sexta-feira, 26 de maio de 2023

O dia em que a Terra parou

Olá, sou Claudio Teixeira, Discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho a quem passarei me referir por Si Fu (Mestre e Líder de Família Kung Fu) nesse texto. E hoje celebrando o recomeço dos meus artigos nesse Blog, começo parafraseando o cantor e poeta Cazuza, que marcou minha adolescência, trazendo  um museu de grandes novidades para vocês que, caso se disponham ler-me até o fim. Caso não, depois não me venham reclamar que não foram avisados. 

Antes de ir ao ponto, gostaria de explicar que não inspirei na música do também grande e saudoso Raul Seixas, e antes que me chamem de idoso dado as referências musicais, saliento que este também grande ícone de nossa cultura,  fez parte de uma geração anterior a minha. Aproveito para avisar que nunca tive a ousadia de importunar profissionais e amadores que tocam pelos bailes da vida pedir uma música dele, mais por acanhamento que por educação mesmo.
Ao fundo Mestre Sênior Julio Camacho e seu Discípulo 
Claudio Teixeira 26/05/23 Recreio dos Bandeirantes 

 Na verdade tirei esse título de uma pequena passagem do filme de 2008: "O Dia Em Que A Terra Parou", único longa onde um papel interpretado por Keanu Reeves causou mais estragos que ao interpretar John Week sendo contrariado.  A passagem em questão trata-se de quando o pequeno órfão Jacon Banson  (Jaden Smith), implora ao extra terrestre Klaatu (Keanu Reeves) após arrastá-lo até um cemitério que ressuscite seu falecido pai há muito enterrado, como fizera instantes antes com um policial atacado pelo próprio E.T. Klaatu, que explica ao garoto ser impossível repetir o fato, dado que obviamente o corpo de seu pai já fora decomposto, explicando ao menino algo que sempre me recordo toda vez que qualquer ciclo se encerra afirmando que o universo não desperdiça nada. 

Explicando o porquê trouxe essa memória para este texto, primeiro devo admitir que ao contrário do universo, este que vos escreve tem por péssimo habito desperdiçar muitas coisas, principalmente tempo, não só o meu, mas o de vocês também,  como podem constatar na introdução acima. Mas hoje me permiti quebrar esse ciclo e aproveitar ao máximo cada instante que pude, num significativo Momento de Vida Kung Fu com meu Si Fu, durante uma agradável manhã de sexta-feira no Recreio dos Bandeirantes, onde ele se encontra em sua curta estadia no Rio de Janeiro cumprindo sua apertada agenda na primeira Visita Oficial de 2023, antes que retorne à Flórida onde reside. Em nossa longa e honesta conversa, pude ousar me despir das últimas vaidades que sempre interferiram me nossa relação, em busca de um salto qualitativo no aproveitamento de minha missão discipular, colocando em pauta questões pessoais onde sempre tropecei em minha jornada em busca da inefável excelência Kung Fu nessas nossas duas décadas de convívio. 
Cerimônia Tradicional do Clã Moy Jo Lei Ou
dirigida pelo Mestre Sênior Julio Camacho
24/05/23

E ainda tivemos tempo para tratar das supramencionadas novidades planejadas pelo meu Si Fu para o Futuro do Instituto Julio Camacho, que do alto de sua maturidade Kung Fu, rascunhou-me um pouco da sua inovadora e ousada  maneira de redesenhar todo o modelo que deseja para a Família que carrega seu nome Kung Fu Moy Jo Lei Ou. Propondo uma forma de atuação que traduz toda sua capacidade de renovar com simplicidade e respeito à Tradição e ao nosso Legado. Mesmo diante de tanto tempo o seguindo, me surpreendi bastante em suas propostas. Se bem que ser surpreendido pelo meu Si Fu já virou um hábito de longa data.  E por falar em hábitos, antes de encerrar, gostaria de ressaltar de como seu trabalho como Mentor, Tutor e Mestre cada dia me faz perceber como sua capacidade de usar o Kung Fu evolui no que tange me apoiar como discípulo em trabalhar na mudança de tantos hábitos meus nocivos à mim mesmo, lapidando-me arestas que muitas sequer consigo enxergar nas minha própria maneira de agir. Isso apenas reforça que seguir junto é fundamental para um discípulo, e que há momentos que de fato parece que estar ao seu lado faz Terra parar de girar, me dando oportunidade de observar-me através do seu olhar, e buscar escolhas mais precisas para os meus desafios nesse mundo. 

sexta-feira, 25 de março de 2022

Dias de Do.

Seu Claudio Teixeira, Discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu nessa publicação, e já entrando no tema que pretendo discorrer nas linhas abaixo, já vou logo avisando aos leigos, que não, eu não errei o título desse artigo. "Do" é maneira carinhosa que resumimos a transliteração do Cantonês do nome das duas facas usadas Nível Superior Final para o acesso ao Domínio "Baat Jaam Do" no aprendizado do Sistema Ving Tsun em nossa Família Kung Fu. E especialmente hoje gostaria de narrar um pouco da minha experiência até chegar nesse ponto da minha jornada Kung Fu. 
Mestre Sênior Julio Camacho manuseando 
réplicas de prática dos Ving Tsun Do 

Me lembro que quando comecei praticar, por volta de 2002, foi me explicado na época que cada um dos seis domínios tinham naturezas que se relacionavam com conceitos específicos. E que o acesso ao  Nível Superior Final, aquele cuja conclusão lhe habilitava se tornar Mestre Qualificado e Líder de Família Kung Fu, apontava para o aprimoramento do poder de Síntese. Desde do primeiro dia em que ouvi falar isso, encarei que chegar nesse ponto era poder desenvolver a capacidade de lidar de maneira simples com questões complexas, o que eu ainda não havia compreendido é que existe uma diferença abissal entre simplicidade e facilidade. Pois apenas o tempo foi me ajudando compreender que desenvolver Kung Fu não é fácil, mas torna a vida mais simples.

