sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Kung Fu se conta por décadas.

Durante almoço ano passado no restaurante CHON KOU,  por força da celebração do último aniversário de natalício do Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu (Líder de Família Kung Fu), aproveitei o momento da minha fala para relembrar que naquele ano de 2020, completava-se dezoito anos que eu, Claudio Teixeira, conhecia o Sistema Ving Tsun de Inteligência Maricial através do seu trabalho como representante do Grão Mestre Leo Imamura, Líder do Grande Clã Moy Yat Sang, ressaltando uma das próprias falas do meu Si Fu, que Kung Fu conta-se por décadas, portanto naquela ocasião poderia ousar afirmar que faltavam apenas dois anos para que pudesse contar minha segunda década como praticante da única Arte Marcial do mundo desenvolvida por uma mulher.  Ansioso por para entrar para seleto grupo de pessoas com mais de vinte anos de prática de Kung Fu. 

Mestre Sênior Julio Camacho, ao fundo Claudio Teixeira
e seus três filhos Pedro, Maria Alice e Ana Luísa

Exatamente hoje, dia 27 de Agosto de 2021, meu próprio Si Fu completa trinta anos de admissão na Família Moy Yat Sang, apontando para entrada em sua terceira década como praticante de Kung Fu. Um volume de tempo que fala por si só sobre a consistente jornada de um praticante dedicado e diferenciado, de um discípulo dedicado que se tornou um Mestre emblemático, e de um Líder de destaque pertencente à uma Linhagem de grandes nomes de destaque no cenário mundial das artes marciais. 

Mestre Sênior Julio Camacho e ao fundo Claudio e Maria Alice 


Nesses trinta anos a história do meu Si Fu se confunde com própria história do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial no estado do Rio de Janeiro, se levarmos em consideração que todos os Centro de Transmissão da Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence existentes nesse estado são oriundos do seu próprio trabalho à frente dos Núcleos da Família Moy Yat Sang, antes mesmo do próprio fazer parte da primeira geração de Mestres Qualificados titulados no Brasil. 
Mestre Sênior Julio Camacho na Antiga Sede Mundial em NY

Eu como um dos seus Discípulos responsáveis pela manutenção das "Casas Kung Fu" da Família Moy Jo Lei Ou no Brasil, ou Mo Gun como nos referimos, sinto profunda honra no compromisso de, tal como meu próprio Si Fu um dia cuidou dos Mo Gun da Família Moy Yat Sang no Rio de Janeiro, representar e apoiar a perpetuação e preservação desse legado construído com muito tempo de dedicação, propósito e esmero. Muitas vezes me questionando de como fazer para estar à altura dessa história tão rica cujo marco que celebramos hoje nesses trinta anos de ingresso na Família Moy Yat Sang. 

Mestre Sênior Julio Camacho ao lado do Grão Mestre
Leo Imamura e o Lendário Patriarca Moy Yat

E no mais elevado espírito de integração, convido à todos celebrarmos o expressivo momento, numa reflexão que acima de tudo reforce a importância do lema mais comum do meu Si Fu, que sempre nos conclama seguirmos juntos, dando ênfase que seguir diz respeito à direção, e juntos através do tempo, num propósito de cada um extrair e ofertar o melhor que a Vida Kung Fu sugere e representa para si, por muito mais décadas que estão por vir!







sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

O Kung Fu e a "Memória RAM humana".

Sou Claudio Teixeira, discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho,  que passarei me referir por Si Fu (Líder de Família Kung Fu) nesse texto.  E hoje vou escrever sobre o riquíssimo encontro que tivemos no último Colóquio on-line com ele, na noite de Quinta Feira, 25 de Fevereiro de 2021, num momento muito especial, onde praticantes e discípulos do Clã Moy Jo Lei Ou tanto nos EUA, como no Brasil e Angola, foram brindados com boas doses do Saber Kung Fu de nosso Si Fu. 


Colóquio on-line, com Mestre Sênior Julio Camacho

Para quem não conhece a natureza de nosso evento on-line, o Colóquio, ao contrário de uma palestra onde o palestrante elenca uma série de temas a serem discorridos,  se configura através dos temas mais diversos  sugeridos pelos participantes e o Si Fu apenas busca um ordenamento para poder contemplar todas as demandas num encadeamento fluídico.  E no primeiro evento do Ano de 2021, usando a ferramenta Zoom,  oito temas bem distintos foram abordados com a maestria ímpar do Líder de nosso Clã, para um público de 19 pessoas presentes. 

