã Moy Yat Sang, Sra. Vanise Imamura.


O evento, uma oportunidade de todos nós membros regulares e vitalícios do Clã temos para nos colocarmos em prática todo nosso Kung Fu, em sintonia com todo empenho que nossas lideranças desempenham cotidianamente no processo de transmissão de nosso precioso legado, no grande desafio de organizarmos através de nossa dedicação momentos especiais dignos de nossa Denominação.

Me lembro nitidamente que o primeiro evento que significativamente me marcou em razão da compreensão de fazer dessas datas poderosos instrumentos de desenvolvimento coletivo de Kung Fu, foi a titulação do nosso próprio Si Fu, em Atibaia em 15 de Março de 2003  onde meu Si Gung, o Grão Mestre Leo Imamura dispôs de usar de seu aniversário para que se promovesse um ousado e inesquecível evento que reuniu seiscentas pessoas. Numa demonstração de toda capacidade organizacional que temos quando nos dispomos colocar em prática o que desenvolvemos em função do Zelo. 

Nesse mesmo espírito de produzirmos algo que marque toda uma geração de praticantes do Sistema Ving Tsun, eu como Décimo Sexto Discípulo da Família Jo Lei Ou, convido a todos a refletir o tamanho importância de adesão à esse evento, no intuito de honrar nossa ancestralidade, como grande Signo que carregamos no Nome Kung Fu de nosso Clã.

Como escreveu hoje em nosso Grupo de Comunicados o Dai Si Hing de nossa Família Leo Reis: "Faltam apenas 30 dias para evento de celebração dos 50 anos do Si Fu e de seu casamento com a Si Mo e a Carmen está a frente da organização desse evento histórico e é fundamental termos nesse momento as inscrições formalmente confirmadas." Assim como também ressaltou nosso Si Hing Thiago Pereira, Discípulo Número Dois de nosso Si Fu em seu seu Vídeo:


Então confirme ainda hoje sua inscrição apoiando todos que estão profundamente envolvidos nesse evento através do link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfKO4JtKw1I2KQwWmBlV0FM8f_gZgsS1uFpfmt2pBnzcEndOg/viewform

- Via Transferência:  Caixa Econômica Federal - Ag. 3147 C.Poupança 01300024649-5, em nome de Guilherme de Farias, CPF 123651597-88 (enviar comprovante para ele via WhatsApp...)

Portanto vamos aproveitar todo o potencial desse excelente momento para pormos em prática a máxima que Patriarca Moy Yat nos transmitiu ao nos ensinar que "o zelo é o amor em movimento"!








quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A Jóia do Meier.

Si Fu, Si Mo e meu SI Hing no Sam Toi do Núcleo Méier
Dia  01 de Outubro de 2019, data que por sinal tem profundo significado para praticantes do Sistema Ving Tsun no mundo todo em razão de também ser celebrado o natalício do Patriarca Ip Man, foi realizada na Rua Gustavo Gama, 25 no Bairro Méier, na cidade do Rio de Janeiro, a CX Cerimônia Tradicional do Clã Moy Jo Lei Ou e 17o Ato Cerimonial da Família Moy Fat Lei. Onde tive a honra de ter sido convidado como Testemunha Formal pelo meu Si Hing ( irmão kung fu mais velho ) Mestre Thiago Pereira.



Vitor e Claudio Teixeira como Testemunhas Formais 
A cerimônia teve a presença do meu Si Fu, o Mestre Sênior Julio Camacho, e de minha Si Mo, sua esposa Márcia Moura, Co-líder do Clã Moy Jo lei Ou, onde foram admitidos à Família do meu Si Hing Thiago Pereira como novos To Dai (aquele que segue) os praticantes do Programa Fundamental do Núcleo Méier Thiago Torres e Rodrigo Caputo, numa celebração criteriosamente preparada pela Família Moy Fat Lei.