A primeira vez que tive contato com as Facas do Sistema foi nas mãos da Sisuk (Tio Kung Fu mais novo) Úrsula  Lima, na época ainda praticante do Nível Avançado de Natureza "Biu Ji. Ela estava encapando com uma fita a empunhadura das armas de prática do meu Si Fu, e me recordo dele tê-la orientado que o sentido que ela usou para passar as fitas não era favorável ao manejo do "Do", o que me chamou atenção em tentar compreender o porquê faria sentido isso. Na cultura de nossa Linhagem, a prática e acesso ao Domínio "Baat Jaam Do" sempre é feita de forma restrita aos praticantes que estão no Nível, portanto, demorou mais de uma década e meia para de fato começar compreender aquilo que me parecia certo  preciosismo naquela orientação. 
Claudio Teixeira observando seus irmãos Kung Fu praticando 
o Baat Jaam Do



Ainda me lembro como se fosse hoje meu primeiro dia de acesso à esse Nível, como costumamos chamar "Hoi Do" (Abertura do Domínio). E o como me foi emblemático a maneira que meu Si Fu, através da sua experiência, expôs as brechas na meu Kung Fu, que mesmo com múltiplos anos de prática, não me permitia impingir ao manejo das facas nenhuma marcialidade efetiva. Mesmo com duas armas nas mãos, a sensação que vulnerabilidade era tamanha, que de fato me sentia mais seguro desarmado que com elas. Dessa forma, o simbolismo da morte que tanto trabalhamos no processo de desenvolvimento de Kung Fu, me deixava claro que não saber trabalhar com a natureza imanente de qualquer objeto, torna impossível extrair o potencial de letalidade eminente simbólica, ou real, mesmo que este seja uma arma. 

Desta forma, desenvolver-se no acesso à Natureza do Nível Superior Final, é percebido hoje por mim como compreender e extrair o potencial marcial de qualquer ente. E como meu Si Fu sempre alerta, marcialidade e precisão são conceitos que coadunam e suas essências. Isso tudo me faz lembrar do dia em que uma comitiva muito especial da Família Kung Fu, foi à Buenos Aires, no Mogun (Casa da Família Kung Fu) do meu Sisuk Leandro Godoy, conhecido pelas suas impressionantes habilidades de cutelaria, para buscarmos os Ving Tsun Do personalizados sob encomenda, de acordo com as medidas corporais de cada praticante do Sistema Ving Tsun. Aquilo que acima chamava de preciosismo, e hoje compreendo como precisão. Nessa viagem, em especial, eu liderei essa comitiva, e o sucesso de cada etapa me ajudou aprender mais ainda sobre como tais momentos de Vida Kung Fu carregam em si o potencial de traduzir a marcialidade para o cotidiano.

Comitiva da Família Moy Jo Lei Ou liderada pelo Mestre Sênior
Julio Camacho(acima à esquerda) à Buenos Aires em 2019
No dia de hoje, trabalhando em meus estudos sobre o Sistema, tenho plena ciência que ainda falta muito para chegar minimamente ao ponto ideal de não mais sentir os desconfortos da imprecisão no manuseio dos lendários "Ving Tsun Do". Mas como aprendi através do tempo com meu Si Fu: Kung Fu se conta por décadas. E como ainda estou apenas no início da minha segunda década como praticante, não tenho mais a pressa do praticante iniciante, pois minha busca pela simplicidade eficaz está só começando. Até porque hoje meu maior foco está em apoiar aqueles que chegaram depois de mim, representando da maneira mais digna que consigo meu Si Fu no Centro de Transmissão Vitrines de Ipanema, na rua Visconde de Pirajá, 580. Onde amanhã, dia 26 de Março de 2022 ÀS 9:00, será promovido um café da manhã temático sobre o processo de Admissão Familiar, onde será feito o convite para ingressar na Família Moy Jo Lei Ou de Iago Lima, em seu primeiro passo para as ricas experiências que a Vida Kung Fu tende promover!


terça-feira, 22 de março de 2022

Como se tornar imortal através do Kung Fu.

     No épico filme de 2004, Tróia, baseado na obra de Homero, a principal motivação do herói Aquiles, interpretado por Brad Pitt, para lutar uma guerra que não precisava participar, era deixar um legado de atos grandiosos que o fizesse ser lembrado por toda eternidade. Ainda vivendo o dilema de se entregar à um destino sem retorno, numa dos diálogos mais emblemáticos do filme, o herói escuta de sua mãe Thetis, interpretada por Julie Christie, a seguinte sentença: "se você ficar em Larissa, encontrará a paz, encontrará uma mulher maravilhosa e terá filhos e filhas, que também terão filhos e filhas. E todos eles o amarão, e lembrarão do seu nome. Mas quando todos seus filhos estiverem mortos, e o filhos deles depois, seu nome será esquecido... se você for para Tróia, a glória será sua, Eles escreverão histórias sobre suas vitórias por milhares de anos! E o mundo se lembrará de seu nome. Mas se você for para Tróia, jamais voltará... pois sua glória anda de mãos dadas com o seu fim. E eu nunca mais o verei novamente. "

Claudio Teixeira e seus filhos Pedro Henrique e Ana Luísa em foto Si-To
Com o Mestre Sênior Julio Camacho na Barra da Tijuca em 2009.

        Sou Claudio Teixeira, Discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu (Líder de Família Kung Fu), e em meu artigo de hoje, usarei o trecho do filme mencionado acima para compartilhar uma reflexão pessoal de como cada um de nós lida diante dos encontros e desencontros da vida, sob a luz das minhas percepções desenvolvidas através da minha jornada Kung Fu.


        Quando aceitei o convite de me tornar Membro Vitalício da Família que leva o nome Kung Fu do meu Si Fu,  Moy Jo Lei Ou, me foi dito que o meu nome Kung Fu Moy Kat Jo, que fora-me entregue por ele, seria inscrito na Árvore Genealógica da Linhagem do Sistema Ving Tsun. Sem um compreensão mais aprofundada do que isso em si representava, acreditei que essa inscrição em si se tratava de mais uma das etapas de todo protocolo formal do processo de reconhecimento da relação discipular. Onde o nome escolhido pelo meu Si Fu seria registrado junto aos dos seus demais discípulos em algum documento oficial dentro de nossas estruturas institucionais. 
Encontro semanal on-line do Mestre Sênior Julio Camacho
com seus Discípulos no Brasil 


        Com o passar dos anos o meu aprofundamento em mergulhar na relação discipular, me foi permitindo uma compreensão mais precisa do que pode vir a significar um dia essa inscrição, através de ter me permitido um desnudar-me cada vez de maneira mais honesta diante de mim, me fazendo enxergar cada vez melhor o meu real tamanho diante da minha própria vida. E como que em todas as batalhas que escolhi lutar, a busca de me refinar como ser humano para conseguir fazer a diferença para o mundo que gira ao meu alcance, muitas dessas mudanças se tornaram um caminho tão sem retorno, quanto o de Aquiles por Tróia.  Entretanto não posso deixar de me lembrar como triste aprendizado que, assim como o mesmo Aquiles no trecho do filme descrito acima, diante da oportunidade de escolher não ir a guerra, incontáveis vezes essa foi minha opção, dando ouvidos aos meus temores questionáveis, ou mesmo ao aprazível conforto de me esconder dentro da aparente ilusão de segurança que desistir dos desafios que a vida me impingia. Da mesma maneira que muitas vezes pensei em abandonar a própria relação Mestre e Discípulo com meu Si Fu, pois é impossível se dissociar a erosão do tempo, quando o sufoco de olhar para um tempo que não tem data para terminar parece mais forte que simplesmente apreciar o momento presente.

