segunda-feira, 25 de maio de 2020

A guarda, a "escuta" e o zelo.

O Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial nos ensina desenvolver dentre muitas habilidades, a capacidade de conectar conceitos que num primeiro olhar superficial parecem distantes entre si. Através da prática dos dispositivos corporais de combate simbólico, dentro da vivência da Relação Discipular no âmbito de uma Família Kung Fu, aprendemos sintonizar do todo para parte de maneira usarmos o relaxamento como uma ferramenta de ampliar nosso potencial de extrair benefício de qualquer situação sem nos vitimarmos das circunstâncias que estas se apresentam.

Quando se chega ao Nível Superior Final da Fase Semi-Estruturada ( Baat Jaam Do), Domínio que explora a natureza da síntese de toda riqueza da experiência de um praticante em sua jornada pelo desenvolvimento de seu Kung Fu através de nossa Arte, percebemos que a tênue linha entre a vida e morte, simbólica ou real, está profundamente ligada à nossa capacidade de se manter de maneira plena em estado constante de guarda. A guarda, muito além de uma posição de combate defensiva, se estabelece na capacidade de se manter  em condição ofensiva contínua e permanente. Lidar com com maestria com as famosas Facas de Oito Cortes (Ving Tsun Do), exige do praticante uma capacidade de leitura do cenário dinâmica, de forma que qualquer desvio de atenção pode custar caro.  E nesse aspecto, a Vida Kung Fu é a ferramenta perfeita para se alinhar o pensamento à ação, através dos fluência das experiências da relação Mestre-Discípulo ( Si Fu-Todai). 

A "escuta" como ferramenta de Desenvolvimento Pessoal dentro da perspectiva Marcial, é uma das habilidades mais importantes que um praticante de Ving Tsun precisa desenvolver para apreciar as nuances desse Sistema. A capacidade de não ser meramente reativo nem de maneira desordenada, muito menos de maneira adestrada, é em si um dos grandes diferenciais ofertado pela maneira como nossa a Família Moy Jo Lei Ou liderada pelo Mestre Sênior Julio Camacho transmite nosso Legado. Meu Si Fu costuma dizer que infelizmente é muito comum as pessoas procurarem por cursos de oratória, quando deveriam procurar por aulas de "escutatória", por justamente não compreenderem como o poder de observar da maneira mais plena possível é fundamental para um tomada de decisão eficaz. 

A prática de tomar nosso Si Fu como alvo referencial para o Zelo, nos capacita mergulhar cada vez mais dentro de nossa própria maneira de aprender zelar por nós mesmos e pelos nosso próprios valores, e lidar com armas letais com o Ving Tsun Do no mais alto nível de Kung Fu, nos faz compreender o quanto o a atenção cuidadosa é fundamental para tudo que diz respeito à sobrevivência.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Contos de fadas da vida Kung Fu.

O ano de 2019 encerrou-se com requinte e esplendor para o Clã Moy Jo Lei Ou. O evento de Celebração dos Cinquenta Anos do Mestre Sênior Julio Camacho, onde oportunamente celebrou-se o não menos importante  Casamento Kung Fu dele com a Líder do Clã,  Márcia Moura,  brindou à todos que participaram com um cerimonial cujo termo mais adequado para se resumir seja a palavra emocionante.

A incansável Carmem Maris atenta à todos os detalhes 
Com a presença da Liderança do Grande Clã Moy Yat, o Grão Mestre Leo Imamura, e de líderes das Famílias Kung Fu de todo país. As festividades ocorridas começaram pontualmente, um perfeito sincronismo com a programação do evento. Ajudar receber os convidados direcionando-os às suas respectivas mesas, me trouxe o privilégio de colher de cada pessoa que chegava as impressões iniciais de cada um. E com isso foi sendo contagiado pelos mais variados sentimentos positivos que cada um trazia consigo em poder estar ali naquela dia prestigiando meu Mestre e sua tão influente companheira, minha Si Mo. Que apesar de tão pouco tempo em contato com a Dimensão Kung Fu de nossa Denominação, esbanja através de sua sintonia refinada e sua sensibilidade aguçada, uma contagiante influência que nos faz seguro de termos uma grande líder ao lado de nosso experiente Si Fu.

