quarta-feira, 15 de setembro de 2021

O peso do compromisso

De acordo com o Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu (Líder de Família Kung Fu) nessas linhas , a Cerimônia de Discipulado de longe é a celebração mais marcante para ele dentre todos os atos cerimonias numa Família Kung Fu. Eu, Claudio Teixeira, como seu discípulo desde Dezembro de 2013, além de coadunar com essa impressão, gostaria de narrar um pouco sobre minhas próprias percepções a respeito, apoiado nos recentes eventos ocorridos nas ultimas três Cerimônias de Discipulado, e nas duas de Reafirmações Discipular na data de 11 de Setembro de 2021 na Sede do Clã Moy Jo Lei Ou na Barra da Tijuca no Shopping Downtvown. 
Mestre Sênior Julio Camacho sentado e à direita 
seus discípulos Pedro Corrêa e Alice Teixeira 
na Cerimônia de Reafirmação Discipular 


Costumo assumir que para certas questões pessoais, eu tenho uma lentidão absurda em modificar vários aspectos da minha própria maneira de interagir com o todo. Como praticante do Sistema Ving Tsun, demorei demais para compreender num nível mais profundo como ter contato com essa arte marcial tinha bem menos a ver com aprender lutar, e muito mais com desenvolver-me humanamente através da aplicação do Kung Fu no cotidiano. Conheci essa arte marcial em 2002, e entre alguns afastamentos e outros, após onze anos do primeiro contato, eu me decidi aceitar o convite de me tornar discípulo feito pelo meu Si Fu, numa cerimônia em Dezembro de 2013, que hoje garantidamente posso reconhecer que estava lá mais como passageiro, que protagonista da minha própria jornada Kung Fu. Muito mais que abraçar e compreender o que estava fazendo, me deixava levar por perceber que o ruído de fundo que me conduzia tal como um sonâmbulo, me compelia atravessar a porta que me foi aberta, sem saber ao certo o que encontraria do lado de dentro dessa escolha. 

No último sábado, três novos discípulos se permitiram à essa mesma escolha, e ter participado de uma maneira muito objetiva da orientação do processo de reconhecimento discipular dos três, me fez refletir em muito sobre a a evolução da minha própria relação com meu Si Fu desde de o dia da minha própria cerimônia até hoje. E o quanto ter me permitido me expor, tanto em minhas virtudes, quanto nas minhas fraquezas, me propiciou um salto de qualidade na minha própria humanidade. 
Mestre Sênior Julio Camacho e sua esposa
Sra. Márcia Moura, ao fundo seus três mais novos 
Discípulos: Fernando Pinheiro, Antônio Corrêa e Simão Coutinho


Meu Si Fu tem o hábito de dizer que para que a humanidade em cada um de nós se manifeste, há a necessidade de se haver no mínimo duas pessoas envolvidas. E que essa manifestação ocorre no que existe entre essas duas pessoas. O Desenvolvimento humano através do Kung Fu se dá quando a prática do zelo  permite sairmos de nossos próprios anseios para cuidar com atenção de alguém, sendo a relação mestre-discípulo o ambiente perfeito para se desenvolver a marcalidade através da ação estratégica voltada para esse conceito.  

Mestre Sênior Julio Camacho e seu Discípulo 
Claudio Teixeira na Cerimônia de Discipulado 
Dezembro de 2013


Poder ajudar a Família Moy Jo Lei Ou manter-se integrada aos valores nosso Si Fu, de longe tem sido o mais transformador desafio ao qual me deparei como praticante do Sistema Ving Tsun, e poder acompanhar o benefício que o desenvolvimento de Kung Fu promove em todos nós, faz desse desafio um estilo de vida pessoal que tem me dado um retorno pessoal muito grande. Que vem me incentivando cada dia mais renovar a aposta que fiz no dia em que aceitei o convite dessa relação vitalícia, dentro de uma tradição que transpassa tantas gerações de praticantes.



sexta-feira, 10 de setembro de 2021

De volta pra casa.

