segunda-feira, 13 de julho de 2020

Como aprender Kung Fu no escuro.



Ontem no dia 13 de Julho de 2020, a Linhagem Moy Yat do Sistema Ving Tsun de Kung Fu teve uma noite de gala na Internet. A semana de Celebração da Titulação da  "Pequena Notável"do Grade Clã Moy Yat Sang promoveu um momento ímpar onde os dois Mestres Sêniores Julio Camacho e Ricardo Queiroz, foram entrevistados pela aniversariante. A Líder da Família Moy Lin Mah, que celebrava dez anos de sua própria titulação e fundação de sua própria Família Kung Fu.

Mestra Úrsula Lima, minha querida Si Suk (Tia Kung Fu), ao qual já dediquei emocionadas linhas nessa página, sempre me foi uma das referências mais marcantes da minha jornada Kung Fu. Responsável na época de promover a minha introdução ao Sistema Tradicional, quando ainda era Tutora, é sem sombra de dúvidas uma artista marcial de primeira grandeza, através de sua dedicação e obstinação, carinhosamente relatada por seu irmão mais velho durante entrevista, Si Suk Queiroz, como chatice por sua caprichosa curiosidade dos tempos de praticante.

Durante a extrovertida conversa on-line que ela promoveu unindo Líderes e praticantes das três maiores Famílias do Grande Clã no Rio de Janeiro, seus antigos Tutores, Meu Si Fu(o Mestre Sênior Julio Camacho) e meu Si Suk, narraram saborosas histórias do passado dessa grande mulher.

O que mais me chamou a atenção é que a aniversariante, numa demonstração de zelo e referência aos seus Si Hing (Irmãos Kung Fu mais velhos), tentou conduzir uma atividade que colocasse-os como evidência. Obviamente que ela foi frustrada, quando ambos conseguiram habilidosamente transformar todas as perguntas em curiosos relatos da própria trajetória dela.

Mas de todas as narrativas, a que mais me tocou, foi quando meu Si Fu narrou, que quando ainda era tutor dela, em sua inexperiência em representar o hoje Grão Mestre Leo Imamura, reconhecendo que pegava duro com a jovem praticante, criava desafios inusitados, como ensiná-la a primeira parte da Listagem de Movimentos do Nível Superior da Fase Estruturada (Biu Ji), Domínio que já foi considerado o suficiente no passado para se ser um Líder de Família, num dia que tinha acabado a luz. E ele mesmo percebendo que tinha sido severo, nos contou que a obstinação da minha Si Suk fez com que ela superasse o desavio.

A primeira Mestra Titulada na América Latina é um exemplo para todos os praticantes de Artes Marciais de qualquer estilo, uma pessoa cuja referência hoje ultrapassa o Atlântico em seu novo desafio em levar nosso Legado no caminho contrário do descobrimento do Brasil em Portugal. Sorte de nossos patrícios de além mar, terem a honra de aprenderem através dessa guerreira de fibra, a sensibilidade da única Arte Marcial do Mundo criada por uma mulher.


segunda-feira, 6 de julho de 2020

Maturidade Kung Fu

O Sitema Ving Tsun, na maneira como é transmitido no seio da Família Jo Lei Ou, liderada pelo Mestre Sênior Julio Camacho , que por força de nossa tradição da Cultura Clássica Chinesa  me refiro  respeitosamente pelo termo Si Fu ( Pai Kung Fu), não promove seus membros de Nível por nenhuma espécie de teste de conhecimento, prova física, competição ou quaisquer outro modelo de avaliação tão necessários pelo entendimento da lógica Ocidental de permitir acesso ã novos conhecimentos dentro de um Sistema Educacional aos moldes comuns.

Dessa forma, cabe única e exclusivamente ao meu Si Fu, mesmo que por sugestão dos Si Hing (irmãos mais velhos Kung Fu) convidar qualquer membro inscrito em nossos Centros de Transmissão  ser convidado para avançar no avanço do Sistema VIng Tsun,  no acesso à Família, ou no mais importante de todos esses que se trata do processo de Reconhecimento Discipular. 

Aos que não entendem essa dinâmica tão peculiar da Linha Moy Yat, fica a pergunta de como se promover alguém sem se apoiar totalmente em critérios objetivos  avaliar o mérito do praticante?

E nesse ponto que entra a importância dos processos relacionais de uma Família Kung Fu, onde um olhar que vai muito além da técnica, ou habilidade desenvolvida do praticante são primordiais para que esse convite ocorra. 

Quando assumi a Direção do Núcleo Ipanema, meu Si Fu me orientou que o desejo de progredir no acesso ao Sistema sempre é muito mais importante que o conhecimento adquirido, pois numa relação vitalícia, temos todo o tempo de nossas vidas para nos aprofundarmos num conhecimento que nunca se esgota em cada aspecto que nos debruçamos em função do desenvolvimento de nosso Kung Fu.