O mago Issao Imamura
Obviamente que não poderia deixar de fazer uma menção de gratidão à minha queria Si Mui (Irmã Kung fu mais nova) Carmen Maris, que também apesar de bem menos tempo em contato com nosso Universo Kung Fu, vem demonstrando com sobras sua imensa capacidade de Zelar pelo Clã, sendo a principal responsável dessa impecável noite memorável. Isso me deixa particularmente muito empolgado em atestar como quanto maior a presença feminina afeta positivamente nós que somos legatários do Sistema Ving Tsun, justamente uma Arte fundada por uma mulher, mas que pela própria natureza Marcial num mundo sempre tão dominado por homens teve, e tem até hoje tão poucas lideranças mulheres
em destaque.

O Casamento Kung Fu que se deu durante essa celebração, trouxe à noite um majestoso momento onde todo peso de se unir com a mesma relevância simbólica, as famílias de origem e de Kung Fu num mesmo plano, com os antepassados da Arte e de Sangue, com os não presentes por razão de falecimento tendo seu local de destaque, me tocou de uma maneira que dentre vários sentimentos que pude identificar, o de gratidão por pertencer à esse fantástico grupo de pessoas cujo o propósito de se transmitir o amor através da ação, me ajudou reforçar o quanto estou no caminho certo em ser mais um que os segue.

Foto Oficial de uma primorosa Cerimônia 
Após a celebração e durante o jantar, nada melhor que numa noite tão carregada da magia de sentimentos tão nobres ser contemplada com um espetacular show de magia de um dos maiores mágicos do país, o mestre do ilusionismo Issao Imamura, que através de seus troques com um corda, conseguiu dar o exato tom do quanto os laços que uniam à todos ali presentes eram fundamentais para cada um de nós pudesse extrair daquele momentos o exemplo e inspiração necessários para tornar nosso entorno um lugar melhor, com pessoas com foco no desenvolvimento humano, em um mundo com mais Kung Fu.


quinta-feira, 7 de novembro de 2019

O zelo está no ar!

Na data de Sete de Dezembro de 2019 teremos o evento mais importante do Calendário Oficial do Clã Moy Jo Lei Ou. Uma celebração ímpar por juntar vários elementos que não podemos deixar de ressaltar tais como a celebração dos Cinquenta anos do natalício do Mestre Sênior Julio Camacho, numa festa que além além de registrar o último ano antes de sua mudança para os Estados Unidos, terá um toque mais que especial em razão do Casamento Kung Fu dele com a Co-líder de nosso Clã, Sra. Márcia Moura, conduzido pelo Grão Mestre Leo Imamura e a Co-líder do Grande Clã Moy Yat Sang, Sra. Vanise Imamura.


O evento, uma oportunidade de todos nós membros regulares e vitalícios do Clã temos para nos colocarmos em prática todo nosso Kung Fu, em sintonia com todo empenho que nossas lideranças desempenham cotidianamente no processo de transmissão de nosso precioso legado, no grande desafio de organizarmos através de nossa dedicação momentos especiais dignos de nossa Denominação.

Me lembro nitidamente que o primeiro evento que significativamente me marcou em razão da compreensão de fazer dessas datas poderosos instrumentos de desenvolvimento coletivo de Kung Fu, foi a titulação do nosso próprio Si Fu, em Atibaia em 15 de Março de 2003  onde meu Si Gung, o Grão Mestre Leo Imamura dispôs de usar de seu aniversário para que se promovesse um ousado e inesquecível evento que reuniu seiscentas pessoas. Numa demonstração de toda capacidade organizacional que temos quando nos dispomos colocar em prática o que desenvolvemos em função do Zelo. 

Nesse mesmo espírito de produzirmos algo que marque toda uma geração de praticantes do Sistema Ving Tsun, eu como Décimo Sexto Discípulo da Família Jo Lei Ou, convido a todos a refletir o tamanho importância de adesão à esse evento, no intuito de honrar nossa ancestralidade, como grande Signo que carregamos no Nome Kung Fu de nosso Clã.