Após um recesso de 20 meses de recesso, dia 09 de Setembro de 2021 às 19:00, na Sede do Clã Moy Jo Lei Ou,  numa noite repleta de fortes emoções. Promovendo o ingresso de seis novos membros em nossa Família Kung Fu, através do 84o Ato Cerimonial Familiar, assim como uma passagem de nível de nosso Programa Experiencial. 

Ao fundo,Mestre Sênior Julio Camacho
e sua esposa aSra. Márcia Mourana abertura
da 102 Cerimônia Tradicional do  Clã Moy Jo Lei Ou 

Sob a liderança do Mestre Sênior Julio Camacho e sua esposa Márcia Moura, que passarei me referir respectivamente nessas linhas por Si Fu e Si Mo (Líderes de Família Kung Fu), as atividades ocorreram com muita alegria para todos os envolvidos no decorrer dessa noite impar.  O ponto alto de toda emoção envolvida em estar novamente apoiando meu Si Fu naquele momento, após mais de um ano repleto de questões complexas, foi perceber minha Si Mo se contendo em lágrimas na primeira Cerimônia  na nova Sede do Clã, após a delicada cirurgia cardíaca que quase levou-o à morte. De longe esse momento foi em particular uma das emoções mais fortes que senti  em da minha jornada como discípulo. 

Foto Oficial da 102a. Cerimônia Tradicional 
Clã Moy Jo Lei Ou 


Ao termino dos ritos cerimonias, escutei minha Si Mo dizendo ao Si Fu que mesmo sendo a primeira Cerimônia naquele novo espaço, seu sentimento era de estar plenamente em casa, traduzindo para mim muito daquilo que compreendo sobre o espírito peculiar de acolhimento de uma Família Kung Fu, através de nossa cultura apoiada no desenvolvimento da marcialidade através da atenção cuidadosa, que preferimos chamar de zelo.



Mestre Sênior Julio Camacho e sua esposa
Sra. Marcia Moura Camacho 
Foto Oficial de Contive de Discipular


Um dia em si significante como esse que não poderia ser mais completo, ainda reservou para nosso jantar outro momento especial onde três membros de nossa Família Kung Fu foram formalmente convidados para o reconhecimento discipular na Cerimônia que acontecerá dia 11 de Setembro de 2021, em mais um dia que promete fortes emoções para todos os envolvidos, onde espero vocês tanto presentemente na nova Sede do Clã no Downton na Barra, ou on-line e através da Unidade Especial de Acesso Remoto.



quarta-feira, 1 de setembro de 2021

A marcialidade e o desenvolvimento da escuta.

Essa semana efetivamente inaugurou-se uma atividade diferenciada oferecida com exclusividade aos discípulos do Mestre Sênior do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial Julio Camacho, onde através do uso internet, ele passou conduzir diretamente da Flórida em contato com praticantes do Fase Semi-Estruturada Aulas Masters, voltadas tanto para o acesso quanto ao processo de mobilização de nosso Sistema de Kung Fu. Eu Claudio Teixeira, seu discípulo acessando o Nível Superior Final desse processo, pude confirmar a importância estratégica do desenvolvimento de uma "escuta" mais refinada às nuances apresentadas durante toda atividade, me levando reafirmar algumas perspectivas sobre marcialidade que venho construindo nos dezenove anos como praticante, e através dessas linhas, ouso compartilhar minhas impressões subjetivas reforçadas na noite de terça feira 31 de Outubro de 2021.

Aula Master dos Níveis Superiores do Sistema Ving Tsun
conduzidapelo Mestre Sênior Julio Camacho 

Do mais elementar ser biologicamente ativo, mesmo aqueles cuja ciência sequer classifica como seres vivos, aos mais complexos organismos presentes na natureza, é notória a percepção que a agressividade é padrão necessário para a sobrevivência da grande maioria das espécies, seja na comunicação, na alimentação, ou até mesmo na reprodução. 