Dessa maneira, hoje como praticante do Nível Superior Final (Baat Jaam Do), aquele cuja a conclusão em si aponta para que eu seja considerado apto liderar minha própria Família Kung Fu, meu Si Fu ressalta que um dos aspectos subjetivo fundamental para concluir esse Domínio, é justamente a maturidade. Pois essa por si só puxa as demais características necessárias para se tornar um Mestre Qualificado da Denominação Moy Yat Ving Tsun. 

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Kung Fu e a Grande Guerra.

O cotidiano antes dessa pandemia  que redesenhou as relações sociais anteriores ocultava de muitos um inimigo que sempre esteve a espreita em prontidão para nos atacar a qualquer instante. Um adversário paciente que sempre esteve pronto para nos subjugar, mas que graças à correria do dia dia, muitas vezes escapávamos dele sequer sem percebermos como. Num dia comum, tínhamos que acordar, nos preparar para o trabalho, afazeres domésticos, passeio, almoço com a família, cursos, compras, conversas, baladas, atividades físicas, religiosas e outras tantas rotinas ou não de nosso dia a dia que nos traziam inúmeras sensações confortáveis e desconfortáveis de acordo com nossos próprios humores de encará-las. O ruído do universo invadiam nossa existência como suas com suas constantes cacofonias. E nossa atenção se dispersava entre as constantes mudanças de cenários que uma simples ida ao mercado da esquina pode nos proporcionar.



E mesmo um praticante de Kung Fu, altamente focado em buscar se relacionar com tudo e com todos da maneira mais estratégica possível, deixava de prestar atenção de maneira mais nos ruídos dentro de si mesmo e não escutar o que esses queriam nos dizer a respeito de nós mesmos, para aprendermos lidar com a maior batalha de todo ser humano de todos os tempos, que acontece dentro de cada um de nós incessantemente. Emoções e sentimentos que passavam desapercebidos, pensamentos que não dávamos a a devida atenção, desejos que sequer reparávamos de onde vinham,  e todas os componentes de nossas próprias almas muitas vezes deixados em segundo plano pelos nossos afazeres. 
Foi muito comum Assistirmos  e ouvirmos  falar de várias pessoas que tiveram inúmeras questões de não adaptação ao regimes de recolhimento impostos em razão da atual crise sanitária através da manifestação de descontroles comportamentais em função de desequilíbrios emocionais. E é nesse aspecto que quem pode procurar amparo psicológico,  está tendo a oportunidade de lidar com aquilo que entendo como esse inimigo interno que citei acima. Nosso próprio eu que sempre gritou dentro de nós sendo finalmente ouvido "a plenos pulmões", pois a ilusão que tínhamos de controlar nossas vidas se ruiu diante desse momento onde a única certeza que temos, é justamente que tudo é incerto. 

E nesse ponto, o Sistema Ving Tsun através do processo de mobilização interpessoal permite ao praticante identificar através de seus movimentos de combate simbólico, perceber as nuances de nós mesmos nos expondo pela maneira como lidamos com nosso próprio estado mental, através de como nosso corpo reage durante as sequências de movimentos que trabalhamos, em função da busca pela manutenção do nosso posicionamento, timing, energia e distância em referência a nós mesmos.

O Líder do Clã Moy Jo Lei Ou, Mestre Sênior Julio Camacho e meu mentor  (Si Fu), em sua incansável busca de promover nosso Legado, enfrenta hoje o desafio de nos conduzir no constante refino de nossas habilidades de transmitir com alto padrão e qualidade nossa arte como um benefício a ser levado a todos que desejam extrair da marcialidade ferramentas para os desafios do cotidiano, tanto em tempos de paz, ou não, principalmente quando a batalha é a grande guerra que é vencermos a nós mesmos.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A Espera estratégica e a capacidade de se conformar.

É muito comum um praticante do  Sistema Ving Tsun ouvir repetidas vezes que nossa Arte Marcial nos ensina desenvolver a capacidade de se manter sempre em constante condição de progressão constante diante os desafios do cotidiano.  Mas compreender o quanto é fundamental saber esperar o momento oportuno para se gerar benefício de qualquer circunstância da maneira como ela se apresente é de longe um dos maiores desafios de um praticante de alto nível de Kung Fu.