Como escreveu hoje em nosso Grupo de Comunicados o Dai Si Hing de nossa Família Leo Reis: "Faltam apenas 30 dias para evento de celebração dos 50 anos do Si Fu e de seu casamento com a Si Mo e a Carmen está a frente da organização desse evento histórico e é fundamental termos nesse momento as inscrições formalmente confirmadas." Assim como também ressaltou nosso Si Hing Thiago Pereira, Discípulo Número Dois de nosso Si Fu em seu seu Vídeo:


Então confirme ainda hoje sua inscrição apoiando todos que estão profundamente envolvidos nesse evento através do link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfKO4JtKw1I2KQwWmBlV0FM8f_gZgsS1uFpfmt2pBnzcEndOg/viewform

- Via Transferência:  Caixa Econômica Federal - Ag. 3147 C.Poupança 01300024649-5, em nome de Guilherme de Farias, CPF 123651597-88 (enviar comprovante para ele via WhatsApp...)

Portanto vamos aproveitar todo o potencial desse excelente momento para pormos em prática a máxima que Patriarca Moy Yat nos transmitiu ao nos ensinar que "o zelo é o amor em movimento"!








quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A Jóia do Meier.

Si Fu, Si Mo e meu SI Hing no Sam Toi do Núcleo Méier
Dia  01 de Outubro de 2019, data que por sinal tem profundo significado para praticantes do Sistema Ving Tsun no mundo todo em razão de também ser celebrado o natalício do Patriarca Ip Man, foi realizada na Rua Gustavo Gama, 25 no Bairro Méier, na cidade do Rio de Janeiro, a CX Cerimônia Tradicional do Clã Moy Jo Lei Ou e 17o Ato Cerimonial da Família Moy Fat Lei. Onde tive a honra de ter sido convidado como Testemunha Formal pelo meu Si Hing ( irmão kung fu mais velho ) Mestre Thiago Pereira.



Vitor e Claudio Teixeira como Testemunhas Formais 
A cerimônia teve a presença do meu Si Fu, o Mestre Sênior Julio Camacho, e de minha Si Mo, sua esposa Márcia Moura, Co-líder do Clã Moy Jo lei Ou, onde foram admitidos à Família do meu Si Hing Thiago Pereira como novos To Dai (aquele que segue) os praticantes do Programa Fundamental do Núcleo Méier Thiago Torres e Rodrigo Caputo, numa celebração criteriosamente preparada pela Família Moy Fat Lei.

Retornar à casa da Família Kung Fu de meu Si Hing após onze meses, desde de a de a celebração do encerramento das atividades do ano de 2018, para esse ato me ampliou a admiração que tenho por ele no processo de liderança do processo de transmissão de nosso legado. A primeira impressão que me saltou aos olhos, foi a maneira que aquela simples casa que alugou no Méier para se estabelecer, onde fizemos um churrasco de fim de ano no terraço, nesse curto espaço de tempo foi sendo lapidada até se transformar num belíssimo Mogun (Sala de Guerra) onde a materialização do nosso conceito de atenção cuidadosa pode ser notado em cada detalhe criteriosamente bem cuidado da ambiência objetiva.
Mestre Sênior Julio Camacho explicando ideogramas 

A cerimônia em si expôs elementos claros de como o Mestre Thiago conduz sua família dentro de sua maneira exigente de ser, sem sufocar a espontaneidade dos membros. Dando espaço para o desenvolvimento humano através das possibilidades do  Sistema Ving Tsun para duas pessoas  tão distintas como o sóbrio Thiago Torres e o despojado Rodrigo Caputo, este último que apesar de ser ingressante é praticante de longa data, advindo da Família Jo Lei Ou, mas que optou por ser To Dai do Mestre Thiago Pereira, entrando uma geração mais fundo em nossa arte genealógica, de acordo com as palavras do meu Si Fu que explicou o quanto lhe é benéfico esse movimento de alguém que ainda não se tornou Discípulo optar por entrar na família de um dos seus Discípulos. Minha Si Mo, brindou-nos com palavras precisas através do seu olhar atento aos detalhes destacando as caraterísticas singulares de cada um dos ingressantes, enquanto eu em minha fala pude ressaltar o quanto a Vida Kung Fu pode trazer sintonia relacional em pessoas tão distintas ampliando o potencial das realizações pessoais. Mas como não poderia deixar de ser, Meu Si Fu "roubou
a cena" convidando o recém incorporado membro da Família Moy Fat Lei à desde daquele momento inaugurar o Processo Discipular, em razão da longa relação dele com meu Si Hing, surpreendendo e trazendo muita emoção à todos os presentes.