De todas  as abordagens, algumas voltadas para conhecimentos gerais, ou específicos, e outras para demandas pessoais dos participantes, a maneira como meu Si Fu traduziu sua compreensão do papel transformador do tecnologia da informação, complementou em muito, algumas das minhas próprias reflexões sobre o tema. Em sua explanação, ele ressaltou que vivemos hoje um momento de profunda transformação do próprio ser humano como espécie, que pode ser comparado ao advento do domínio do fogo graças ter modificado até a nossa alimentação, nos permitindo desenvolvermos potencial de adaptação suficiente para ocuparmos todo planeta. Sendo que no caso da tecnologia da informação, sequer sabemos quais desdobramentos ainda estão por vir, dado que estamos apenas vivenciando o início de uma nova era. 

Projeto Psicológica TV conduzida pelo
Mestre Sênior Julio Camacho

Certa vez ouvi de meu Si Fu que um dos motivos do seu apreço pela psicanálise, profissão que ele também exerce,  vinha dela fazer um caminho contrário do Kung Fu. Sendo este ultimo, uma maneira de enxergar o mundo do todo para parte, e  sua formação como psicanalista aumentava seu potencial de enxergar o mesmo mundo da parte para todo. Tornado ambas suas carreiras complementares em sua própria perspectiva do desenvolvimento humano. Durante suas colocações, fiz um paralelo reflexivo aos temas acima, que me fizeram associar como o domínio do fogo e a tecnologia a informação são complementares em suas essências. Enquanto que para se dominar o fogo, é necessário restringi-lo, a internet a cada dia torna mais irrestrito todo e qualquer tipo de conhecimento. 


Ao fundo o Tutor Claudio Teixeira apoiando a transmissão do
Sistema Ving Tsun à Willian Franco em Luanda (Angola), à esquerda,
conduzido pelo Mestre Sênior Julio Camacho


Esse Colóquio foi muito especial para mim, principalmente graças a assombrosa capacidade do Si Fu conectar pontos como os descritos acima, com outros conceitos que tenho me debruçado para reforçar  muito minha própria busca no desenvolvimento da minha marcialidade através do Sistema Ving Tsun. Temas como o uso da Kung Fu para regular as tensões do dia a dia com precisão, me ajudaram em muito compreender como durante o momento atual onde tanta informação é bombardeada de maneira muitas vezes nociva, torna cada vez mais crucial saber, nas palavras do Si Fu, deixar a informação passar, sem me afetar emocionalmente com elas, capacitando-me cada vez mais para enfrentar os desafios de um mundo onde acumular o saber ao qual se tem acesso se tornou praticamente impossível, dado o volume de informações disponíveis na distância de um clique. Reforçando em muito minha certeza que a sabedoria milenar da marcialidade, praticada através do conceito de feminilização da guerra através do relaxamento e do zelo, me permite enfrentar os desafios da modernidade de uma maneira muito mais eficaz.



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Agora você tem Kung Fu!

Sou Claudio Teixeira, Discípulo do Mestre Sênior do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu (Líder de Família Kung Fu) nesse texto de hoje vou narrar um pouco sobre uma das personagens mais emblemáticas que conheci em minha trajetória como praticante de Kung Fu; a primeira Mestra Titulada pela Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence nas Américas, e principal inspiradora de uma geração de praticantes, a Mestra Sênior Úrsula Lima, a quem me referirei por Si Suk (Tio mais novo Kung Fu). 

A direita de branco a Mestra Sênior Úrsula Lima participando da inauguração 
do Núcleo Barra da Tijuca dirigido pelo Mestre Sênior Julio Camacho 

Primeiro gostaria de explicar para aqueles que não conhecem nossa arte, que o Sistema Ving Tsun trata-se da única arte marcial do mundo que foi desenvolvida por uma mulher, e isso em si traz diversas peculiaridades na própria transmissão e aprendizado do praticante que torna muito significativo para esse universo termos e nossa história uma Mestra. E quando eu comecei praticar em 2002, fui recebido pela minha Si Suk Úrsula,  uma das principais responsáveis de apoiar meu Si Fu no Núcleo Jacarepaguá, um dos principais Centros de Transmissão do Sistema no Brasil, naquela época. E me lembro até hoje de como me encantava tanto com a capacidade técnica, quanto com a dedicação pela arte da jovem artista marcial, que parecia ter uma energia inesgotável, tanto para conduzir as sessões, como para apoiar o então diretor de Núcleo, meu Si Fu,  gerenciamento do estabelecimento. 