        A vitaliciedade de uma relação Discipular, dentro do que compreendi meu Si Fu dizer em vários momentos, acaba por se tornar uma poderosa ferramenta relacional de espera paciente por parte de quem se propôs ao caminho sem retorno de liderar uma Família Kung Fu. Dessa forma, da mesma maneira que hoje compreendo o quanto meu Si Fu apostou em mim com Discípulo, pacientemente investindo seu tempo e seu inestimável saber Kung Fu em mim, muitas vezes muito além minha própria crença na minha capacidade, ou disposição de superar meus próprios desafios. Tal ferramenta me concedeu todo tempo necessário que precisei para aprender sintonizar-me gradativamente de maneira constante e crescente com todos os valores propostos e necessários para relação, que constantemente são atualizados pelo meu Si Fu.
Casamento dos Líderes do Clã Moy Jo Lei Ou e Cinquenta anos do
Mestre Sênior Julio Camacho - Rio de Janeiro 2019

        Uma das características mais evidentes para mim do meu Si Fu, é sua capacidade de renovar-se e atualizar-se como Líder, ainda mais atualmente, muito em relação aos enormes desafios que passou em sua mudança para os EUA. Além dos abismos culturais e sociais e tantas outras questões, até mesmo as de ordem prática como as laborais e documentais, se instalar com residente num país tão diferente de sua terra natal, tende ser algo que requer sempre um esforço hercúleo, ou "aquílico", para não fugir do texto de abertura deste artigo. Tudo isso num momento de profundas mudanças mundiais em razão da pandemia, já seria uma guerra de fazer inveja aos heróis de Tróia, se não fosse o fato dele quase literalmente a própria vida numa batalha pessoal contra um tumor descoberto em seu coração, que teve que ser extraído as pressas, numa cirurgia invasiva e delicada, que ainda gerou questões de ordem financeiras complexas graças problemas em seu seguro de saúde. Mesmo diante desse cenário tão caótico e que para muitos poderia ser desesperador, meu Si Fu, na prática da sua própria definição que Kung Fu trata-se de capacidade desenvolvida de extrair benefícios de qualquer circunstância da maneira como esta se apresenta, tem trazido em todos nossos últimos encontros, tanto presenciais como on-line, uma profunda reflexão sobre como podemos avaliar o ultimo impacto que causamos em nossas relações pessoais, não só nas pessoas que lidamos no cotidiano, mas também às que passaram por nós durante nossas jornadas pessoais. 

        Nunca sabemos ao certo qual o potencial dos efeitos de nossas ações aos outros, assim como não tinham essa noção os antepassados da  Genealogia do Sistema Ving Tsun, dos quais hoje reproduzimos histórias sobre suas aventuras e peculiaridades sobre suas vidas, durante nossas atividades práticas em nossos Centros de Transmissão. Lembranças de pessoas ausentes que jamais imaginaram que aquilo que transmitiam chegariam ao outro lado do planeta através tradição oral da nossa cultura marcial, com seus nomes imortalizados nos carimbos expostos sobre os SAN TOI espalhados por tantos Núcleos similares ao que eu dirijo aqui em Ipanema. Quantos são poderosos os pequenos gestos que produzimos em nossos cotidianos aos mais ilustres desconhecidos que atravessam o tempo todo nossos tão incertos destinos, e como estes podem afetar suas vidas? 


Primeiro Ato Cerimonial do Clã Moy Jo Lei Ou
Rio de Janeiro, 24 de Maio de 2003
        Nessa toada, para quem chegou até esse ponto desse texto, aproveito para informar, ou reforçar o convite para participar a partir do dia Primeiro de Abril de 2022, da Quinta Visita Oficial do Líder do Clã Moy Jo Lei aos Centros de Transmissão no Rio de Janeiro, onde o desejo sincero manifestado pelo meu Si Fu, é reencontrar não só os praticantes que se encontram em atividade regular atualmente, mas todos aqueles que em algum momento da vida cruzaram destinos conosco, para trabalharmos a oportunidade de novos e marcantes últimos momentos juntos, que possam reforçar a imortalidade dos intensos e profundos laços Kung Fu existentes entre nós. 




quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Aberta a temporada 2022 de excelência Kung Fu

Mestra Sênior Úrsula Lima 
orientando meu irmão Kung Fu 
Guilherme de Farias 

O ano de 2022 já começou nos Centro de Transmissão liderados pelos Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu nessas linhas (Líder de Família Kung Fu), e na primeira semana de atividades, a primeira Aula Master 100% on-line, conduzida da Flórida, trouxe uma grata surpresa que em muito dá o tom desse momento, cuja a integração se faz tão presente num mundo tão afetado pelos distanciamentos dos tempos atuais.  

A novidade se deu pelo fato da primeira Aula Master do Ano do Nível Superior Final do Sistema Ving Tsun de Kung Fu ter sido ministrada pela Mestra Sênior Úrsula Lima, Líder da Família Moy Lin Mah, a quem passarei me referir por Si Suk nessas linhas (Tia Kung Fu mais nova). Onde com toda sua experiência nos incentivou explorarmos e ampliarmos nossa perspectiva do avanço através da guarda, com a garantia de retorno preciso para ela, com as facadas do Domínio Baat Jaam Do nas mãos. Me levando uma profunda reflexão de como muitas vezes me vejo refém dos modelos que julgo ideais, num primeiro momento, várias vezes por mera conformidade de não investigar de maneira mais abrangente as possibilidades que a Arte Marcial requer para uma expressão mais personalizada do meu próprio Kung Fu. 
Mestre Sênior Julio Camacho 
Executando o Nível Avançado do 
Sistema Ving Tsun



Na sequência das atividades, pude acompanhar, já coordenado pelo meu Si Fu, durante as orientações ministradas por ele para o Nível Avançado. ficou-me evidente o quanto saber usar as mãos para "dar tempo" do corpo se reorganizar nas situações emergenciais, me fez lembrar em muito a importância do quanto existem limites para retornar uma condição ideal, de maneira que lidar com aquilo para qual não estava preparado que ocorresse; e essa habilidade sempre será mais fácil quanto maior tenha sido a preparação.


Dessa forma, encerro esta primeira postagem do Ano desejando a todos que tiveram a oportunidade de ler essas linhas, um ano de 2002 repleto de Kung Fu para todos!



quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Faça o que tem que ser feito agora!