Após o Ato Cerimonial, a Família Fat Lei organizou uma saborosa refeição no próprio Núcleo Méier promovendo uma ambiência muito aconchegante, para darmos continuidade à programação da noite, onde em cumprimento à Terceira Etapa do Processo Discipular foram entregues os nomes Kung Fu, dos três últimos Discípulos que firmaram o compromisso de relação Vitalícia com o Mestre Thiago. Sendo que a presença de Meu Si Fu trouxe um tom especial para Verônica, Thalles e Wellington, que puderam ouvir uma explicação ampla de cada um dos ideogramas de seus respectivos nomes, de maneira compreenderem melhor a Missão, a Advertência e a Natureza que cada um recebeu nesse dia memorável.

Findando a noite, enquanto retornava para casa, pude refletir o quanto me é inspirador participar de momentos tão vigorosos como esta cerimônia, em ter o oportunidade de apreciar o amadurecimento da robusta família de meu Si Hing sendo conduzida com esmero e dedicação por seu jovem grande líder. Se tornando uma referência de todo potencial de nosso Sistema para toda a Denominação Moy Yat Ving Tsun no mundo, de longe sendo o bem mais precioso que um Si Fu possa possuir, uma preciosidade cujo brilho e fascínio aumenta a cada dia no contínuo e infindável processo de desenvolvimento humano.




segunda-feira, 30 de setembro de 2019

O primeiro da fila.

Pedro Patrick ajudando numa aula no Núcleo Ipanema
Quando me propus ser diretor de um Núcleo da Família do meu Si Fu, o Mestre Sênior Julio Camacho outorgado pela  Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence, por mais que achasse na época ter profundidade o suficiente como Praticante para o desafio de gerenciar uma unidade responsável pela transmissão de nosso legado cultural, com tempo fui caindo na realidade que quanto mais me dedicava em ampliar em conhecimentos, mais notava o quão o meu saber ainda era tão raso e rarefeito.  Por isso dentre inúmeros conselhos que meu Si Fu me passa no cotidiano, especificamente sobre a condução desse processo,  o que me é mais precioso justamente é o de me lembrar sempre em minha ações e colocações que sou um representante dele. Porque dessa maneira tenho como me apoiar onde o chão dessa jornada não me é tão firme. 
Mestre Sênior Julio Camacho recebendo seu novo Discípulo

Foto Tradicional Cerimonial Família Jo Lei Ou 
E o que é ser um representante do Meu Si Fu? Poderia escolher inúmeras maneiras de dizer isso, mas a que opto usar como Linha Central e buscar inspiração  no que temos em comum em nossos Nomes Kung Fu. Foi justamente no ideograma  - "Jo" (Ancestral) , dentro do próprio entendimento de Ancestralidade que meu Si Fu me ensinou, que busco orientar meu trabalho no Núcleo Ipanema. E durante o  77o Ato Cerimonial da Família Jo Lei Ou, ocorrido na data de 24 de Setembro de 2019, o Primeiro Discipulado de um membro oriundo dessa Casa do Clã Jo Lei Ou na Zona Sul do Rio de Janeiro, Pedro Patrick Alvear Espozel, agora também conhecido a partir dessa data pelo seu nome Kung Fu "Moy Ba Tek"-   巴 覿, que se deu um significado prático prático à esse entendimento que resguardar nossa ancestralidade tanto aponta para por honrar aqueles que bravamente construíram essa ponte que nos legou o Sistema Ving Tsun, tanto quanto por zelar por aqueles que no futuro o legarão às gerações vindouras. Pois de acordo com aquilo que entendi das palavras ditas pelo Si Fu durante esse Ato Cerimonial, o que fizermos com excelência pelos que virão a serem inscritos em nossa já rica Árvore Genealógica, produzirá nossos Ancestrais do futuro. 