Mestres Sêniores Úrsula Lima e Julio Camacho 

Talvez ela não se lembre, mas ela tanto foi responsável por aquilo que chamamos do meu  Hoi Kuen, que se trata da abertura do acesso ao Sistema, através da passagem da primeira parte da listagem de movimentos do primeiro Nível, o Domínio Siu Nim Tau, antes disso, também foi quem me orientou em todo processo de ingresso na Família Kung Fu. Após isso, também foi ela  quem promoveu minha última sessão desse mesmo domínio num momento muito desafiador de praticar a listagem por quase uma hora sem interrupções. São memórias marcantes no meu desenvolvimento como praticante, mas dessas e tantas outras, a mais significativa que tenho, foi quando ouvi dela a frase que dá título à essa publicação. Ao me dizer que eu tinha Kung Fu, após me mostrar alguns movimentos que na época pouco ou nada me faziam sentido e me pedir para reproduzi-los tendo visto apenas uma vez. Essa sentença reverberou por alguns anos na minha cabeça, sem eu dar a devida significância no simbolismo da preciosidade que existe na entrega desse saber. E num momento onde encontro profundo sentido em muito do que vivi nesse longos anos de minha própria jornada, eu não saberia traduzir em palavras a gratidão que tenho por ela ter me sido quem me abriu as portas para tantas vivências minhas como praticante de Kung Fu. 

Mestre Sênior Julio Camacho em evento no Núcleo Copacabana 
liderado pela Mestra Sênior Úrsula Lima 

Vê-la hoje como uma das mais importantes líderes da Denominação Moy Yat Ving Tsun no mundo, e mesmo assim percebendo o quanto continua sendo inspirada em seguir os passos do meu próprio Si Fu, que também é seu Sihing (irmão Kung Fu mais velho), quando iniciou um novo trabalho em Lisboa em Portugal. Dentro de um processo de internacionalização da sua Família, sempre de forma muito responsável e programada. E poder acompanhar com atenção  jornada dela é um privilégio para todos que compreendem a importância do Kung Fu como ferramenta de desenvolvimento humano. Nessa toada, desejo-lhe nesse ano do Boi de Metal,  que o nome Kung Fu  recebeu de seu Si Fu e meu Si Gung (Avô Kung Fu),  ao ser qualificada como apta para liderar a Família Moy Lin Mah, seja o símbolo de que nunca lhe falte a força do cavalo nem delicadeza da lótus, nesse categórico simbolismo que o equilíbrio entre esses dois elementos simbólicos estejam sempre presentes no trabalho irretocável que desenvolve na preservação de nosso Legado. 



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

As armas do Kung Fu.

 Sou Claudio Teixeira, Discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho, a quem passarei me referir por Si Fu nesse texto, termo em Cantonês que pode ser compreendido como Líder de Família Kung Fu e hoje descreverei algumas perspectivas sobre ser um praticante do Nível Superior Final do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial, aspirando ser titulado como um Mestre Qualificado pela Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. 

Claudio Teixeira praticando o Nível Superior Inicial 
do Sistema Ving Tsun.


O Sistema Ving Tsun se trata de um sistema de movimentos de combate simbólico, conceito que busca traduzir a experiência marcial real ao contrário da simbólica pressupõe a morte. Essa compreensão, permite ao praticante a experienciação, através do acesso aos  seis Domínios de Naturezas distintas e complementares, corporal rica. 

Mestre Sênior Julio Camacho demonstrando 
com os Ving Tsun Do

O último Domínio desse Sistema de Natureza Baat Jaan Do, faz uso de duas facas que atuam concomitantemente, tanto entre ambas, quanto com o próprio corpo de quem as porta. Digo isso porque uma das orientações mais frequentes do meu Si Fu é que eu busque imprimir em cada movimento feito usando tais armas, um alto nível de compromisso com a letalidade que estas têm em potencial. O requisito necessário para tamanha precisão perpassa pela necessidade que arma e corpo ajam com harmonia. 