Retornar à casa da Família Kung Fu de meu Si Hing após onze meses, desde de a de a celebração do encerramento das atividades do ano de 2018, para esse ato me ampliou a admiração que tenho por ele no processo de liderança do processo de transmissão de nosso legado. A primeira impressão que me saltou aos olhos, foi a maneira que aquela simples casa que alugou no Méier para se estabelecer, onde fizemos um churrasco de fim de ano no terraço, nesse curto espaço de tempo foi sendo lapidada até se transformar num belíssimo Mogun (Sala de Guerra) onde a materialização do nosso conceito de atenção cuidadosa pode ser notado em cada detalhe criteriosamente bem cuidado da ambiência objetiva.
Mestre Sênior Julio Camacho explicando ideogramas 

A cerimônia em si expôs elementos claros de como o Mestre Thiago conduz sua família dentro de sua maneira exigente de ser, sem sufocar a espontaneidade dos membros. Dando espaço para o desenvolvimento humano através das possibilidades do  Sistema Ving Tsun para duas pessoas  tão distintas como o sóbrio Thiago Torres e o despojado Rodrigo Caputo, este último que apesar de ser ingressante é praticante de longa data, advindo da Família Jo Lei Ou, mas que optou por ser To Dai do Mestre Thiago Pereira, entrando uma geração mais fundo em nossa arte genealógica, de acordo com as palavras do meu Si Fu que explicou o quanto lhe é benéfico esse movimento de alguém que ainda não se tornou Discípulo optar por entrar na família de um dos seus Discípulos. Minha Si Mo, brindou-nos com palavras precisas através do seu olhar atento aos detalhes destacando as caraterísticas singulares de cada um dos ingressantes, enquanto eu em minha fala pude ressaltar o quanto a Vida Kung Fu pode trazer sintonia relacional em pessoas tão distintas ampliando o potencial das realizações pessoais. Mas como não poderia deixar de ser, Meu Si Fu "roubou
a cena" convidando o recém incorporado membro da Família Moy Fat Lei à desde daquele momento inaugurar o Processo Discipular, em razão da longa relação dele com meu Si Hing, surpreendendo e trazendo muita emoção à todos os presentes.

Após o Ato Cerimonial, a Família Fat Lei organizou uma saborosa refeição no próprio Núcleo Méier promovendo uma ambiência muito aconchegante, para darmos continuidade à programação da noite, onde em cumprimento à Terceira Etapa do Processo Discipular foram entregues os nomes Kung Fu, dos três últimos Discípulos que firmaram o compromisso de relação Vitalícia com o Mestre Thiago. Sendo que a presença de Meu Si Fu trouxe um tom especial para Verônica, Thalles e Wellington, que puderam ouvir uma explicação ampla de cada um dos ideogramas de seus respectivos nomes, de maneira compreenderem melhor a Missão, a Advertência e a Natureza que cada um recebeu nesse dia memorável.

Findando a noite, enquanto retornava para casa, pude refletir o quanto me é inspirador participar de momentos tão vigorosos como esta cerimônia, em ter o oportunidade de apreciar o amadurecimento da robusta família de meu Si Hing sendo conduzida com esmero e dedicação por seu jovem grande líder. Se tornando uma referência de todo potencial de nosso Sistema para toda a Denominação Moy Yat Ving Tsun no mundo, de longe sendo o bem mais precioso que um Si Fu possa possuir, uma preciosidade cujo brilho e fascínio aumenta a cada dia no contínuo e infindável processo de desenvolvimento humano.




segunda-feira, 30 de setembro de 2019

O primeiro da fila.

Pedro Patrick ajudando numa aula no Núcleo Ipanema
Quando me propus ser diretor de um Núcleo da Família do meu Si Fu, o Mestre Sênior Julio Camacho outorgado pela  Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence, por mais que achasse na época ter profundidade o suficiente como Praticante para o desafio de gerenciar uma unidade responsável pela transmissão de nosso legado cultural, com tempo fui caindo na realidade que quanto mais me dedicava em ampliar em conhecimentos, mais notava o quão o meu saber ainda era tão raso e rarefeito.  Por isso dentre inúmeros conselhos que meu Si Fu me passa no cotidiano, especificamente sobre a condução desse processo,  o que me é mais precioso justamente é o de me lembrar sempre em minha ações e colocações que sou um representante dele. Porque dessa maneira tenho como me apoiar onde o chão dessa jornada não me é tão firme. 
Mestre Sênior Julio Camacho recebendo seu novo Discípulo