Si Fu, Si Mo e Patrick atualizando o Painel de Membros
Nesse espírito é com muita orgulho que vejo meu ainda claudicante trabalho tornando aos poucos possível que eu possa cada vez mais me apropriar das características de outro ideograma que recebi de meu Si Fu em meu nome Kung Fu, -"Kat" que pode ser entendido também como honrar. Entretanto jamais deixaria de entender como a sorte no sentido de boa fluência dos fatos, ter conhecido o Jovem Patrick, que devido à sua amizade com meu filho Pedro Henrique levou-o a curiosidade  de conhecer nosso trabalho, graças ao seu interesse por artes marciais despertado por seu falecido pai, Alexandre Espozel, que desde criança o incentivou através do Krav Maga, e do apoio imprescíndivel de sua mãe Ana Cristina Avelar.  Permitindo assim que a união de tantos fatores propícios, mais um importante ciclo se completar graças a confiança de meu Si Fu em apostar naqueles que se dispõe seguirem juntos.


segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Lotus a Cavalo.

Cerimônia tradicional de Discipulado na Família Moy Lim Mah
Neste fim de semana o Rio de Janeiro foi agraciado pelo evento organizado pela Família Kung Fu Moy Lin Mah, liderada pela Mestra Sênior Úrsula Lima, diretora do Núcleo Copacabana, credenciado pela Moy Yat Ving Tsun Marcial Intelligence onde, apoiado na visita Oficial de seu líder, o Grão Mestre Leo Imamura, se realizou importantes atividades práticas para nossa Arte, inclusive um significativo Seminário de Geuk Jong, estudo voltado par se desenvolver a habilidade de deslocamento e chutes, ocorrida no Núcleo do Clã Moy Jo Lei Ou em Ipanema, por ser o único Núcleo da cidade que possui equipamento adequado para tal prática. No Sábado foi realizada uma tripla cerimônia de Discipulado dessa família, comemorando o aniversário de sua emblemática líder, minha querida "tia Kung Fu", na qual o referente termo Si Suk sempre carrega, de minha parte, um carinho muito especial.

Jovem Mestra Úrsula pegando pesado na preparação do Mogun.
Eu conheço minha Si Suk desde 2003 e provavelmente ela não se lembra, mas foi ela quem promoveu a abertura do meu Siu Nim Tau Nível Básico da Fase Estruturada do Sistema Ving Tsun. Após demonstrar a primeira parte da Listagem do Domínio, ela me disse a frase que eu talvez tenha demorado uma década para começar, minimamente, a compreender a relevância: "agora você já tem Kung Fu”.

Dentre este e outros incontáveis momentos vivenciados, uma experiência que muito me marcou logo no início de minha jornada Kung Fu foi apreciar sua dedicação e entrega na organização do evento da primeira visita ao Brasil da Si Taai Po, Madame Helen Moy, como liderança de nossa Denominação após o falecimento de seu esposo e nosso Patriarca Moy Yat. E, como sua imensa capacidade de superação em não perder a firmeza, mesmo tendo errado a sequência de movimentos durante uma apresentação do Biu Ji num evento organizado para praticantes do mundo inteiro aqui no Brasil.


Cerimônia de Discipulado da família Moy Lin Mah .

Lembro-me de quando ainda praticava no Núcleo Tindíba, em Jacarepaguá, que o máximo que conhecia dos níveis mais avançados era ver meus irmãos Kung Fu praticando nosso principal instrumento de combate simbólico conhecido como Chi Sau, um quadro ilustrando a Listagem dos movimentos do Bastão no Domínio Luk Dim Bun Gwan, Nível Intermediário da Fase Semi Estruturada do Sistema e ter visto minha Si Suk encapando a pegada das facas pro seu Si Hing (irmão Kung Fu mais velho), meu Si Fu, que reclamou que ela colocou a fita do mesmo sentido nas duas facas, dizendo-a: “de fato você ainda não entende nada de Baat Jaam Do”. Naquela ocasião o meu Si Fu me deixou o encargo de fechar a porta do Mogun, mas minha Si Suk prontamente me interditou. Na época achei que fosse algum tipo de percepção extra sensorial Kung Fu, por que, de fato, eu estava mal intencionado em descobrir onde estava guardado o par de facas e, por curiosidade, de mexer escondido nelas. Mas com tempo descobri que não se tratava de nada metafísico, apenas mais uma demonstração de sua imensa responsabilidade para com tudo que lhe é confiado.