Acima Mestre Sênior Julio Camacho
Conduzindo a Prática on-line do 
Nível Superior Final do seu 
Discípulo Claudio Teixeira 

Isso me reforça meu apreço pelo termo ocidental arte marcial, do qual busco uma compreensão das atividades de combate corporal num sentido um tanto inverso do senso comum. Normalmente um praticante de artes marciais busca refinar e expressar ao máximo a marcialidade desenvolvida através de sua prática. Enquanto isso, busco refinar meu  próprio Kung Fu principalmente pelo aspecto artístico do meu desenvolvimento. Entendendo como arte a minha expressão pessoal daquilo que tenho em mãos, cada vez que acesso um novo saber do Sistema Ving Tsun, enriqueço-me de matéria prima da mais alta qualidade para produzir mais do melhor que tenho a oferecer.  




quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Segredos de uma Família Kung Fu.

Sou Claudio Teixeira, discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho Titulado pela Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence, o qual passarei me referir por Si Fu nessas linhas, termo que pode ser compreendido como Líder de Família Kung Fu, e hoje revelarei alguns dos segredos mais preciosos do nosso Clã Moy Jo Lei Ou através da minha narrativa da conclusão da primeira etapa de encontros On-line conduzidos ele, denominado Desvendando. Convido você a conhecer os mistérios ocultos pelo véu do emblemático Nível Superior Final da Fase Estruturada do Sistema Ving Tsun, mais conhecido por Domínio de Natureza Biu Ji, o momento em que o praticante se torna qualificado para avançar nos Níveis Superiores que lhe levarão à mestria. 

Mestre Sênior Julio Camacho executando o Biu Ji

Quando concluí o acesso aos conteúdos do Domínio Biu Ji, meu Si Fu falou que a conclusão desse Nível seria o referente alcançar uma faixa preta em outras artes marciais. O que para mim foi muito frustrante, porque nem de longe me sentia tecnicamente um "faixa preta" de Kung Fu. A única certeza que tinha na época era que eu tinha muitas dúvidas sobre o Sistema Ving Tsun do ponto de vista conceitual, e as poucas certezas que tinha eram tão corporalmente superficiais que, mesmo tendo compreendido alguns aspectos fundamentais da dinâmica de muitos movimentos, eram raros os momentos me que tinha eu percebia que determinadas ações durante a prática, mesmo quando bem sucedidas, não aconteciam com a consciência que praticantes mais experientes demonstravam. Lembro que, nessa época, comecei a desenvolver inúmeros recursos carregados de habilidade que hoje compreendo perfeitamente,  que esse tipos de truques só funcionavam com quem tinha um baixo nível de Kung Fu, como meu Si Fu tanto me alertava. 

Na busca pelo conhecimento, literalmente bati cabeça, e fui me desenvolvendo como praticante de Artes Marciais com muito esforço e pouca estratégia enquanto ainda era devoto do senso comum que, quanto mais eu praticasse, mais aprenderia: desconsiderando muitas vezes as próprias orientações de investir mais na Vida Kung Fu do que no tempo de prática. Como toda rebeldia tem seu preço, à medida em que me sentia mais habilidoso, minha frustração de fato aumentava, porque os mesmos truques eram cada vez mais eficazes com meus irmãos Kung Fu que estavam na mesmo nível que eu, mas permaneciam completamente inúteis com praticantes mais sêniores, me obrigando admitir a ineficácia da minha forma de aprender. 

Ao fundo o Mestre Sênior Julio Camacho orientando o 
Tutor Guilherme de farias no acesso aos conteúdos do Biu Ji 
de nosso irmão Kung Fu Willian Franco na cidade de Luanda em Angola

Quando comecei a aceitar convites para integrar as comitivas de viagens junto ao Si Fu, lembro-me que um dos fatores que mais me motivaram foi a referência que ele sempre fazia ao fato de muito do Kung Fu dele ter se desenvolvido em função dessa experiência internacional. E, sem sombra de dúvidas, olhando para a direção contrária do proposto por ele no investimento na Vida Kung Fu, embarquei em minha primeira viagem rumo à Nova Iorque numa comitiva em Família Kung Fu, atirando na possiblidade de conhecer dezenas de outros praticantes e, através de treinar com eles, finalmente começar a ter um nível de Kung Fu a altura do que tanto almejava. Acertei assim uma oportunidade que não enxergava: a de riquíssimos momentos de Vida Kung Fu com meu Si Fu, vividos de maneira muito intensa, momentos que só numa viagem ao lado de um mestre do despertar até o dormir pode proporcionar. 