Foto Tradicional Cerimonial Família Jo Lei Ou 
E o que é ser um representante do Meu Si Fu? Poderia escolher inúmeras maneiras de dizer isso, mas a que opto usar como Linha Central e buscar inspiração  no que temos em comum em nossos Nomes Kung Fu. Foi justamente no ideograma  - "Jo" (Ancestral) , dentro do próprio entendimento de Ancestralidade que meu Si Fu me ensinou, que busco orientar meu trabalho no Núcleo Ipanema. E durante o  77o Ato Cerimonial da Família Jo Lei Ou, ocorrido na data de 24 de Setembro de 2019, o Primeiro Discipulado de um membro oriundo dessa Casa do Clã Jo Lei Ou na Zona Sul do Rio de Janeiro, Pedro Patrick Alvear Espozel, agora também conhecido a partir dessa data pelo seu nome Kung Fu "Moy Ba Tek"-   巴 覿, que se deu um significado prático prático à esse entendimento que resguardar nossa ancestralidade tanto aponta para por honrar aqueles que bravamente construíram essa ponte que nos legou o Sistema Ving Tsun, tanto quanto por zelar por aqueles que no futuro o legarão às gerações vindouras. Pois de acordo com aquilo que entendi das palavras ditas pelo Si Fu durante esse Ato Cerimonial, o que fizermos com excelência pelos que virão a serem inscritos em nossa já rica Árvore Genealógica, produzirá nossos Ancestrais do futuro. 

Si Fu, Si Mo e Patrick atualizando o Painel de Membros
Nesse espírito é com muita orgulho que vejo meu ainda claudicante trabalho tornando aos poucos possível que eu possa cada vez mais me apropriar das características de outro ideograma que recebi de meu Si Fu em meu nome Kung Fu, -"Kat" que pode ser entendido também como honrar. Entretanto jamais deixaria de entender como a sorte no sentido de boa fluência dos fatos, ter conhecido o Jovem Patrick, que devido à sua amizade com meu filho Pedro Henrique levou-o a curiosidade  de conhecer nosso trabalho, graças ao seu interesse por artes marciais despertado por seu falecido pai, Alexandre Espozel, que desde criança o incentivou através do Krav Maga, e do apoio imprescíndivel de sua mãe Ana Cristina Avelar.  Permitindo assim que a união de tantos fatores propícios, mais um importante ciclo se completar graças a confiança de meu Si Fu em apostar naqueles que se dispõe seguirem juntos.


segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Lotus a Cavalo.

Cerimônia tradicional de Discipulado na Família Moy Lim Mah
Neste fim de semana o Rio de Janeiro foi agraciado pelo evento organizado pela Família Kung Fu Moy Lin Mah, liderada pela Mestra Sênior Úrsula Lima, diretora do Núcleo Copacabana, credenciado pela Moy Yat Ving Tsun Marcial Intelligence onde, apoiado na visita Oficial de seu líder, o Grão Mestre Leo Imamura, se realizou importantes atividades práticas para nossa Arte, inclusive um significativo Seminário de Geuk Jong, estudo voltado par se desenvolver a habilidade de deslocamento e chutes, ocorrida no Núcleo do Clã Moy Jo Lei Ou em Ipanema, por ser o único Núcleo da cidade que possui equipamento adequado para tal prática. No Sábado foi realizada uma tripla cerimônia de Discipulado dessa família, comemorando o aniversário de sua emblemática líder, minha querida "tia Kung Fu", na qual o referente termo Si Suk sempre carrega, de minha parte, um carinho muito especial.

Jovem Mestra Úrsula pegando pesado na preparação do Mogun.
Eu conheço minha Si Suk desde 2003 e provavelmente ela não se lembra, mas foi ela quem promoveu a abertura do meu Siu Nim Tau Nível Básico da Fase Estruturada do Sistema Ving Tsun. Após demonstrar a primeira parte da Listagem do Domínio, ela me disse a frase que eu talvez tenha demorado uma década para começar, minimamente, a compreender a relevância: "agora você já tem Kung Fu”.

Dentre este e outros incontáveis momentos vivenciados, uma experiência que muito me marcou logo no início de minha jornada Kung Fu foi apreciar sua dedicação e entrega na organização do evento da primeira visita ao Brasil da Si Taai Po, Madame Helen Moy, como liderança de nossa Denominação após o falecimento de seu esposo e nosso Patriarca Moy Yat. E, como sua imensa capacidade de superação em não perder a firmeza, mesmo tendo errado a sequência de movimentos durante uma apresentação do Biu Ji num evento organizado para praticantes do mundo inteiro aqui no Brasil.