O Mestre Sênior Julio Camacho, Meu Si Fu, e líder do Clã Moy Jo Lei Ou, trouxe hoje, durante nossa prática conduzida direto dos EUA via internet, a importância do zelo para como régua para todos os posicionamentos estratégicos sobre como devemos agir durante esse momento que colocou todos os países do mundo em condições adversas, e bem distantes de qualquer projeção para o decorrer desse ano. Em uma de suas colocações ele deixou-nos claro que um praticante de Kung Fu não deve seguir tendências sem uma analise constante e atualizada do cenário, sempre levando em consideração não apenas quem, mas como a atenção cuidadosa é primordial para que o benefício de nossas ações sejam constantes e amplos. 

Para tanto, a necessidade da saber como se conformar diante das circunstâncias é fundamental, não no sentido usual da palavra de se tonar passivo diante daquilo que nos é ofertado, mas através de uma leitura precisa e atualizada de cada situação, nos permita tal como a água se amolda naturalmente sobre qualquer superfície ou recipiente onde colocada, aprender não resistir ao que se opõe, tomando a forma do oponente como modelo para explorarmos as possibilidades oferecidas, é a maneira menos desgastante de se permitir que a adversidade nos aponte o melhor caminho de superá-la. 

E nesse ponto a espera estratégia, não como inação, blefe de conveniência, torna-se uma atitude de suma importância a ser refinada no preceder de cada movimento na guerra do dia à dia. Ao se praticar o Nível Superior Final de nosso Sistema (Baat Jaam Do) a busca de se usar duas facas agindo em tamanha sintonia uma com a outra e com todo o próprio corpo, nos desafia empreender inúmeras ações de maneira sintética exigindo-nos uma atitude mental de atenção e relaxamento suficientes, para que não se deixe nenhuma brecha que possa nos expor em momento algum, nos permitindo desenvolver a máxima eficácia em estar pronto para que a tomada de decisão seja sempre no momento oportuno em total acordo e precisão com aquilo que cada situação exige.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Etiqueta Marcial.

O grande desafio de um praticante de do Sistema Ving Tsun de Inteligência marcial é se manter o alto nível de sintonia com o aquilo que na cultura de nossa Família Kung Fu, Liderada pelo nosso Mestre Sênior e meu Si Fu Julio Camacho, chamamos de Vida Kung Fu.

Um praticante no Nível Superior Final tem como missão ser no mínimo legítimo com seu próprio nível de desenvolvimento pessoal. Nessa etapa de nossa jornada dentro do Sistema, não existe mais como dissociarmos nossa capacidade técnica de nossa conduta pessoal. Pois a maneira como nos nos comportamos, para o bem e para o mal, são evidenciadas e expostas na maneira que manuseamos as facas (Ving Tsun Do), e vice e versa. Como se postura mental necessária transformar armas e corpo numa só coisa, não nos permita mais nos vitimar de nossas vulnerabilidades comportamentais. Desculpar-se pelo desmazelo com a própria aparência pessoal por estarmos vivendo um momento de isolamento nos tira do exercício de conexão com outro ser humano, mesmo quando o contato presencial não nos é permitido.

Não exercitar-se na manutenção da próprio cuidado com a aparência, pode ser um forte indício de  dessintonia humana, isso para um praticante de alto nível de Kung Fu representa o risco eminente de perda da capacidade de lidar com um instrumento cujo signo da morte encontra-se na própria essência, expondo-o morte simbólica da falta de eficácia em sua capacidade de lidar e evoluir-se dentro das possibilidades tanto da prática marcial, quanto simplesmente


de lidar com seu cotidiano.   

segunda-feira, 25 de maio de 2020

A guarda, a "escuta" e o zelo.

O Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial nos ensina desenvolver dentre muitas habilidades, a capacidade de conectar conceitos que num primeiro olhar superficial parecem distantes entre si. Através da prática dos dispositivos corporais de combate simbólico, dentro da vivência da Relação Discipular no âmbito de uma Família Kung Fu, aprendemos sintonizar do todo para parte de maneira usarmos o relaxamento como uma ferramenta de ampliar nosso potencial de extrair benefício de qualquer situação sem nos vitimarmos das circunstâncias que estas se apresentam.

Quando se chega ao Nível Superior Final da Fase Semi-Estruturada ( Baat Jaam Do), Domínio que explora a natureza da síntese de toda riqueza da experiência de um praticante em sua jornada pelo desenvolvimento de seu Kung Fu através de nossa Arte, percebemos que a tênue linha entre a vida e morte, simbólica ou real, está profundamente ligada à nossa capacidade de se manter de maneira plena em estado constante de guarda. A guarda, muito além de uma posição de combate defensiva, se estabelece na capacidade de se manter  em condição ofensiva contínua e permanente. Lidar com com maestria com as famosas Facas de Oito Cortes (Ving Tsun Do), exige do praticante uma capacidade de leitura do cenário dinâmica, de forma que qualquer desvio de atenção pode custar caro.  E nesse aspecto, a Vida Kung Fu é a ferramenta perfeita para se alinhar o pensamento à ação, através dos fluência das experiências da relação Mestre-Discípulo ( Si Fu-Todai). 