Hoje, com algumas boas horas de voo depois de conhecer uma dezena de países ao lado do meu Si Fu em prol do Kung Fu, compreendo muito mais profundamente quando ele salientava que a Natureza do Biu Ji requer maturidade. Ao contrário das fantasias imaturas sobre o entendimento deste Domínio, o grande benefício da sua prática para a luta do dia a dia pode ser traduzido justamente no esvaziar de expectativas. O dois Níveis precedentes à esse vêm construindo em mim um processo sólido de me posicionar e fluir pelos desafios do cotidiano de maneira muito mais eficaz, entretanto é o Nível Superior final que traz consigo ferramentas imprescindíveis  para se lidar com o imprevisível.

Mestre Sênior Julio Camacho em foto Si-To na data do convite de 
sua Discípula Alice Teixeira ao acesso do Nível Avançado,
ao fundo ao lado de seu Orientador Formal 
o Mestre Qualificado Leonardo Reis.


Meu próprio entendimento sobre como lidar com a natureza do Biu Ji mudou extremamente desde que ingressei no Nível até hoje. No início, a sequência de movimento repleta de disparos e torções me encantava pela sua plasticidade toda vez que ficava observando praticantes mais experientes executando-a. A minha visão equivocada acreditava que a natureza do Domínio se apoiava na emergência e trazia um apelo poético para para minhas justificativas infantis de quem alegava sentir conforto em meio a caos, perspectiva que hoje considero errônea — antes, era muito comum eu dizer que minha natureza era Biu Ji, quase como numa perspectiva esotérica astrológica. O fato é que estudar este nível me era conflitante e até frustrante pois, da mesma maneira em que alimentava percepções infundadas como as descritas acima, meu corpo "rejeitava"os movimentos, tanto quando praticava sozinho, mais principalmente quando estava buscando trabalhar os componentes desse Nível com outro praticante. Demorou alguns anos para eu compreender num nível mais profundo que meu potencial jamais seria alcançado se eu não compreendesse meus limites. Foi apenas assim que ressignifiquei meu entendimento de que, para se lidar com qualquer emergência, o nível de preparação e respeito ao fluxo deve ser muito maior que a aposta em minhas habilidades. 

Essa semana, durante a conclusão das Sessões On-line coordenadas pelo Si Fu onde fechamos o "Desvendando o Biu Ji", eu consegui compreender muito mais as lacunas que faltavam para esse processo de ressignificação acima citado. Pois, através de sua orientação e de sua própria vivência de estudos pessoais sobre o Sistema Ving Tsun, ele me deu acesso a algumas pequenas peças desse quebra cabeças corporal do autoconhecimento através do estudo das Listagens do Sistema; literalmente tirando o véu que cobria particularidades preciosas desse Domínio, assim como fez dos dois anteriores. Na medida que fui trabalhando apoiado em suas orientações, algumas epifanias foram naturalmente ocorrendo, sem a necessidade dos heróicos esforços que muitas vezes fiz para desenvolver meu Kung Fu. Reforçando a construção da idéia que o Biu Ji nada tinha a ver com a habilidade de lidar com o caos, e sim o ordenamento mental para usar a preparação alcançada através do estudo das fases anteriores, compreendendo como desafiar meus limites sem abrir mão da natureza deles para retornar para as condições ideais. 

Indo num sentido contrário ao aspecto quase místico que muitas Famílias Kung Fu atribuem ao Biu Ji, meu Si Fu, em nosso último encontro dessas atividades, desmistificou muitos dos conceitos através do uso correto das técnicas necessárias durante a execução da sequência de movimentos, terminando de desconstruir meus últimos resquícios de incompreensão no mal uso do princípio de se aprender a lidar com a emergência, que ainda carregava. Ao trabalharmos o uso dinâmico de todas as partes do corpo em sintonia ao mesmo tempo em que se desafia os limites da estruturação corporal, o fazemos sem abrir mão do rigor da busca pela integridade que o Sistema constrói, evidenciando um dos sentidos que o termo Biu Ji pode ser compreendido: Bússola de Alta precisão.