Cerimônia de Discipulado da família Moy Lin Mah .

Lembro-me de quando ainda praticava no Núcleo Tindíba, em Jacarepaguá, que o máximo que conhecia dos níveis mais avançados era ver meus irmãos Kung Fu praticando nosso principal instrumento de combate simbólico conhecido como Chi Sau, um quadro ilustrando a Listagem dos movimentos do Bastão no Domínio Luk Dim Bun Gwan, Nível Intermediário da Fase Semi Estruturada do Sistema e ter visto minha Si Suk encapando a pegada das facas pro seu Si Hing (irmão Kung Fu mais velho), meu Si Fu, que reclamou que ela colocou a fita do mesmo sentido nas duas facas, dizendo-a: “de fato você ainda não entende nada de Baat Jaam Do”. Naquela ocasião o meu Si Fu me deixou o encargo de fechar a porta do Mogun, mas minha Si Suk prontamente me interditou. Na época achei que fosse algum tipo de percepção extra sensorial Kung Fu, por que, de fato, eu estava mal intencionado em descobrir onde estava guardado o par de facas e, por curiosidade, de mexer escondido nelas. Mas com tempo descobri que não se tratava de nada metafísico, apenas mais uma demonstração de sua imensa responsabilidade para com tudo que lhe é confiado.


Mestra Sênior  Úrsula Lima, líder da Família Moy Lin Mah 
A única tristeza que tive em nossa relação foi quando soube que ela escolhera seguir um caminho profissional nada referente ao Kung Fu e de fato senti como uma grande perda para as gerações futuras a falta dessa referência tão marcante. Mas a tristeza durou pouco, para sorte de todos nós que a conhecemos através do Ving Tsun, principalmente na data deste sábado, 21 de Setembro de 2019, quando Fernanda Lima, Heitor Furtado e Vitor Barros se tornaram seus Discípulos no Ato Cerimonial conhecido por Baai Si, que ocorreu numa empolgante Cerimônia Tradicional no salão de jantar do Windsor California Hotel, localizado em frente à praia de Copacabana. Aproveito estas linhas para parabenizá-los pela sábia decisão de vitaliciamente seguirem os passos de sua Si Fu. Dos inúmeros frutos da minha Si Suk não posso deixar de ressaltar a gratidão que tenho por ela ter recebido meus filhos em seu primeiro Núcleo de Copacabana, para praticarem enquanto crianças, com o apoio do meu irmão Kung Fu Guilherme de Farias, cedendo seu Mogun para esses pequenos membros da família do meu Si Fu, o Mestre Sênior Júlio Camacho.


Foto oficial atividade Geuk Jong do Núcleo Copacabana em Ipanema 
Em minhas tantas memórias, gostaria de destacar também a oportunidade que tive de acompanhar meu Si Fu à São Paulo no Conselho de Mestres, onde pude apreciar outra característica marcante de minha Si Suk, a determinação que a faz ser uma pessoa rígida e questionadora que só adere quando compreende plenamente o proposto. Mas a lembrança mais marcante que tenho de tê-la assistido foi, quando numa cerimônia tradicional na Filadélfia, mesmo com respaldo de ser uma Mestra titulada pelo Si Gung, foi colocada à prova toda sua destreza como praticante quando convidada à prática de Chi Sao entre lendárias figuras internacionais de nossa arte, demonstrando sua elegante marcialidade em alto nível de Kung Fu, sem descer do salto alto que calçava.