 O Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu nessas linhas, que quer dizer em Cantonês: Líder de Família Kung Fu, costuma afirmar que Marcialidade pode ser compreendida como a gestão das consequências das próprias escolhas. Dessa forma, um dos comportamentos que eu, Claudio Teixeira seu discípulo,  posso compreender que seja mais anti-marcial, e por consequência mais contraproducente ao conceito mais amplo do termo Kung Fu, é a procrastinação. 

Mestre Sênior Julio Camacho conduzindo da Flórida
A Aula Master de sua Discípula Mayara Rodrigues no Brasil.



Não que Kung Fu possa ser traduzido apenas como marcialidade, mas esta como uma das características essenciais aprendidas através da pratica do Sistema Ving Tsun de Kung Fu,  tende a ser compreendida. como a capacidade agir com precisão, excelência e pontualidade diante de cada escolha contida em cada instante do cotidiano. Pode parecer a princípio exagerado e impraticável esse grau de atenção e cuidado a cada momento da vida, e acima de tudo, num primeiro instante, e dar a impressão ser necessário esforços gigantescos seguidos de uma tensão mental constante que levaria qualquer um à fadiga nos primeiros horários do dia. Mas justamente a Vida Kung Fu pode ser compreendida pela extrapolação para a o dia a dia da prática deste Sistema Marcial que exorta a conduta feminina, portanto a força bruta, ou a resistência através da tensão exagerada  passam longe das premissas necessárias para um praticante de Ving Tsun lidar com os próprios desafios. 

Mestre Sênior Julio Camacho explicando a importância da
reposição no Sistema Ving Tsun


Meu Si Fu sempre alerta para a importância do posicionamento adequado e a atualização precisa deste toda vez que afetado. Isso quer dizer que a força bruta extraída de movimentos corporais acentuados, através de técnicas treinadas à exaustão, não fazem parte da forma como exploramos praticar o Sistema Ving Tsun. Buscamos ao contrário de repetições de movimentos, muitas vezes onde a concentração mental se focada na precisão técnica, estudar o efeito causado pelo posicionamento e sua atualização constante durante a prática física, assim como na pratica da Vida Kung Fu. Dessa maneira nossa guarda é talvez um dos dispositivos corporais que torna mais evidente todo esse processo. 

Eu, Claudio Teixeira, e o Mestre Sênior Julio Camacho 
em momento de Vida Kung Fu


Nossa guarda, bastante peculiar dentre as demais artes marciais existente, ao invés de uma técnica voltada para salvaguardar o corpo de golpes desferidos por um oponente, se posiciona com as duas mãos alinhadas à frente do plexo sendo uma na vanguarda, e outra na retarguarda desta, ocupando a linha central frontal do corpo de forma ofensiva e contundente. A mão que está à frente sempre em prontidão para um avanço pelos espaços não ocupados pelo oponente, e a que se posiciona atrás, com atenta a repor a primeira, caso este espaço seja obstruído pela defesa, ou ataque do outro. Extrapolando essa conceito para a Vida Kung Fu, percebemos que ao invés de buscarmos a mera ampliação da capacidade de golpear, ou agir conforme as situações do cotidiano através de decisões impulsivas, ou mesmo ensaiadas, são padrões que denotam um nível precário de Kung Fu de um praticante do Sistema Ving Tsun. Pois a marcialidade em alto nível pode ser entendida como uso estratégico dos recursos disponíveis de maneira se aproveitar de qualquer circunstância, sem forçar para se dar resultado necessário, se apoiando nas situações como estas se apresentam.

Portanto a maneira mais simples de organizar-se para vida passa longe dos complexos projetos muitas vezes inviáveis que fazemos olhando para o amanhã, mas sim estar bem posicionado diante dos desafios que o momento presente nos oferece, atualizando-se constantemente de maneira relaxada e atenta, para fazer o que precisa ser feito agora.



quinta-feira, 18 de novembro de 2021

A mestria e o ajuste.

Acima o Mestre Sênior Julio Camacho
revisando Nível Básico do Sistema Ving Tsun 
de Fernando Pinheiro.
Sou Claudio Teixeira, Discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu nessas linhas (Líder de Família Kung Fu), e hoje vou relatar um pouco sobre minha experiência em apoiar a realização das atividades nominada de Aulas Masters, onde os Discípulos do Clã Moy Jo Lei Ou tem a oportunidade de revisar os Domínios do Sistema Ving Tsun de Kung Fu, sob o olhar atendo e cuidadoso dele. 

Quando meu Si Fu iniciou sua própria jornada como praticante, era necessário se descolar até São Paulo para encontrar seu próprio Si Fu, o Grão Mestre Leo Imamura, e este por sua vez, teve sua formação como Líder de Família, conduzida por Patriarca Moy Yat, em Nova York. Num tempo onde internet, telefone móveis, redes sociais virtuais e toda sorte de maravilhas da tecnologia da comunicação contemporânea, ou sequer existiam, ou faziam parte apenas da ficção do cinema. 
Mestre Sênior Julio Camcho reforçando
a importância do posicionamento 


Atualmente, todas quintas feiras a partir das 18:00 até às 20:30, temos um horário especial reservado para mim e meus irmãos Kung Fu, nos aprofundarmos nas nuances do Sistema Ving Tsun, sob a supervisão de nosso Si Fu, cujo olhar treinado não o permite deixar escapar nada de como cada um pode desenvolver o próprio entendimento marcial, assim como extrair das características pessoais a capacidade de alcançar o alto nível desenvolvimento pessoal inerente à precisão necessária para prática em alto nível de Kung Fu. 

Nessa semana, uma lição preciosa que extraí e não posso me permitir escapar, diz respeito à necessidade constante de ajustes que cada demanda solicita. Desde de o preparo para otimizar uma atividade marcial com excelência de maneira remota através dos recursos da internet, à como aproveitar cada pontuação feita pelo meu Si Fu direcionada para cada irmão Kung Fu durante a execução das Listagens de movimentos do Sistema Ving Tsun para o meu próprio desenvolvimento. 
Mestre Sênior Julio Camacho repassando 
a "guarda do Sistema Ving Tsun



Como reafirmou meu Si Fu, a marcialidade em si denota precisão, e por consequência a precisão requer um camada além de cuidado em cada ação. Lições que vão muito além de praticar uma atividade corporal de combate, mas que servem para a luta do dia dia, dos mais simples aos mais complexos desafios do cotidiano. 











sexta-feira, 15 de outubro de 2021

O poder do cuidado!