Como último Nível da Fase estruturada do Sistema, o Biu Ji entrega ao praticante todos os recursos necessários para explorarmos ao máximo as condições propostas nos dois Níveis que o antecedem, dessa maneira concluindo o acesso de tudo que se faz necessário para a exploração da Fase Semi-estruturada do Sistema. Todavia, como explicado pelo Si Fu, essa conclusão carrega consigo a assinatura do estilo particular de cada  Família Kung Fu, dando sentido à maneira como a natureza dos movimentos é abordada, e como os elementos que compõe essa natureza devem ser levados em consideração.  Por meio de uma compreensão mais ampla, confirmo o meu entendimento que desenvolver Kung Fu através do Sistema Ving Tsun, me ensina sempre e cada vez mais aprender a aprender. 




segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Quanto custa para aprender Kung Fu?

Sou Claudio Teixeira, discípulo do Mestre Sênior Julio Camacho, ao qual me passarei me referir por Si Fu nesse texto, termo chinês que também significa Líder de Família Kung Fu, assim como sou o responsável por representá-lo no Núcleo Vitrine de Ipanema, no Rio de Janeiro, numa charmosa galeria do mundialmente conhecido bairro que dá nome ao nosso Centro de Transmissão do Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial, onde com muito esmero entregamos nosso Legado através desse Sistema Kung Fu pelo exercício de compreensão da Vida Kung Fu orientados pelos preceitos da Família Kung Fu. 

Mestre Sênior Julio Camacho em prática com o Tutor Claudio Teixeira



Como profissional na linha de frente de todo esse processo, as perguntas mais comuns que costumo ouvir trabalhando na área são: quanto custa para se aprender Kung Fu, qual o preço de nossas aulas?  Muitas vezes costumo fazer um piada para quem acabou de se matricular em nossa escola, que depois do boleto pago já pode processar-nos por propaganda enganosa porque nós não ensinamos Kung Fu. E que de fato é impossível ensinar Kung Fu, mas certamente, se o aluno persistir em sua busca por aprender, desenvolverá um alto nível de Kung Fu. Porque não nos cabe muito além de promover através da atenção cuidadosa, a ambiência necessária para o aflorar do Kung Fu de cada um, num sentido muito mais profundo que as técnicas de combate corporal podem promover. Meu Si Fu costumava dizer que o papel de um Líder de Família Kung Fu é o de um porteiro que abre as portas da Família para os ingressantes, e muitas vezes fica esperando aqueles que por ventura se afastaram retornar. Em recente conversa ele me disse que hoje sente-se mais como um zelador do prédio, aquele que além de muitas vezes ser quem abre as portas, cuida do regar das plantas nas hora adequadas para que elas cresçam sadias. 

Mestre Sênior Julio Camacho Orientando a ambientação
do Centro de Transmissão do Sistema Ving Tsun
Núcleo Vitrine de Ipanema 


É muito natural ouvir isso de quase todos que  permaneceram conosco, que chegaram num de nossos Centros de Transmissão do Sistema Ving Tsun procurando algo específico, e encontram inúmeras outros que nem sabia que se era tão necessários se encontrar. O primeiro véu se que se rasga sobre o Kung Fu é a visão simplória de se tratar apenas de um estilo de socos e ponta pés, e mesmo que se tenha o prévio conhecimento de todo aspecto filosófico inerente à Arte Marcial. É com algum tempo que ressignificamos o entendimento primário que tínhamos ao começarmos essa jornada. E este aprimoramento contínuo da próprio sentido de Kung Fu é crucial para ampliar os próprios benefícios da prática para a luta do dia a dia. 

Quando comecei ter uma compreensão um pouco mais profunda de como o Kung Fu poderia ser vivenciado de uma maneira intrínseca ao meu estilo de vida, elaborei uma tradução bem imatura muito ligada à minha própria maneira de ser,  num exercício de alinhar o todo à minha perceção, não me enxergando como parte, sem trabalhar o esvaziamento do meu ego, como qualquer processo consistente de transformação pessoal se propõe. Naquele momento, acreditava que Kung Fu era desenvolver a habilidade de se conseguir arcar com qualquer custo necessário para se alcançar um objetivo. Quase que um reforço a uma das minhas características mais marcantes, a teimosia. 