A "escuta" como ferramenta de Desenvolvimento Pessoal dentro da perspectiva Marcial, é uma das habilidades mais importantes que um praticante de Ving Tsun precisa desenvolver para apreciar as nuances desse Sistema. A capacidade de não ser meramente reativo nem de maneira desordenada, muito menos de maneira adestrada, é em si um dos grandes diferenciais ofertado pela maneira como nossa a Família Moy Jo Lei Ou liderada pelo Mestre Sênior Julio Camacho transmite nosso Legado. Meu Si Fu costuma dizer que infelizmente é muito comum as pessoas procurarem por cursos de oratória, quando deveriam procurar por aulas de "escutatória", por justamente não compreenderem como o poder de observar da maneira mais plena possível é fundamental para um tomada de decisão eficaz. 

A prática de tomar nosso Si Fu como alvo referencial para o Zelo, nos capacita mergulhar cada vez mais dentro de nossa própria maneira de aprender zelar por nós mesmos e pelos nosso próprios valores, e lidar com armas letais com o Ving Tsun Do no mais alto nível de Kung Fu, nos faz compreender o quanto o a atenção cuidadosa é fundamental para tudo que diz respeito à sobrevivência.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Contos de fadas da vida Kung Fu.

O ano de 2019 encerrou-se com requinte e esplendor para o Clã Moy Jo Lei Ou. O evento de Celebração dos Cinquenta Anos do Mestre Sênior Julio Camacho, onde oportunamente celebrou-se o não menos importante  Casamento Kung Fu dele com a Líder do Clã,  Márcia Moura,  brindou à todos que participaram com um cerimonial cujo termo mais adequado para se resumir seja a palavra emocionante.

A incansável Carmem Maris atenta à todos os detalhes 
Com a presença da Liderança do Grande Clã Moy Yat, o Grão Mestre Leo Imamura, e de líderes das Famílias Kung Fu de todo país. As festividades ocorridas começaram pontualmente, um perfeito sincronismo com a programação do evento. Ajudar receber os convidados direcionando-os às suas respectivas mesas, me trouxe o privilégio de colher de cada pessoa que chegava as impressões iniciais de cada um. E com isso foi sendo contagiado pelos mais variados sentimentos positivos que cada um trazia consigo em poder estar ali naquela dia prestigiando meu Mestre e sua tão influente companheira, minha Si Mo. Que apesar de tão pouco tempo em contato com a Dimensão Kung Fu de nossa Denominação, esbanja através de sua sintonia refinada e sua sensibilidade aguçada, uma contagiante influência que nos faz seguro de termos uma grande líder ao lado de nosso experiente Si Fu.

O mago Issao Imamura
Obviamente que não poderia deixar de fazer uma menção de gratidão à minha queria Si Mui (Irmã Kung fu mais nova) Carmen Maris, que também apesar de bem menos tempo em contato com nosso Universo Kung Fu, vem demonstrando com sobras sua imensa capacidade de Zelar pelo Clã, sendo a principal responsável dessa impecável noite memorável. Isso me deixa particularmente muito empolgado em atestar como quanto maior a presença feminina afeta positivamente nós que somos legatários do Sistema Ving Tsun, justamente uma Arte fundada por uma mulher, mas que pela própria natureza Marcial num mundo sempre tão dominado por homens teve, e tem até hoje tão poucas lideranças mulheres
em destaque.

O Casamento Kung Fu que se deu durante essa celebração, trouxe à noite um majestoso momento onde todo peso de se unir com a mesma relevância simbólica, as famílias de origem e de Kung Fu num mesmo plano, com os antepassados da Arte e de Sangue, com os não presentes por razão de falecimento tendo seu local de destaque, me tocou de uma maneira que dentre vários sentimentos que pude identificar, o de gratidão por pertencer à esse fantástico grupo de pessoas cujo o propósito de se transmitir o amor através da ação, me ajudou reforçar o quanto estou no caminho certo em ser mais um que os segue.

Foto Oficial de uma primorosa Cerimônia 
Após a celebração e durante o jantar, nada melhor que numa noite tão carregada da magia de sentimentos tão nobres ser contemplada com um espetacular show de magia de um dos maiores mágicos do país, o mestre do ilusionismo Issao Imamura, que através de seus troques com um corda, conseguiu dar o exato tom do quanto os laços que uniam à todos ali presentes eram fundamentais para cada um de nós pudesse extrair daquele momentos o exemplo e inspiração necessários para tornar nosso entorno um lugar melhor, com pessoas com foco no desenvolvimento humano, em um mundo com mais Kung Fu.