 É muito comum, não necessariamente uma regra. uma pessoa interessada em iniciar a prática de uma arte marcial, ser motivado entrar numa escola de luta buscando desenvolver um poder pessoal através do saber marcial corporal. Digo isso tanto como praticante, assim como o transmissor cada vez mais habituado em lidar com o público que entra em contato com o Sistema Ving Tsun de Kung Fu, por ser um dos responsáveis pelos  Centros de Transmissão liderados pelo Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu nessas linhas (Líder de Família Kung Fu). Em nossos Centros de Transmissão, entramos em contato com inúmeros conceitos incorporados em nossa cultura, e de longe ouso afirmar que aquilo ao qual sistematicamente nos referimos como zelo, traduzido pela atenção cuidadosa, é o pilar centrar de toda que permite a transmissão de toda riqueza de nosso legado centenário. O que para muitos pode parecer contraditório à necessidade de aprender a lutar, e ter justamente o cuidado princípio para desenvolver o poder que almeja ao buscar uma escola de artes marciais.

Na ordem horizontal:
Mestre Sênior Julio Camacho - Claudio Teixeira 
Mestre Pedro Lamarão - Mestra Sênior Úrsula Lima
Heitor Furtado - Mestre Sênior Ricardo Queiroz  

Recentemente recebi do meu Si Fu o convite de participar do segundo livro da coleção Fundamentos do Kung Fu, da qual ainda esse mês será lançada a primeira obra, cujo tema escrito por ele e seus irmãos Kung Fu, os Mestres Seniores  Úrsula Lima e Ricardo Queiroz, os quais me referirei por Si Suk ("tios"Kung Fu)  de agora em diante. Tais livros estão sendo escritos a partir de entrevistas feitas por três discípulos, um de cada Mestre acima mencionado, e na noite de quinze de Outubro de 2020, durante quase três horas tive a oportunidade de ter sido contemplado com a escolha de fazer parte da entrevista que servirá de base para para o segundo livro pelo título Cuidado, junto com Pedro Lamarão e Heitor furtado, discípulos do meu Si Suk Queiroz e Úrsula nessa ordem. 

Mestres Sêniores Julio Camacho,Úrsula Lima
e Ricardo Queiroz, ano 1995 Núcleo Jacarepaguá
 

Durante a longa e prazeirosa conversa, que se encerrou no meu estilo gostinho de queria mais, pude degustar em primeira mão, as respostas do três Mestres Sêniores de nas rodadas de três perguntas por discípulos, onde cada abordagem foi discorrida com toda mestria da experiência de décadas que cada um tem na bagagem, onde o tem Cuidado, com todo cuidado e atenção, foi revirado do avesso e desnudado, dentro das peculiaridades das percepções pessoais, sempre temperado com muita delicadeza com generosas pitadas do gigantesco arcabouço cultural dos autores. Numa sintonia de se fazer inveja as receitas mais requintadas da culinária, com cada qual se colocando de maneira não só complementar à fala de cada um, que pode ser comparado também à uma sinfonia de saber, que com maestria era se auto regia sem a necessidade de um maestro para se sincronizar. 

Como lição central que retirei dessa noite memorável, de uma maneira ímpar, me senti nutrido de uma saber que mais instiga o empenho em descobrir mais sobre o tema, diante de tantas possibilidades de se perceber, conceituar, praticar, transmitir, preservar e vivenciar a atenção cuidadosa que o tema se refere. Mais que isso, perceber esse zelo em movimento na própria construção desse projeto literário feito a três mãos, em cada detalhe tratado com fino esmero, que me reforçou em muito, o quanto a busca pelo poder através do Kung Fu traduz muito pouco do quanto o benefício de se desenvolver a capacidade de compreender a necessidade do senso de dever  no sentido da missão de legar e proteger. 





terça-feira, 12 de outubro de 2021

Bug no sistema - acesso negado!

Sou Claudio Teixeira, e hoje vou relatar sobre os meus desafios pessoais como praticante do Nível Superior Final do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial, através da narrativa de mais uma de nossas Aulas Master votadas para praticantes da Fase Semi-estruturada do Sistema, conduzida pelo Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu (Líder de Família Kung Fu) nessas linhas. 


É bem comum meu Si Fu evocar o conceito de pequena guerra, aquela que diz respeito ao embate no campo de batalha, e a grande guerra, aquela que por sua vez aponta para a vitória sobre os conflitos internos de cada um, que permite ao combatente da grande guerra a disposição necessária para enfrentar a a morte. Trago esse tema hoje para ressaltar a importância da relação discipular nessa guerra interna que muitas vezes me impossibilitou diante da luta do dia a dia. 

Hoje foi um dia que poderia classificar sem exageros de épico em minha jornada como praticante do Sistema Ving Tsun. Por me fazer me sentir finalmente em paz com comigo mesmo diante do desafio de aprender lidar com as emblemáticas Ving Tsun Do (as duas facas que usamos para aprender o último Domínio de nosso Sistema). Há tempos venho me sentido angustiado por não conseguir expressar o Kung Fu que construí durante quase duas décadas como praticante, quando estava com as facas nas mãos, e de certa maneira, havia um bloqueio que me sabotava cada vez que tentava em vão lidar com tais armas, dos mais simples conceitos necessários para se trabalhar a natureza desse Nível, aos mais enigmáticos que algumas vezes me parecem ainda inefáveis.

O Jovem hoje Mestre Sênior Julio Camacho com 
as emblemáticas facas do Sistema Ving Tsun ao fundo
em foto no no Museu de Ip Man em FutShan, China.


Como responsável pela realização do momento, no início da prática, estava completamente absorto da prática em si, com o foco disperso entre gravar a prática, dar acesso à "sala" do Zoom, receber quem iria praticar do Núcleo Ipanema, fixar a tela para que a gravação colocasse em primeiro plano quem estava falando, ou praticando, e de certa maneira, contava que outra pessoa fosse apresentar a Listagem de movimentos, que tenho tido grande dificuldade em desenvolver. Mas, quis o destino que todos estivessem indisponíveis para tal hoje, me expondo num momento que não estava disposto. E quando iniciei a apresentação, um misto de vergonha, desculpas, desmotivações, e aquela vontade que me assombra que a hora passe voando para que aquele instante de desconforto passou em meu estômago. Digo estômago, porque minha cabeça procurava servir de ralo para esvaziar tantas travas que me surgiam. 

Mestre Sênior Julio Camacho orientando o manejo
das Facas do Sistema Ving Tsun


Nesse instante que a "magica" da relação Si Fu Todai (Mestre e Discípulo), se fez presente, quando por durante quase dez minutos interruptos meu Si Fu se dirigiu à mim, e percebendo que eu ainda estava fazendo várias coisas ao mesmo tempo no computador, me solicitou que eu abrisse mão do que estava fazendo, e focasse apenas no que ele estava me transmitindo. Gradativamente fui baixando a reatividade diante das palavras dele, e baixando a minha própria reatividade interna oriunda dos meus desconfortos, e consegui pela primeira vez executar precisamente alguns movimentos que tinha grande dificuldade em realizar. 