Mestre Sênior Julio Camacho conduzindo a prática 
na Sede do Clã Moy Jo Lei Ou


Com tempo, aprendendo usar aquilo que meu Si Fu traduz como lente Kung Fu, comecei sentir com mais nitidez os fluxo da própria vida, e compreender que na maioria das vezes, meu ímpeto, ao qual sempre tive tanto orgulho, era de longe meu maior adversário. A duras penas, aprendi que meu Kung Fu não estava no estardalhaço de movimentos carregados de habilidade e energia, e muito menos na minha louvável capacidade de improvisar. Passei acreditar menos na minha criatividade e investir mais na minha preparação. Comecei compreender que as pequenas ações invisíveis como colocar os pés de maneira estratégica eram muito mais importantes que na aposta em deixar minhas mãos mais hábeis. Traduzindo isso para o cotidiano, me tornei muito mais atento e cuidadoso com cada atitude minha, ouvindo mais que falando, estudando mais que ensinando, me preparando mais que fazendo, e dessa maneira construindo mais que consertando, dando vazão para um nível de criatividade muito mais voltada para realizações que para as reparações.

Meu Si Fu sempre reafirma que Kung Fu se mensura por décadas. Isso pode ser entendido que dizer que pratica há menos que dez anos, é afirmar que ainda se é imaturo. Compreendo como a vitaliciedade de uma relação discipular coaduna com a necessidade de algumas milhares de horas de investimentos progressivo no desenvolvimento do próprio Kung Fu. A grande vantagem é que de fato se tem algo que ele também afirma e hoje compreendo cada vez melhor, é que Kung Fu me ensina aprender a aprender, e quanto mais aprendo, mais otimizo minhas formas de aprendizado. 

Café da Manhã Claudio Teixeira, Mestre Thiago Pereira e Mestre Sênior
Julio Camacho 



Ao contrário da minha visão imatura da necessidade de esforço para me desenvolver, hoje percebo cada vez mais o quanto consigo legar mais, gastando menos energia, por consequência a eficácia me permite uma integridade física e mental integral, que se traduz acima de tudo no uso do tempo maneira mais inteligente. E sem sombra de dúvidas, o uso do tempo como bem intangível mais precioso que tenho seja a melhor maneira que tenho de mensurar a relação de custo benefício de ser um praticante de Kung Fu. Otimizar o tempo como um recurso que me é a cada instante mais escasso pelo fato que o curso natural da vida é finito, me permite parar de apostar em decisões cuja a minha experiência já  comprovou serem onerosas, e afirmar que quanto mais invisto meu tempo em Kung Fu, maior meu retorno na qualidade do uso do meu próprio tempo para qualquer ação em minha vida. Trazendo assim uma significava melhora na minha capacidade de me relacionar com o todo, e um qualitativo poder de afetá-lo positivamente.  





domingo, 10 de janeiro de 2021

Direto ao ponto.

Certa vez o Mestre Sênior Julio Camacho, ao qual passarei me referir por Si Fu ( Líder de Família Kung Fu) nessas linhas, me solicitou que eu lhe explicasse com as minhas palavras qual meu entendimento sobre o que é o Sistema Ving Tsun. Lembro-me que disse algo de maneira prolixa e sem um direcionamento claro, sobre um ser um sistema estruturado em relação ao desenvolvimento da capacidade de se preservar em relação a Linha Central. Ao concluir minha imatura explanação sobre o que acreditava ser a resposta, meu Si Fu me perguntou em qual parte das Listagens dos Seis Domínios de Naturezas Siu Nim Tau (小念頭), Cham Kiu (尋橋) Biu Ji (標指) , Mui Fa Jong (梅花樁), Luk Dim Bum Gwan (六點半棍) e Baat Jaam Do (八斬刀), havia alguma referência sobre a referida Linha Central? Logo após essa questão, de maneira simples e objetiva, me explicou que o Sistema Ving Tsun se tratava do conjunto dessas seis Listagens de Combate Simbólico, executadas em consonância suas Natureza, para minha surpresa, disse que Linha Central, é uma referência compreendida como necessária para a execução dessas movimentos peculiar à nossa linhagem, mas que existem outras escolas que sequer fazem o estudo dela. 

Mestre Sênior Julio Camacho, Mestre Leonardo Reis 
e Tutor Claudio Teixeira 

A objetividade com que meu Si Fu desconstruiu algo que tinha certeza em minha imatura percepção do Sistema, não só me proporcionou um conhecimento maior até mesmo sobre minhas equivocadas  percepções de um principiante, como modificou minha maneira de buscar compreender mais e melhor sobre a única Arte Marcial do mundo, onde o conhecimento transmitido pelo saber de uma Anciã inspirou a estruturação sistêmica desses movimentos corporais por uma jovem mulher. Passei compreender nesse dia com mais clareza a necessidade de solicitar sua mentoria como fonte de ampliar meu saber sobre o Kung Fu. 