Mestre Sênior Julio Camacho em demonstração prática com 
seu Discípulo Fernando Xavier 

Gosto de compreender a marcialidade com o mais alto nível de refino desse processo inerente à luta pela sobrevivência e perpetuação de nossa espécie através da preservação daquilo que julgamos ser precioso dentro dos valores pessoais de cada um. Metaforicamente tenho o apreço em comparar que a agressividade seria tal como o carvão, que mesmo tendo a mesma composição molecular do diamante, graças às condições ideais de tempo, temperatura e pressão, reordenam o mesmo elemento gerando um resultado de maior valor, nobreza e raridade. A agressividade presente em todos nós são respostas automáticas aos nosso dois mais primitivos sentimentos diante de qualquer embate, o medo e raiva. E geralmente, essa reatividade pouco elaborada e de baixo valor simbólico nos torna muito mais reféns de nossas próprias ações. 

Mestre Sênior Julio Camacho apresentando parte da 
Listagem de Movimentos do Nível Superior Final
do Sistema Ving Tsun

Já o processo de desenvolvimento marcial, permite que através de uma elaboração estratégica, progressivamente refinada por décadas de dedicação ao desenvolvimento pessoal através de uma Arte Marcial, tornando ser cada vez mais possível o aproveitamento favorável e legítimo de qualquer circunstância, das mais adversas até mesmo às mais favoráveis. Permitindo extrair sempre grande aprendizado em cada evento do cotidiano, de uma maneira diferenciada que quase naturalmente se passa desapercebido para a maioria das pessoas. 

Quando a atividade marcial tem por foco desenvolver Kung Fu como um estilo de vida, da maneira como o processo Familiar do Sistema Ving Tsun nos é legado, é notório que a percepção que se tem da própria vida, e a maneira de se enfrentar as demandas de se manter vivo, se tornam mais eficazes dado uma capacidade de percepção muito mais acurada dos cenários que se configuram em nossas jornadas pessoais.  

Mestre Sênior Julio Camacho conceituando a importância da escuta
acurada no processo do desenvolvimento marcial

Hoje para mim cada vez mais a marcialidade pode ser compreendida acima de tudo como o desenvolvimento de uma percepção mais precisa e realista, que me permite um agir mais adequado, que a natural tendência de se reagir sem saber como aproveitar com dignidade as circunstâncias da luta do dia a dia, independente de como estas se apresentem, que traduz em muito a própria perspectiva de meu Si Fu (Líder de Família Kung Fu) na condução daqueles buscam através do processo relacional sua orientação no inestimável caminho da Vida Kung Fu. 




sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Kung Fu se conta por décadas.

Durante almoço ano passado no restaurante CHON KOU,  por força da celebração do último aniversário de natalício do Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu (Líder de Família Kung Fu), aproveitei o momento da minha fala para relembrar que naquele ano de 2020, completava-se dezoito anos que eu, Claudio Teixeira, conhecia o Sistema Ving Tsun de Inteligência Maricial através do seu trabalho como representante do Grão Mestre Leo Imamura, Líder do Grande Clã Moy Yat Sang, ressaltando uma das próprias falas do meu Si Fu, que Kung Fu conta-se por décadas, portanto naquela ocasião poderia ousar afirmar que faltavam apenas dois anos para que pudesse contar minha segunda década como praticante da única Arte Marcial do mundo desenvolvida por uma mulher.  Ansioso por para entrar para seleto grupo de pessoas com mais de vinte anos de prática de Kung Fu. 

Mestre Sênior Julio Camacho, ao fundo Claudio Teixeira
e seus três filhos Pedro, Maria Alice e Ana Luísa

Exatamente hoje, dia 27 de Agosto de 2021, meu próprio Si Fu completa trinta anos de admissão na Família Moy Yat Sang, apontando para entrada em sua terceira década como praticante de Kung Fu. Um volume de tempo que fala por si só sobre a consistente jornada de um praticante dedicado e diferenciado, de um discípulo dedicado que se tornou um Mestre emblemático, e de um Líder de destaque pertencente à uma Linhagem de grandes nomes de destaque no cenário mundial das artes marciais. 