Na sexta feira, 20 de Setembro de 2019, quando minha Si Suk veio me agradecer por ter cedido o espaço do Núcleo Ipanema para atividade do seu fim de semana de eventos, com a presença do meu Si Gung (Grão Mestre Leo Imamura), meditei sobre o quanto fui eu quem ficou profundamente grato pela presença de sua tão madura Família Kung Fu na organização desse momento e, o quanto isso me serve de incentivo no meu próprio processo de transmissão do Sistema Ving Tsun.
Mestra Sênior Úrsula Lima, Ricardo e a Rebeca 

Hoje vejo minha Si Suk como um exemplo de integridade, de uma pessoa que consegue, com alto nível, integrar ser esposa, cuidar de sua família, ser mãe, ser mulher e ainda ser uma líder de família Kung Fu, tudo de uma maneira que demonstra, exemplarmente, aquilo que sempre ouvi Grão Mestre Leo Imamura, meu Si Gung (avô Kung Fu), dizer sobre o papel de uma liderança efetiva. Talvez a Mestra Sênior Úrsula Lima seja uma das fontes que inspira meu Si Fu, em sua paciente cobrança a seus próprios discípulos, nessa profunda entrega a algo tão maior que nós, de uma maneira tão integral quanto minha querida Si Suk. 

Por fim, gosto de pessoalmente interpretar seu nome Kung Fu como “a resiliente Flor de Lótus” que, com a força e mobilidade do Cavalo, agora brinda o mundo no desafio da internacionalização da sua própria Família, com seu abundante altíssimo nível de Kung Fu, dando muito mais sentido ao conceito de humanidade que tanto pregamos. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O Som do Kung Fu

Mestre Sênior Julio Camacho orientando Vida Kung Fu
O Mestre Sênior Julio Camacho, meu Si Fu e mentor na busca da Vida Kung Fu, já comentou inúmeras vezes durante nossas refeições, que uma mesa de praticantes de Ving Tsun num restaurante, sempre se destaca pela sua sintonia. É muito comum olharmos ao redor para observamos nessas ocasiões e constatarmos como euforia, ou desconexão, ou apatia são manifestações muito comuns entre os demais grupos que sentam juntos durante a ceia. Esse fenômeno me faz sempre refletir o quanto o processo de refino da sintonia nos é tão fundamental para o desenvolvimento humano, e como essa sintonia pode ser apoiada na sonoridade geral de um praticante de alto nível de Kung Fu.

Café da manhã na Sede do Clã Moy Jo Lei Ou na Barra
Dentro da nossa tradição no processo de transmissão do Sistema Ving Tsun, nos é muito comum usarmos a palavra escuta até mesmo na dinâmica gestual da luta, o termo Man Sau 手 (mão que pergunta) é talvez um dos mais usados antes de qualquer ação, seja em função da prática, da gestão, ou mesmo do cotidiano. Meu Si Fu costuma dizer que é muito comum as pessoas buscarem cursos de oratória, mas quase ninguém procura entender a importância da escutatória.  Em nossas atividades de Vida Kung Fu, buscamos a sintonia através do desenvolvimento da capacidade de nos escutarmos numa mesa, enquanto refinamos nossa atenção cuidadosa em cada detalhe, buscando sempre o refinamento do pensamento através do ordenamento adequado na fala, que por consequência resulta nessa sonoridade harmônica de nossa Família Kung Fu, muitas vezes o que notoriamente nos diferencia em relação aos demais frequentadores de um mesmo ambiente. 

 Baat Jaam Do na Barra sobre o
piso de cimento queimado 
Essa valorização da sonoridade resultante da busca pelo refinamento da atenção cuidadosa se manifesta também em nossas práticas corporais através de muitos exemplos. Um deles está em nossa Coleção de Provérbios Marciais Ving Tsun Kuen Kuit, Transcritos em Cantonês nos "Livros de Perda" pelo nosso Patriarca Moy Yat, onde parte de uma fala diz respeito ao bastão fazer apenas um som. O que quer dizer que a precisão do golpe não pode gerar mais mais que um ruído, mesmo tendo outro bastão apontado pra si. Ou como dizia o Patriarca Moy Yat, o único som que se escuta é o urrar do atingido.  Mesmo na prática do Muk Yan Jong, o famoso boneco de madeira do Sistema, a maneira como golpeamos o boneco diz muito respeito ao nível de Kung Fu do praticante. Não é incomum o Si Fu corrigir nossos movimentos nesse instrumento, mesmo quando de costas para nossa ação, simplesmente em razão do som que nossos golpes geram no aparelho. 

Ultimamente tenho estado muito atendo no barulho que os pés geram durante as aulas que ministro no Núcleo Ipanema, e cada vez mais compreendo a escolha do padrão de piso feita pelo Si Fu, inspirada na visita que ele fez ao Monastério Siu Lam 少林 quando esteve na China. O chão do Mogun é outra excelente ferramenta de desenvolvimento de Kung Fu, pois o barulho que cada passo gera denuncia a qualidade de nosso movimentos, nos ensinando como otimizar o enraizamento da base, a capacidade de distribuir peso sobre os pés, resultando numa maior excelência na movimentação marcial. 