Durante uma das falas do Si Fu, lembro-me que ele nos disse que o processo das Aulas Master, muito além das tecnicidades de transmissão sistêmica, deveria acima de tudo se apoiar na relação, para nos permitirmos que cada aula pudesse ser um momento transformador. E completou ao final, que essa transformação, de maneira crescente e graduada, por menor que fosse a cada vez, pode criar um grande evolução ao longo do tempo. Lições que aparentemente podem parecer simples, mas que num ambiente marcial, me dão todas as armas que preciso para vencer minha própria grande guerra. 




quinta-feira, 7 de outubro de 2021

O tempo do Kung Fu

Sou Claudio Teixeira, praticante do Sistema Ving Tsun de Kung Fu, e venho por estas linhas falar um pouco sobre minhas considerações a respeito dos três Níveis iniciais dessa Arte Marcial, apoiado no último encontro on-line que tive com meu Si Fu (Líder de Família Kung Fu), na noite de quinta feira, 07 de Setembro de 2021, onde através do estudo da Fase Estruturada no projeto chamado Aula Master com o Mestre Sênior Julio Camacho, pude reafirmar alguns conceitos que há tempos venho me debruçando em compreender de maneira mais profunda e precisa. 

O Tutor Rodrigo Moreira executando a Lsitagens do Siu Nim Tau 
Orientado remotamente pelo Mestre Sênior Julio Camacho


Nessa noite memorável, meu Si Fu se aproveitou da presença de praticantes em cada um do Níveis do Sistema, para expor um pouco mais sobre sua própria visão do Sistema Ving Tsun, de uma maneira muito particular para cada um deles. Me fazendo rever minha própria jornada como praticante, e como o meu próprio amadurecimento na compreensão, tanto conceitual como prática, evoluiu desde de a primeira vez que iniciei minha própria prática. 

Os pontos ressaltados, me fizeram relembrar o quanto eu mesmo travei diante das Naturezas de cada Domínio desses Níveis, e como minha visão se modificou ao longo das minhas próprias descobertas. De uma maneira subjetiva, observar minha filha Alice, também praticante, não conter em suas expressões a empolgação ao despertar sobre certas nuances tão incorporadas na minha maneira de ver o nível básico, me instigou muito me debruçar um pouco mais naquilo que hoje para mim é tão óbvio, mas justamente por esse motivo, me fez repensar sobre o que é que eu posso estar deixando passar. Como disse o próprio Si Fu, no Nível Básico do Sistema, cada movimento pode ser estudado de uma maneira muito mais particionada, numa decupagem que parece não ter fim. 



Mestre Sênior Julio Camacho praticando com
 seu Discípulo Claudio Teixeira


Durante o momento voltado para o Nível Intermediário, eu fiz uma reflexão do quanto o equilíbrio emocional e corporal, intimamente conectados desde da estrutura neural que gerência nosso corpo nesses sentidos, são ampliáveis, me fazendo me lembrar como eu travava nesse na exploração desse Domínio, mas dentro do que compreendi das palavras do meu Si Fu,  cima de tudo, me senti compelido reforçar o desejo de buscar cada vez mais o que ainda tenho de potencial para expandir, acima de tudo observando o tanto que conquistei até hoje.

Mas foi um momento muito especial para mim da atividade de hoje, durante a fala dos meus irmão Kung Fu Fu Carmem e Raphael, que busquei extrair do retorno que meu Si Fu os deu, a grande lição daquilo que incansavelmente tento colocar em prática no meu dia dia. Quando ambos relataram suas dificuldades individuais diante da Natureza desse domínio, que exorta o praticante a qualidade da prontidão continua para qualquer ação, é que me lembrei o quanto o Kung Fu vem me ajudando vencer um dos meus inimigos mais íntimos. Minha própria procrastinação. Justamente quando o Si Fu afirmou que no Biu Je não existe desculpas. Pois justamente o treinamento de não se dar tempo de se dar desculpas, é uma das grandes características que permite o praticante não se vitimar, e dessa maneira se permitir reencontrar as condições ideais para uma resposta eficaz, mesmo diante de alguma crise que o desestruture.



terça-feira, 5 de outubro de 2021

Lapidação Kung Fu

O Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu nessas linhas (Líder de Família Kung Fu), tem por costume afirmar que arte diz mais respeito sobre subtrair, que acrescentar. Como por exemplo, ele costuma citar que o escultor é aquele que sabe o quanto retirar da pedra, material suficiente para transformar algo amórfico em algo que tenha sentido para quem admira sua obra. Nesse sentido,, acompanhando hoje através da Internet, uma de suas aulas master direcionadas aos praticantes da Fase Semi-estruturada do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial, pude apreciar em primeira mão, através da sua condução, seu cuidado em apontar os movimentos excedentes que principalmente interferem na marcialidade de cada um de seus Discípulos. 

Mestre Sênior Julio Camacho e seu discípulo 
Claudio Teixeira  no CT Vitrine de Ipanema 

Através de um olhar preciso e atendo, nosso Si Fu hoje nos expôs de maneira simples e objetiva, aquilo que há tempos venho buscando  através da minha dedicação à nossa arte marcial: como tornar nossos movimentos cada vez mais eficazes, sem grandes desgastes e desperdícios. De Maneira que possa extrapolar isso para minhas ações do cotidiano, na constante busca do mais alto nível de Kung Fu a cada decisão que tome, seja na prática, seja no cotidiano. 

Mestre Sênior Julio Camacho e sua discípula
Alice Teixeira  no CT Vitrine de Ipanema 

Como já ouvi falar algumas em nosso meio marcial, Kung Fu é algo que se desenvolve muitas vezes sem sequer se notar, um conceito que se evidencia no simples ato de fechar uma porta com a energia correta para não gerar um barulho desnecessário, ou precisar se repetir a ação por ter deixado ela aberta; assim como de nas complexas tomadas de decisões que a vida nos apresenta, como  se preparar para se aproveitar a oportunidade de se mudar de país para e iniciar uma nova jornada num local distante do ambiente que conhecemos profundamente 

Ter a oportunidade de se apropriar do Kung Fu como um estilo de vida, me permite como praticante explorar todas as nuances das minhas próprias características, tanto as positivas, como as negativas, sem me permitir me dar o luxo de vitimar das minhas escolhas, ou das circunstâncias que num primeiro momento possam parecer desfavorável, tanto na hora da prática quando no dia a dia. Me preparando a sempre buscar em tudo apoio para melhor extrair benefícios reais e tangíveis para minha própria existência. 