Mestre Sênior Julio Camacho e ao fundo Claudio e Maria Alice 


Nesses trinta anos a história do meu Si Fu se confunde com própria história do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial no estado do Rio de Janeiro, se levarmos em consideração que todos os Centro de Transmissão da Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence existentes nesse estado são oriundos do seu próprio trabalho à frente dos Núcleos da Família Moy Yat Sang, antes mesmo do próprio fazer parte da primeira geração de Mestres Qualificados titulados no Brasil. 
Mestre Sênior Julio Camacho na Antiga Sede Mundial em NY

Eu como um dos seus Discípulos responsáveis pela manutenção das "Casas Kung Fu" da Família Moy Jo Lei Ou no Brasil, ou Mo Gun como nos referimos, sinto profunda honra no compromisso de, tal como meu próprio Si Fu um dia cuidou dos Mo Gun da Família Moy Yat Sang no Rio de Janeiro, representar e apoiar a perpetuação e preservação desse legado construído com muito tempo de dedicação, propósito e esmero. Muitas vezes me questionando de como fazer para estar à altura dessa história tão rica cujo marco que celebramos hoje nesses trinta anos de ingresso na Família Moy Yat Sang. 

Mestre Sênior Julio Camacho ao lado do Grão Mestre
Leo Imamura e o Lendário Patriarca Moy Yat

E no mais elevado espírito de integração, convido à todos celebrarmos o expressivo momento, numa reflexão que acima de tudo reforce a importância do lema mais comum do meu Si Fu, que sempre nos conclama seguirmos juntos, dando ênfase que seguir diz respeito à direção, e juntos através do tempo, num propósito de cada um extrair e ofertar o melhor que a Vida Kung Fu sugere e representa para si, por muito mais décadas que estão por vir!







sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

O Kung Fu e a "Memória RAM humana".

Sou Claudio Teixeira, discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho,  que passarei me referir por Si Fu (Líder de Família Kung Fu) nesse texto.  E hoje vou escrever sobre o riquíssimo encontro que tivemos no último Colóquio on-line com ele, na noite de Quinta Feira, 25 de Fevereiro de 2021, num momento muito especial, onde praticantes e discípulos do Clã Moy Jo Lei Ou tanto nos EUA, como no Brasil e Angola, foram brindados com boas doses do Saber Kung Fu de nosso Si Fu. 


Colóquio on-line, com Mestre Sênior Julio Camacho

Para quem não conhece a natureza de nosso evento on-line, o Colóquio, ao contrário de uma palestra onde o palestrante elenca uma série de temas a serem discorridos,  se configura através dos temas mais diversos  sugeridos pelos participantes e o Si Fu apenas busca um ordenamento para poder contemplar todas as demandas num encadeamento fluídico.  E no primeiro evento do Ano de 2021, usando a ferramenta Zoom,  oito temas bem distintos foram abordados com a maestria ímpar do Líder de nosso Clã, para um público de 19 pessoas presentes. 

De todas  as abordagens, algumas voltadas para conhecimentos gerais, ou específicos, e outras para demandas pessoais dos participantes, a maneira como meu Si Fu traduziu sua compreensão do papel transformador do tecnologia da informação, complementou em muito, algumas das minhas próprias reflexões sobre o tema. Em sua explanação, ele ressaltou que vivemos hoje um momento de profunda transformação do próprio ser humano como espécie, que pode ser comparado ao advento do domínio do fogo graças ter modificado até a nossa alimentação, nos permitindo desenvolvermos potencial de adaptação suficiente para ocuparmos todo planeta. Sendo que no caso da tecnologia da informação, sequer sabemos quais desdobramentos ainda estão por vir, dado que estamos apenas vivenciando o início de uma nova era. 