A prática do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial, permite ao praticante um aprimoramento progressivo em sua capacidade de se relacionar com o todo, pois nossa busca incessante em ampliar a sensibilidade, nos capacita à respostas mais eficazes para os desafios do dia a dia, nos ajudando na difícil tarefa do desenvolvimento humano através da interação de maneira integra e integrada com o universo. 


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Pés no chão.

Prática na madrugada após um dia de  Imersão de Gest
Meu Si Fu, o mestre Sênior Júlio Camacho da Moy Yat Ving Tsun líder do Clã Moy Jo Lei Ou, sempre reforça que o processo de desenvolvimento pessoal através Sistema Ving Tsun, passa por alinhar o pensamento às ações através da perspectiva Kung Fu. Em termos subjetivos, para uma pessoa como eu, que sempre fui identificado por ter a cabeça nas nuvens, nunca me foi difícil conceituar sobre como o aprendizado das práticas poderia ser aplicado às necessidades do cotidiano. Sou capaz de passar horas pensando no assunto ao ponto de nem perceber o dia passar sem ter colocado nada em pratica, acreditem!
Praticando Chi Sao no Continente Africano em Angola 

Quando iniciei minha jornada no Kung Fu, já fazem bem uns dezessetes anos,  poderia já ter o completado o Sistema se não tivesse passado as horas que mencionei acima apenas refletindo e  tivesse praticado mais, eu verdadeiramente não entendia como as atividades não relacionadas às práticas de combate simbólico potencializavam o desenvolvimento marcial. Devo confessar que era muito estranho pra mim ver meus irmãos Kung Fu se dedicando nos processos do Núcleo, eventos e Família Kung Fu, como forma de aprimoramento pessoal. E sempre tinha uma boa desculpa para sair pela tangente dos convites que me eram feitos. Talvez essa dificuldade de compreensão se traduza um pouco no episódio da narrativa da mesma incompreensão onde recentemente Ismael, membro do Núcleo Ipanema, me disse que foi pesquisar na internet para mostrar à um amigo sobre nossa Instituição, e teve muita dificuldade de encontrar imagens de lutas, pois sempre que pesquisava sobre nós era uma enxurrada de fotos de refeições entre a Família Kung Fu. 

Viagem à Buenos Aires com Meu Si Fu 
E foi justamente minha relutância em mergulhar fundo na Vida Kung Fu, de maneira mais efetiva no processo da relação Si Fu Todai, que tornava a fantasia do Kung Fu algo sempre maior que a realidade do desenvolvimento humano que temos como principal "produto ofertado" por nosso trabalho. Sempre que eu ouvia meu Si Fu falar que Ving Tsun é um negócio tão legal que serve até pra lutar, eu jogava esse conceito muito mais para o campo da imaginação, que para o campo da prática. 

Foto Si-To Luxemburgo 2019






No ano de 2013, finalmente eu aceitei a aposta do meu Si Fu em mim, e aceitei o convite ao Discipulado, devo confessar que na época eu ainda acreditava que quem estava apostando era eu, mas prefiro deixar isso para uma postagem posterior. E em fim entendi que esse processo em si não mudaria nada se o simbólico  não service  como lastro para se impelir ações práticas. Passei me permitir apreciar as nuances da vida Kung Fu, principalmente nas viagens internacionais com meu Si Fu. Processos pesado de imersão numa dimensão de treino que vai muito além da prática de luta, onde a morte simbólica poderia ser apreciada em cada ato de um dia, do deixar uma colher cair no chão num café da manhã, ao quase perder um vôo por deixar meu laptop na sal de embarque. O melhor disso tudo, foi o aprendizado que minhas desculpas plausíveis como cansaço, problemas distantes, ansiedades e frustrações, se tornavam cada vez mais inverídicas para mim mesmo. 