Mestres Sêniores Ursula Lima, Julio Camacho e Ricardo Queiroz 
em Foto Oficial no Centro de Transmissão Barra da Tijuca

Dizer que um Discípulo aprende com o seu Mestre, é algo parecido que dizer que a chuva molha onde cai. Recentemente, após nosso último encontro de atividades no Centro de Transmissão Vitrine de Ipanema, meu Si Fu solicitou-nos escrever um pouco sobre nossa percepção ao seu respeito após esse período que ficamos fisicamente afastados dado sua mudança para a Flórida. E de uma maneira peculiar, mencionou que esse afastamento em si trouxe-lhe uma relativa dificuldade de notar o quanto as relações com seus Discípulos o transformava.  Essa colocação me deixou bastante reflexivo sobre o quanto um Si Fu aprende com seus Daai Ji. E óbvio que me fez refletir também, o quanto sou beneficiado no processo de representá-lo como tutor do Sistema no Mogun  (Sala de Guerra) de nossa Família em Ipanema. 

Mestre Thiago Pereira e Mestre Sênior Julio Camacho 
Centro de Transmissão Vitrine de Ipanema 

Para responder essa pergunta, minha experiência como o Daai Ji da Família Moy Jo Lei Ou que mais viajou com nosso Si Fu, me ajudou compreender primeiro a maneira estremamente estratégica de agira como ele sempre se comportou em suas viagens. E lembrando que dessa, e pela primeira, vez, que ele estava no Rio de Janeiro viajando e não residindo, ficou claro como sua ênfase na precisão me parecia muito mais visível em cada ação ou palavra nesse período de Dezembro que estava conosco. Para quem o conhece, é sabido sua incrível capacidade de através do relaxamento mudar rapidamente de frequência a cada circunstância. Mas em viagens a sua precisão e sintonia, sempre me foram mais visíveis. Até porque quando se viaja com o Si Fu, como ele mesmo costuma dizer, não existe folga para o Kung Fu, são vinte e quatro horas por dia em exposição constante, dormindo muitas vezes no mesmo quarto, e já acordando no compromisso intenso e gratificante da "pratica" da Vida Kung Fu.  E foi assim que o vi o tempo todo nesse mês de Dezembro, precisamente pontual no sentido mais amplo do termo. 

Mestre Sênior Julio Camacho em Foto Oficial no CT Vitrine de Ipanema 

Providencialmente, nesse ultimo encontro em Ipanema, tivemos um atividade voltada para o estudo do Daa Hung Jong, que é o estudo da Listagem do Mui Fa Jong (Nível Superior Inicial), se o uso do aparelho Muk Yan Jong, o emblemático "Boneco de Madeira do Sistema Ving Tsun. Nesse Componente Associado do Sistema, a reprodução das listagens no "vazio", conforme o Ideograma do meio aponta, requer do praticante, além da criatividade para se explorar as possibilidades de se explorar sequências análogas à pratica no aparelho, uma precisão com as próprias referências corporais. A necessidade de ser respeitar os pontos referenciais, exigem uma inteligência estratégica que em se pode ser facilmente percebido com o que sempre vejo nas ações da luta do dia a dia do meu próprio Si Fu. 

Líderes do Clã Moy Jo Lei Ou, Mestre Sênior Julio Camacho e Sra Márcia Moura 
em despedida no Aeroporto Internacional Tom Jobim 

Tentando resumir como o vi nessa viagem em relação extrair benefícios tangíveis de tudo que ocorreu enquanto estive aqui, me foi notório o quanto o vi respeitando com impressionante precisão cada um dos pontos de cada uma das situações ocorrida junto a ele, tanto os mais adequados, quanto os  falhos, por todos que tiveram contato presencial nesse período. E o quanto sem abrir mão dos próprios pontos que lhe são preciosos princípios, como por exemplo a atenção cuidadosa e aproveitamento favorável, extraindo e conduzindo cada um de nós explorarmos e desenvolvermos nosso próprio Kung Fu. Nos visitando, foi perceptível que sua sintonia com seu propósito pessoal de liderança da sua Família Kung Fu, tornou-o mais contundente nos direcionamentos necessários para o Clã Moy Jo Lei Ou amadureça cada vez mais, em seu retorno à Flórida, onde em breve, estaremos para experienciar uma outra realidade. De visitarmos e o apoiarmos nesse processo de internacionalização de nossos Centros de Transmissão.