quarta-feira, 15 de setembro de 2021

O peso do compromisso

De acordo com o Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu (Líder de Família Kung Fu) nessas linhas , a Cerimônia de Discipulado de longe é a celebração mais marcante para ele dentre todos os atos cerimonias numa Família Kung Fu. Eu, Claudio Teixeira, como seu discípulo desde Dezembro de 2013, além de coadunar com essa impressão, gostaria de narrar um pouco sobre minhas próprias percepções a respeito, apoiado nos recentes eventos ocorridos nas ultimas três Cerimônias de Discipulado, e nas duas de Reafirmações Discipular na data de 11 de Setembro de 2021 na Sede do Clã Moy Jo Lei Ou na Barra da Tijuca no Shopping Downtvown. 
Mestre Sênior Julio Camacho sentado e à direita 
seus discípulos Pedro Corrêa e Alice Teixeira 
na Cerimônia de Reafirmação Discipular 


Costumo assumir que para certas questões pessoais, eu tenho uma lentidão absurda em modificar vários aspectos da minha própria maneira de interagir com o todo. Como praticante do Sistema Ving Tsun, demorei demais para compreender num nível mais profundo como ter contato com essa arte marcial tinha bem menos a ver com aprender lutar, e muito mais com desenvolver-me humanamente através da aplicação do Kung Fu no cotidiano. Conheci essa arte marcial em 2002, e entre alguns afastamentos e outros, após onze anos do primeiro contato, eu me decidi aceitar o convite de me tornar discípulo feito pelo meu Si Fu, numa cerimônia em Dezembro de 2013, que hoje garantidamente posso reconhecer que estava lá mais como passageiro, que protagonista da minha própria jornada Kung Fu. Muito mais que abraçar e compreender o que estava fazendo, me deixava levar por perceber que o ruído de fundo que me conduzia tal como um sonâmbulo, me compelia atravessar a porta que me foi aberta, sem saber ao certo o que encontraria do lado de dentro dessa escolha. 

No último sábado, três novos discípulos se permitiram à essa mesma escolha, e ter participado de uma maneira muito objetiva da orientação do processo de reconhecimento discipular dos três, me fez refletir em muito sobre a a evolução da minha própria relação com meu Si Fu desde de o dia da minha própria cerimônia até hoje. E o quanto ter me permitido me expor, tanto em minhas virtudes, quanto nas minhas fraquezas, me propiciou um salto de qualidade na minha própria humanidade. 
Mestre Sênior Julio Camacho e sua esposa
Sra. Márcia Moura, ao fundo seus três mais novos 
Discípulos: Fernando Pinheiro, Antônio Corrêa e Simão Coutinho


Meu Si Fu tem o hábito de dizer que para que a humanidade em cada um de nós se manifeste, há a necessidade de se haver no mínimo duas pessoas envolvidas. E que essa manifestação ocorre no que existe entre essas duas pessoas. O Desenvolvimento humano através do Kung Fu se dá quando a prática do zelo  permite sairmos de nossos próprios anseios para cuidar com atenção de alguém, sendo a relação mestre-discípulo o ambiente perfeito para se desenvolver a marcalidade através da ação estratégica voltada para esse conceito.  

Mestre Sênior Julio Camacho e seu Discípulo 
Claudio Teixeira na Cerimônia de Discipulado 
Dezembro de 2013


Poder ajudar a Família Moy Jo Lei Ou manter-se integrada aos valores nosso Si Fu, de longe tem sido o mais transformador desafio ao qual me deparei como praticante do Sistema Ving Tsun, e poder acompanhar o benefício que o desenvolvimento de Kung Fu promove em todos nós, faz desse desafio um estilo de vida pessoal que tem me dado um retorno pessoal muito grande. Que vem me incentivando cada dia mais renovar a aposta que fiz no dia em que aceitei o convite dessa relação vitalícia, dentro de uma tradição que transpassa tantas gerações de praticantes.



sexta-feira, 10 de setembro de 2021

De volta pra casa.

Após um recesso de 20 meses de recesso, dia 09 de Setembro de 2021 às 19:00, na Sede do Clã Moy Jo Lei Ou,  numa noite repleta de fortes emoções. Promovendo o ingresso de seis novos membros em nossa Família Kung Fu, através do 84o Ato Cerimonial Familiar, assim como uma passagem de nível de nosso Programa Experiencial. 

Ao fundo,Mestre Sênior Julio Camacho
e sua esposa aSra. Márcia Mourana abertura
da 102 Cerimônia Tradicional do  Clã Moy Jo Lei Ou 

Sob a liderança do Mestre Sênior Julio Camacho e sua esposa Márcia Moura, que passarei me referir respectivamente nessas linhas por Si Fu e Si Mo (Líderes de Família Kung Fu), as atividades ocorreram com muita alegria para todos os envolvidos no decorrer dessa noite impar.  O ponto alto de toda emoção envolvida em estar novamente apoiando meu Si Fu naquele momento, após mais de um ano repleto de questões complexas, foi perceber minha Si Mo se contendo em lágrimas na primeira Cerimônia  na nova Sede do Clã, após a delicada cirurgia cardíaca que quase levou-o à morte. De longe esse momento foi em particular uma das emoções mais fortes que senti  em da minha jornada como discípulo. 

Foto Oficial da 102a. Cerimônia Tradicional 
Clã Moy Jo Lei Ou 


Ao termino dos ritos cerimonias, escutei minha Si Mo dizendo ao Si Fu que mesmo sendo a primeira Cerimônia naquele novo espaço, seu sentimento era de estar plenamente em casa, traduzindo para mim muito daquilo que compreendo sobre o espírito peculiar de acolhimento de uma Família Kung Fu, através de nossa cultura apoiada no desenvolvimento da marcialidade através da atenção cuidadosa, que preferimos chamar de zelo.



Mestre Sênior Julio Camacho e sua esposa
Sra. Marcia Moura Camacho 
Foto Oficial de Contive de Discipular


Um dia em si significante como esse que não poderia ser mais completo, ainda reservou para nosso jantar outro momento especial onde três membros de nossa Família Kung Fu foram formalmente convidados para o reconhecimento discipular na Cerimônia que acontecerá dia 11 de Setembro de 2021, em mais um dia que promete fortes emoções para todos os envolvidos, onde espero vocês tanto presentemente na nova Sede do Clã no Downton na Barra, ou on-line e através da Unidade Especial de Acesso Remoto.



quarta-feira, 1 de setembro de 2021

A marcialidade e o desenvolvimento da escuta.

Essa semana efetivamente inaugurou-se uma atividade diferenciada oferecida com exclusividade aos discípulos do Mestre Sênior do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial Julio Camacho, onde através do uso internet, ele passou conduzir diretamente da Flórida em contato com praticantes do Fase Semi-Estruturada Aulas Masters, voltadas tanto para o acesso quanto ao processo de mobilização de nosso Sistema de Kung Fu. Eu Claudio Teixeira, seu discípulo acessando o Nível Superior Final desse processo, pude confirmar a importância estratégica do desenvolvimento de uma "escuta" mais refinada às nuances apresentadas durante toda atividade, me levando reafirmar algumas perspectivas sobre marcialidade que venho construindo nos dezenove anos como praticante, e através dessas linhas, ouso compartilhar minhas impressões subjetivas reforçadas na noite de terça feira 31 de Outubro de 2021.