Mestra Sênior  Úrsula Lima, líder da Família Moy Lin Mah 
A única tristeza que tive em nossa relação foi quando soube que ela escolhera seguir um caminho profissional nada referente ao Kung Fu e de fato senti como uma grande perda para as gerações futuras a falta dessa referência tão marcante. Mas a tristeza durou pouco, para sorte de todos nós que a conhecemos através do Ving Tsun, principalmente na data deste sábado, 21 de Setembro de 2019, quando Fernanda Lima, Heitor Furtado e Vitor Barros se tornaram seus Discípulos no Ato Cerimonial conhecido por Baai Si, que ocorreu numa empolgante Cerimônia Tradicional no salão de jantar do Windsor California Hotel, localizado em frente à praia de Copacabana. Aproveito estas linhas para parabenizá-los pela sábia decisão de vitaliciamente seguirem os passos de sua Si Fu. Dos inúmeros frutos da minha Si Suk não posso deixar de ressaltar a gratidão que tenho por ela ter recebido meus filhos em seu primeiro Núcleo de Copacabana, para praticarem enquanto crianças, com o apoio do meu irmão Kung Fu Guilherme de Farias, cedendo seu Mogun para esses pequenos membros da família do meu Si Fu, o Mestre Sênior Júlio Camacho.


Foto oficial atividade Geuk Jong do Núcleo Copacabana em Ipanema 
Em minhas tantas memórias, gostaria de destacar também a oportunidade que tive de acompanhar meu Si Fu à São Paulo no Conselho de Mestres, onde pude apreciar outra característica marcante de minha Si Suk, a determinação que a faz ser uma pessoa rígida e questionadora que só adere quando compreende plenamente o proposto. Mas a lembrança mais marcante que tenho de tê-la assistido foi, quando numa cerimônia tradicional na Filadélfia, mesmo com respaldo de ser uma Mestra titulada pelo Si Gung, foi colocada à prova toda sua destreza como praticante quando convidada à prática de Chi Sao entre lendárias figuras internacionais de nossa arte, demonstrando sua elegante marcialidade em alto nível de Kung Fu, sem descer do salto alto que calçava.

Na sexta feira, 20 de Setembro de 2019, quando minha Si Suk veio me agradecer por ter cedido o espaço do Núcleo Ipanema para atividade do seu fim de semana de eventos, com a presença do meu Si Gung (Grão Mestre Leo Imamura), meditei sobre o quanto fui eu quem ficou profundamente grato pela presença de sua tão madura Família Kung Fu na organização desse momento e, o quanto isso me serve de incentivo no meu próprio processo de transmissão do Sistema Ving Tsun.
Mestra Sênior Úrsula Lima, Ricardo e a Rebeca 

Hoje vejo minha Si Suk como um exemplo de integridade, de uma pessoa que consegue, com alto nível, integrar ser esposa, cuidar de sua família, ser mãe, ser mulher e ainda ser uma líder de família Kung Fu, tudo de uma maneira que demonstra, exemplarmente, aquilo que sempre ouvi Grão Mestre Leo Imamura, meu Si Gung (avô Kung Fu), dizer sobre o papel de uma liderança efetiva. Talvez a Mestra Sênior Úrsula Lima seja uma das fontes que inspira meu Si Fu, em sua paciente cobrança a seus próprios discípulos, nessa profunda entrega a algo tão maior que nós, de uma maneira tão integral quanto minha querida Si Suk. 