Projeto Psicológica TV conduzida pelo
Mestre Sênior Julio Camacho

Certa vez ouvi de meu Si Fu que um dos motivos do seu apreço pela psicanálise, profissão que ele também exerce,  vinha dela fazer um caminho contrário do Kung Fu. Sendo este ultimo, uma maneira de enxergar o mundo do todo para parte, e  sua formação como psicanalista aumentava seu potencial de enxergar o mesmo mundo da parte para todo. Tornado ambas suas carreiras complementares em sua própria perspectiva do desenvolvimento humano. Durante suas colocações, fiz um paralelo reflexivo aos temas acima, que me fizeram associar como o domínio do fogo e a tecnologia a informação são complementares em suas essências. Enquanto que para se dominar o fogo, é necessário restringi-lo, a internet a cada dia torna mais irrestrito todo e qualquer tipo de conhecimento. 


Ao fundo o Tutor Claudio Teixeira apoiando a transmissão do
Sistema Ving Tsun à Willian Franco em Luanda (Angola), à esquerda,
conduzido pelo Mestre Sênior Julio Camacho


Esse Colóquio foi muito especial para mim, principalmente graças a assombrosa capacidade do Si Fu conectar pontos como os descritos acima, com outros conceitos que tenho me debruçado para reforçar  muito minha própria busca no desenvolvimento da minha marcialidade através do Sistema Ving Tsun. Temas como o uso da Kung Fu para regular as tensões do dia a dia com precisão, me ajudaram em muito compreender como durante o momento atual onde tanta informação é bombardeada de maneira muitas vezes nociva, torna cada vez mais crucial saber, nas palavras do Si Fu, deixar a informação passar, sem me afetar emocionalmente com elas, capacitando-me cada vez mais para enfrentar os desafios de um mundo onde acumular o saber ao qual se tem acesso se tornou praticamente impossível, dado o volume de informações disponíveis na distância de um clique. Reforçando em muito minha certeza que a sabedoria milenar da marcialidade, praticada através do conceito de feminilização da guerra através do relaxamento e do zelo, me permite enfrentar os desafios da modernidade de uma maneira muito mais eficaz.



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Agora você tem Kung Fu!

Sou Claudio Teixeira, Discípulo do Mestre Sênior do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu (Líder de Família Kung Fu) nesse texto de hoje vou narrar um pouco sobre uma das personagens mais emblemáticas que conheci em minha trajetória como praticante de Kung Fu; a primeira Mestra Titulada pela Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence nas Américas, e principal inspiradora de uma geração de praticantes, a Mestra Sênior Úrsula Lima, a quem me referirei por Si Suk (Tio mais novo Kung Fu). 

A direita de branco a Mestra Sênior Úrsula Lima participando da inauguração 
do Núcleo Barra da Tijuca dirigido pelo Mestre Sênior Julio Camacho 

Primeiro gostaria de explicar para aqueles que não conhecem nossa arte, que o Sistema Ving Tsun trata-se da única arte marcial do mundo que foi desenvolvida por uma mulher, e isso em si traz diversas peculiaridades na própria transmissão e aprendizado do praticante que torna muito significativo para esse universo termos e nossa história uma Mestra. E quando eu comecei praticar em 2002, fui recebido pela minha Si Suk Úrsula,  uma das principais responsáveis de apoiar meu Si Fu no Núcleo Jacarepaguá, um dos principais Centros de Transmissão do Sistema no Brasil, naquela época. E me lembro até hoje de como me encantava tanto com a capacidade técnica, quanto com a dedicação pela arte da jovem artista marcial, que parecia ter uma energia inesgotável, tanto para conduzir as sessões, como para apoiar o então diretor de Núcleo, meu Si Fu,  gerenciamento do estabelecimento. 