Aula Master dos Níveis Superiores do Sistema Ving Tsun
conduzidapelo Mestre Sênior Julio Camacho 

Do mais elementar ser biologicamente ativo, mesmo aqueles cuja ciência sequer classifica como seres vivos, aos mais complexos organismos presentes na natureza, é notória a percepção que a agressividade é padrão necessário para a sobrevivência da grande maioria das espécies, seja na comunicação, na alimentação, ou até mesmo na reprodução. 

Mestre Sênior Julio Camacho em demonstração prática com 
seu Discípulo Fernando Xavier 

Gosto de compreender a marcialidade com o mais alto nível de refino desse processo inerente à luta pela sobrevivência e perpetuação de nossa espécie através da preservação daquilo que julgamos ser precioso dentro dos valores pessoais de cada um. Metaforicamente tenho o apreço em comparar que a agressividade seria tal como o carvão, que mesmo tendo a mesma composição molecular do diamante, graças às condições ideais de tempo, temperatura e pressão, reordenam o mesmo elemento gerando um resultado de maior valor, nobreza e raridade. A agressividade presente em todos nós são respostas automáticas aos nosso dois mais primitivos sentimentos diante de qualquer embate, o medo e raiva. E geralmente, essa reatividade pouco elaborada e de baixo valor simbólico nos torna muito mais reféns de nossas próprias ações. 

Mestre Sênior Julio Camacho apresentando parte da 
Listagem de Movimentos do Nível Superior Final
do Sistema Ving Tsun

Já o processo de desenvolvimento marcial, permite que através de uma elaboração estratégica, progressivamente refinada por décadas de dedicação ao desenvolvimento pessoal através de uma Arte Marcial, tornando ser cada vez mais possível o aproveitamento favorável e legítimo de qualquer circunstância, das mais adversas até mesmo às mais favoráveis. Permitindo extrair sempre grande aprendizado em cada evento do cotidiano, de uma maneira diferenciada que quase naturalmente se passa desapercebido para a maioria das pessoas. 

Quando a atividade marcial tem por foco desenvolver Kung Fu como um estilo de vida, da maneira como o processo Familiar do Sistema Ving Tsun nos é legado, é notório que a percepção que se tem da própria vida, e a maneira de se enfrentar as demandas de se manter vivo, se tornam mais eficazes dado uma capacidade de percepção muito mais acurada dos cenários que se configuram em nossas jornadas pessoais.  

Mestre Sênior Julio Camacho conceituando a importância da escuta
acurada no processo do desenvolvimento marcial

Hoje para mim cada vez mais a marcialidade pode ser compreendida acima de tudo como o desenvolvimento de uma percepção mais precisa e realista, que me permite um agir mais adequado, que a natural tendência de se reagir sem saber como aproveitar com dignidade as circunstâncias da luta do dia a dia, independente de como estas se apresentem, que traduz em muito a própria perspectiva de meu Si Fu (Líder de Família Kung Fu) na condução daqueles buscam através do processo relacional sua orientação no inestimável caminho da Vida Kung Fu. 




sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Kung Fu se conta por décadas.

Durante almoço ano passado no restaurante CHON KOU,  por força da celebração do último aniversário de natalício do Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu (Líder de Família Kung Fu), aproveitei o momento da minha fala para relembrar que naquele ano de 2020, completava-se dezoito anos que eu, Claudio Teixeira, conhecia o Sistema Ving Tsun de Inteligência Maricial através do seu trabalho como representante do Grão Mestre Leo Imamura, Líder do Grande Clã Moy Yat Sang, ressaltando uma das próprias falas do meu Si Fu, que Kung Fu conta-se por décadas, portanto naquela ocasião poderia ousar afirmar que faltavam apenas dois anos para que pudesse contar minha segunda década como praticante da única Arte Marcial do mundo desenvolvida por uma mulher.  Ansioso por para entrar para seleto grupo de pessoas com mais de vinte anos de prática de Kung Fu. 

Mestre Sênior Julio Camacho, ao fundo Claudio Teixeira
e seus três filhos Pedro, Maria Alice e Ana Luísa

Exatamente hoje, dia 27 de Agosto de 2021, meu próprio Si Fu completa trinta anos de admissão na Família Moy Yat Sang, apontando para entrada em sua terceira década como praticante de Kung Fu. Um volume de tempo que fala por si só sobre a consistente jornada de um praticante dedicado e diferenciado, de um discípulo dedicado que se tornou um Mestre emblemático, e de um Líder de destaque pertencente à uma Linhagem de grandes nomes de destaque no cenário mundial das artes marciais. 

Mestre Sênior Julio Camacho e ao fundo Claudio e Maria Alice 


Nesses trinta anos a história do meu Si Fu se confunde com própria história do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial no estado do Rio de Janeiro, se levarmos em consideração que todos os Centro de Transmissão da Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence existentes nesse estado são oriundos do seu próprio trabalho à frente dos Núcleos da Família Moy Yat Sang, antes mesmo do próprio fazer parte da primeira geração de Mestres Qualificados titulados no Brasil. 
Mestre Sênior Julio Camacho na Antiga Sede Mundial em NY

Eu como um dos seus Discípulos responsáveis pela manutenção das "Casas Kung Fu" da Família Moy Jo Lei Ou no Brasil, ou Mo Gun como nos referimos, sinto profunda honra no compromisso de, tal como meu próprio Si Fu um dia cuidou dos Mo Gun da Família Moy Yat Sang no Rio de Janeiro, representar e apoiar a perpetuação e preservação desse legado construído com muito tempo de dedicação, propósito e esmero. Muitas vezes me questionando de como fazer para estar à altura dessa história tão rica cujo marco que celebramos hoje nesses trinta anos de ingresso na Família Moy Yat Sang. 

Mestre Sênior Julio Camacho ao lado do Grão Mestre
Leo Imamura e o Lendário Patriarca Moy Yat

E no mais elevado espírito de integração, convido à todos celebrarmos o expressivo momento, numa reflexão que acima de tudo reforce a importância do lema mais comum do meu Si Fu, que sempre nos conclama seguirmos juntos, dando ênfase que seguir diz respeito à direção, e juntos através do tempo, num propósito de cada um extrair e ofertar o melhor que a Vida Kung Fu sugere e representa para si, por muito mais décadas que estão por vir!