Imersão de Gestão Kung Fu, Setembro de 2019
Hoje como profissional de Ving Tsun, algo que jamais haveria pensado na vida, meu olhar de dentro desse processo me faz perceber o quanto a ilusão do Kung Fu é distante da prática em si, nessa minha proposta em buscar desenvolvimento através de alcançar a excelência em cada gesto. Sei que ainda estou muito distante daquilo que enxergo como possível, e que talvez jamais alcance o que observo nos notórios exemplos que conheci dentro da Denominação Moy Yat Ving Tsun, mas uma coisa eu tenho certeza hoje, não vai ser viajando na maionese que chego lá,. Então peço licença aos que estão lendo, que tenho que pôr as mãos à obra aqui. 


quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Eternas memórias de momentos efêmeros.

 Dia 23 de Maio de 2019 foi um desses momentos em que achei crueldade o tempo não permitir se congelar.

Durante o primeiro evento do Instrumento Estratégico do Clã Moy Jo Lei Ou denominado Efemérides da vida Kung Fu, pude vivenciar na presença de meu Si Fu Julio Camacho, minha Si Mo Márcia Moura e meus preciosas irmãos Kung Fu que compõe nossa diversa família, momentos preciosos de se reviver um passado do qual não participei. O tema que inauguraria esse Instrumento não poderia ser outro que a Cerimônia de Discipulado de nosso próprio Si Fu.

Ficou ao encargo de se narrar sobre o evento que inscreveu o nome Moy Jo Lei Ou na Árvore Genealógica do Sistema Ving Tsun eu, o diretor do Núcleo Barra André Almeida, e meus Si Hing Roberto Vianna e Cris Chaves. Uma tarefa bem complexa, falarmos sobre algo que nenhum de nós presenciou, usando apenas a nossa percepção extraída do convívio com o nosso próprio Si Fu.

Eu tentei pesquisar sobre o assunto durante o dia na Internet, para poder buscar em algum registro algo que pudesse apoiar minha fala, mas de tudo que lia, nada traduzia o que agradasse minha intuição. No caminho do Núcleo Barra, abri a foto do evento e fiquei buscando nela detalhes que me inspirassem nessa missão Kung Fu quase esotérica, quem sabe algum sopro do além me ajudasse na missão. Nesse momento me dei conta que dado à posição da foto tirada após  momento em que o Si Fu fazia as três reverências cerimonias de seu Baai Si de joelhos, no exato instante em que ele servia o chá para meu Si Taai Gung Moy Yat, por opção de seu próprio Si Fu Leo Imamura, me veio uma imensa de curiosidade de poder ver a expressão do meu Si Fu. Essa curiosidade me despertou inúmeras memórias do olhar dele nas tantas cerimônias discipulares que participei em nossa família. Algo que sempre me chamou muita atenção, pois nessas ocasiões, justamente sempre houve a manifestação de uma expressão ímpar de sentimentos inalcançáveis para quem nunca vivenciou tal momento de sua posição.

Durante esse evento, o Si Fu narrou uma série de histórias engraçadas, talvez na intenção  de desmistificar a perspectiva exagerada que seus To Dai nutrem à respeito de suas incríveis habilidades como Mestre e Discípulo, assim como de  praticante e ser humano. Não sei o que falar sobre  o impacto de conhecer as tantas gafes que meu Si Fu cometeu nos meus irmãos Kung Fu, mas garantidamente em mim, só me fez crescer a admiração de como um jovem comum, com todas suas dificuldades e limitações, conseguiu se tornar um exemplo dentro e fora da Denominação Moy Yat Ving Tsun em excelência e dedicação ao que se propõe.

Como nada em nas atividades de nossa família pode terminar em si, na sequência fomos brindados com mais uma emocionante Cerimônia de Passagem de Nível do meu Si Dai Thales Guimarães, que em seu acesso ao Domínio Biu Je, nos emocionou à todos com seu relato de como o Ving Tsun lhe possibilitou se tornar um médico tão conectado aos seus pacientes ao ponto de ser o único ter nota máxima na avaliação de relações interpessoais em seu mestrado numa das mais conceituadas instituições do mundo nos Estado Unidos.

Tais momentos, que guardo com tanto apreço em minha memória são de de natureza tão intensa, só me atestam cada vez mais a importância que meu Si Fu dá à longevidade das relações, pois apenas longos períodos de convívio nos permitem eternizar grandes passagens de nossa vida tão curta.