Mestres Sêniores Úrsula Lima e Julio Camacho 

Talvez ela não se lembre, mas ela tanto foi responsável por aquilo que chamamos do meu  Hoi Kuen, que se trata da abertura do acesso ao Sistema, através da passagem da primeira parte da listagem de movimentos do primeiro Nível, o Domínio Siu Nim Tau, antes disso, também foi quem me orientou em todo processo de ingresso na Família Kung Fu. Após isso, também foi ela  quem promoveu minha última sessão desse mesmo domínio num momento muito desafiador de praticar a listagem por quase uma hora sem interrupções. São memórias marcantes no meu desenvolvimento como praticante, mas dessas e tantas outras, a mais significativa que tenho, foi quando ouvi dela a frase que dá título à essa publicação. Ao me dizer que eu tinha Kung Fu, após me mostrar alguns movimentos que na época pouco ou nada me faziam sentido e me pedir para reproduzi-los tendo visto apenas uma vez. Essa sentença reverberou por alguns anos na minha cabeça, sem eu dar a devida significância no simbolismo da preciosidade que existe na entrega desse saber. E num momento onde encontro profundo sentido em muito do que vivi nesse longos anos de minha própria jornada, eu não saberia traduzir em palavras a gratidão que tenho por ela ter me sido quem me abriu as portas para tantas vivências minhas como praticante de Kung Fu. 

Mestre Sênior Julio Camacho em evento no Núcleo Copacabana 
liderado pela Mestra Sênior Úrsula Lima 

Vê-la hoje como uma das mais importantes líderes da Denominação Moy Yat Ving Tsun no mundo, e mesmo assim percebendo o quanto continua sendo inspirada em seguir os passos do meu próprio Si Fu, que também é seu Sihing (irmão Kung Fu mais velho), quando iniciou um novo trabalho em Lisboa em Portugal. Dentro de um processo de internacionalização da sua Família, sempre de forma muito responsável e programada. E poder acompanhar com atenção  jornada dela é um privilégio para todos que compreendem a importância do Kung Fu como ferramenta de desenvolvimento humano. Nessa toada, desejo-lhe nesse ano do Boi de Metal,  que o nome Kung Fu  recebeu de seu Si Fu e meu Si Gung (Avô Kung Fu),  ao ser qualificada como apta para liderar a Família Moy Lin Mah, seja o símbolo de que nunca lhe falte a força do cavalo nem delicadeza da lótus, nesse categórico simbolismo que o equilíbrio entre esses dois elementos simbólicos estejam sempre presentes no trabalho irretocável que desenvolve na preservação de nosso Legado. 



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

As armas do Kung Fu.

 Sou Claudio Teixeira, Discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu nesse texto, termo em Cantonês que pode ser compreendido como Líder de Família Kung Fu e hoje descreverei algumas perspectivas sobre ser um praticante do Nível Superior Final do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial, aspirando ser titulado como um Mestre Qualificado pela Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. 

Claudio Teixeira praticando o Nível Superior Inicial 
do Sistema Ving Tsun.


O Sistema Ving Tsun se trata de um sistema de movimentos de combate simbólico, conceito que busca traduzir a experiência marcial real ao contrário da simbólica pressupõe a morte. Essa compreensão, permite ao praticante a experienciação, através do acesso aos  seis Domínios de Naturezas distintas e complementares, corporal rica. 

Mestre Sênior Julio Camacho demonstrando 
com os Ving Tsun Do

O último Domínio desse Sistema de Natureza Baat Jaan Do, faz uso de duas facas que atuam concomitantemente, tanto entre ambas, quanto com o próprio corpo de quem as porta. Digo isso porque uma das orientações mais frequentes do meu Si Fu é que eu busque imprimir em cada movimento feito usando tais armas, um alto nível de compromisso com a letalidade que estas têm em potencial. O requisito necessário para tamanha precisão perpassa pela necessidade que arma e corpo ajam com harmonia. 

Acima Mestre Sênior Julio Camacho
Conduzindo a Prática on-line do 
Nível Superior Final do seu 
Discípulo Claudio Teixeira 

Isso me reforça meu apreço pelo termo ocidental arte marcial, do qual busco uma compreensão das atividades de combate corporal num sentido um tanto inverso do senso comum. Normalmente um praticante de artes marciais busca refinar e expressar ao máximo a marcialidade desenvolvida através de sua prática. Enquanto isso, busco refinar meu  próprio Kung Fu principalmente pelo aspecto artístico do meu desenvolvimento. Entendendo como arte a minha expressão pessoal daquilo que tenho em mãos, cada vez que acesso um novo saber do Sistema Ving Tsun, enriqueço-me de matéria prima da mais alta qualidade para produzir mais do melhor que tenho a oferecer.