Por fim, gosto de pessoalmente interpretar seu nome Kung Fu como “a resiliente Flor de Lótus” que, com a força e mobilidade do Cavalo, agora brinda o mundo no desafio da internacionalização da sua própria Família, com seu abundante altíssimo nível de Kung Fu, dando muito mais sentido ao conceito de humanidade que tanto pregamos. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O Som do Kung Fu

Mestre Sênior Julio Camacho orientando Vida Kung Fu
O Mestre Sênior Julio Camacho, meu Si Fu e mentor na busca da Vida Kung Fu, já comentou inúmeras vezes durante nossas refeições, que uma mesa de praticantes de Ving Tsun num restaurante, sempre se destaca pela sua sintonia. É muito comum olharmos ao redor para observamos nessas ocasiões e constatarmos como euforia, ou desconexão, ou apatia são manifestações muito comuns entre os demais grupos que sentam juntos durante a ceia. Esse fenômeno me faz sempre refletir o quanto o processo de refino da sintonia nos é tão fundamental para o desenvolvimento humano, e como essa sintonia pode ser apoiada na sonoridade geral de um praticante de alto nível de Kung Fu.

Café da manhã na Sede do Clã Moy Jo Lei Ou na Barra
Dentro da nossa tradição no processo de transmissão do Sistema Ving Tsun, nos é muito comum usarmos a palavra escuta até mesmo na dinâmica gestual da luta, o termo Man Sau 手 (mão que pergunta) é talvez um dos mais usados antes de qualquer ação, seja em função da prática, da gestão, ou mesmo do cotidiano. Meu Si Fu costuma dizer que é muito comum as pessoas buscarem cursos de oratória, mas quase ninguém procura entender a importância da escutatória.  Em nossas atividades de Vida Kung Fu, buscamos a sintonia através do desenvolvimento da capacidade de nos escutarmos numa mesa, enquanto refinamos nossa atenção cuidadosa em cada detalhe, buscando sempre o refinamento do pensamento através do ordenamento adequado na fala, que por consequência resulta nessa sonoridade harmônica de nossa Família Kung Fu, muitas vezes o que notoriamente nos diferencia em relação aos demais frequentadores de um mesmo ambiente. 

 Baat Jaam Do na Barra sobre o
piso de cimento queimado 
Essa valorização da sonoridade resultante da busca pelo refinamento da atenção cuidadosa se manifesta também em nossas práticas corporais através de muitos exemplos. Um deles está em nossa Coleção de Provérbios Marciais Ving Tsun Kuen Kuit, Transcritos em Cantonês nos "Livros de Perda" pelo nosso Patriarca Moy Yat, onde parte de uma fala diz respeito ao bastão fazer apenas um som. O que quer dizer que a precisão do golpe não pode gerar mais mais que um ruído, mesmo tendo outro bastão apontado pra si. Ou como dizia o Patriarca Moy Yat, o único som que se escuta é o urrar do atingido.  Mesmo na prática do Muk Yan Jong, o famoso boneco de madeira do Sistema, a maneira como golpeamos o boneco diz muito respeito ao nível de Kung Fu do praticante. Não é incomum o Si Fu corrigir nossos movimentos nesse instrumento, mesmo quando de costas para nossa ação, simplesmente em razão do som que nossos golpes geram no aparelho. 

Ultimamente tenho estado muito atendo no barulho que os pés geram durante as aulas que ministro no Núcleo Ipanema, e cada vez mais compreendo a escolha do padrão de piso feita pelo Si Fu, inspirada na visita que ele fez ao Monastério Siu Lam 少林 quando esteve na China. O chão do Mogun é outra excelente ferramenta de desenvolvimento de Kung Fu, pois o barulho que cada passo gera denuncia a qualidade de nosso movimentos, nos ensinando como otimizar o enraizamento da base, a capacidade de distribuir peso sobre os pés, resultando numa maior excelência na movimentação marcial. 


A prática do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial, permite ao praticante um aprimoramento progressivo em sua capacidade de se relacionar com o todo, pois nossa busca incessante em ampliar a sensibilidade, nos capacita à respostas mais eficazes para os desafios do dia a dia, nos ajudando na difícil tarefa do desenvolvimento humano através da interação de maneira integra e integrada com o universo.